Lições Bíblicas: “O cuidado ao falar e a religião pura”

Lição 5 — 3.° trimestre de 2014

O título destaca apenas dois assuntos, o “falar” e a “religião pura”, mas a lição  também falar do “ouvir” na exploração natural do texto de Tiago. Toda a lição, portanto, pode ser resumida em três verbos: “ouvir”, “falar” e “agir” (a prática da religião pura).

Pronto para ouvir e tardio para falar (Tg 1.19,20)

A questão do ouvir e do falar e sua relação com a ira é bem sintetizada por Simon Kistemaker:

Preletores que têm o talento de se expressar com fluência e elo­quência são altamente requisitados. Eles recebem reconhecimento, admiração e aclamação. Tiago, porém, coloca a ênfase não no falar, mas no ouvir. Isso é mais importante do que falar. Ouvir é uma arte difícil de se dominar, pois significa ter um forte interesse pela pessoa que está falando. Ouvir é a arte de fechar a boca e abrir os ouvidos e o coração. Ouvir é amar o próximo como a si mesmo: suas preocupações e problemas são importantes o suficien­te para serem ouvidos. [...] Quando Tiago diz que devemos ser tardios para falar, não defende a ideia de que devemos fazer um voto de silêncio. Pelo contrário, ele quer que sejamos sábios em nosso falar. [...] Palavras descuidadas, muitas vezes, acompanham um estado de espírito irado. É claro que há um lugar para a ira correta, mas o salmista nos diz que devemos conhecer o limite dessa ira: “Irai-vos, e não pequeis” (Sl 4.4; Ef 4.26; e ver Mt 5.22). No tocante à raiva, Tiago pede que haja controle.

Praticante e não apenas ouvinte da Palavra (Tg 1.21-25)

Adapte para a sua aula esta exposição de William Barclay:

Aqui Tiago nos apresenta dois desses vívidos quadros nos quais é tão consumado mestre. Em primeiro lugar, fala-nos do homem que vai a uma reunião da Igreja, que ouve ali a leitura e a exposição da Palavra e ele pensa que esse ouvir já o tornou cristão. Engana-se a si mesmo crendo que essa concorrência ao culto público, esse ouvir o que ali se lê e se diz, já é suficiente. Fechou os olhos ao fato de que o que se lê e se diz na igreja tem que ser vivido e praticado na vida. Até é possível confundir a assistência à Igreja e a leitura da Bíblia com o cristianismo, e crer que concorrer fielmente à Igreja e estudar diligentemente a Bíblia é ser um bom cristão. Aqueles que fazem isso não chegam nem na metade do caminho, porque deixaram de ver que o realmente importante é converter em ação aquilo que ouviram. Quem procede assim — sugere Tiago — é como um homem que viu no culto o ideal do que ele deveria ser, mas rapidamente o esquece. Então Tiago nos apresenta um segundo quadro. É como alguém que se olhe num espelho — os espelhos antigos não eram de vidro, mas sim de metal esmeradamente polido — e vê a sujeira que mancha seu rosto e o emaranhado de sua cabeleira, mas logo se retira da frente do espelho e se esquece de sua aparência e não faz nada para corrigir e melhorar seu aspecto. Ao ouvir a palavra verdadeira é revelado ao homem o que ele é e o que deveria ser. Vê o que vai mal, e também adverte o que deveria fazer para corrigi-lo. Mas se só se trata de um auditor, então permanece tal qual ele é, e todo seu ouvir foi completamente inútil.

A religião pura e verdadeira (Tg 1.26,27)

Leia o comentário de Russell P. Shed & Edmilson F. Bizerra:

Apesar de Tiago enfatizar o órfão e a viúva, é importante reconhecer que hoje não devemos nos limitar apenas a esses dois grupos de pessoas. Podemos dizer que estariam inclusos na lista aqui todas as pessoas que se encontram em situação desesperadora que não têm condições de prover para si mesmas sequer o mínimo necessário. [...] A contaminação que Tiago tem em mente refere-se principalmente à inveja e às paixões (cf 4.1-4) que podem produzir uma satisfação temporária. Mas a longo prazo, no fim da vida, o ímpio tem de admitir que sua vida foi perdida. Além do mais, ainda tem o juízo de Deus pela frente. Tiago quer deixar claro que não é apenas uma questão de caridade ou boas obras, cuidando dos necessitados, mas também temos a necessidade de nos guardar livres de tudo aquilo que pode manchar, corromper, contaminar nossa vida. Tudo aquilo que tem origem nesse mundo. Por isso, não permitir que o mundo corrompa o coração que pertence a Deus teria prioridade se o cristão percebesse a natureza do veneno embutido nos interesses da sociedade em volta. Respiramos os valores deste mundo pela mídia, pela Internet, pelas revistas seculares e pela educação necessária para conseguir um bom emprego. Ninguém recomendaria uma vida de mosteiro. Mas se não nos imunizarmos pelo repúdio dos moldes deste mundo e não nos transformarmos pela renovação da nossa mente para experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus (Rm 12.2), o corromper-se pelo mundo ocorrerá sem nos darmos conta.

Leia também este artigo, que comenta essa questão com relação à política: O manifesto de Tiago.

Lição 6 (aguarde).

BIBLIOGRAFIA. Barclay, William. Comentário do Novo Testamento: Tiago. Tradução 
de Carlos Biagini. [S.l: s.n.], s.d. * Kistemaker, Simon. Tiago e epístolas de 
João. Tradução de Susana Klassen. São Paulo: Cultura Cristã, 2006. * Shedd, 
Russell P.; Bizerra, Edmilson F. Uma exposição de Tiago. São Paulo: Shedd, 2010.