A primeira escola dominical do Brasil não foi a de Robert Kalley

Embora a escola dominical instituída no Brasil pelo escocês Robert Kalley e sua esposa inglesa Sarah seja considerada a primeira do Brasil pelo fato de ter se mantido de forma ininterrupta até hoje, houve outra tentativa de sua implantação quase vinte anos antes do trabalho realizado pelo casal.

Robert e Sarah Kalley

Em março de 1836, chegou à cidade do Rio de Janeiro o missionário Justin Spaulding, enviado pela Igreja Metodista dos Estados Unidos. Ele organizou ali, entre estrangeiros, uma congregação de quarenta pessoas, aproximadamente. Em junho do mesmo ano, foi inaugurada uma classe de escola dominical com cerca de 30 alunos. James L. Kennedy, no livro Cincoenta annos de methodismo no Brasil, informa que “alguns eram brasileiros, ensinados na sua própria língua” — o ensino de nativos foi o que oficializou o surgimento da escola dominical organizada por Kalley, mas como se vê isso também ocorreu nos tempos de Spaulding.

No entanto, a Igreja Metodista dos Estados Unidos passou a enfrentar problemas financeiros e políticos na época, e assim, em 1941, o trabalho organizado da denominação foi encerrado no Brasil, ficando aqui apenas uma família, os Walker, até que em 1867 o reverendo Junius E. Newman retomou a obra missionária no Brasil. Ele organizou a primeira Igreja Metodista no país em 1871.

Nesse intervalo, porém, no dia 10 de maio de 1855, Robert e Sarah Kalley chegaram ao Rio de Janeiro. A missão deles era fundar aqui a Igreja Evangélica, mais tarde chamada Igreja Evangélica Fluminense (do trabalho dos Kalley, surgiu a Igreja Congregacional do Brasil). Mas ainda em 1855, no final de julho, eles se estabeleceram em Petrópolis e ali iniciaram uma escola dominical.

Por isso, não é errado dizer que Kalley é o pai da escola dominical no Brasil, porque essa instituição de ensino que hoje reúne milhões de crentes todos os domingos para aprender a Palavra de Deus teve origem, de fato, no trabalho do missionário escocês. Só não é correto dizer que foi a primeira.

A Igreja Metodista detém ainda outro pioneirismo na mesma área: a confecção de revistas para escola dominical. O reverendo John James Ransom produziu a primeira revista bíblica infantil, A Nossa Gente Pequena, publicada entre de 1884 a 1886. Ele produziu também A Escola Dominical, que era uma revista para adultos.

Mão armada, mão desarmada

Eu estava indo para uma reunião na Central Gospel, no Rio de Janeiro, e ao passar diante do Campo dos Afonsos o taxista começou a relembrar os tempos em que servira naquela base militar. Ele então me apontou uma guarita e disse que havia tirado serviço de guarda algumas vezes ali.

Na esteira das informações que eu não havia solicitado, contou-me a embaraçosa experiência de um colega de farda que certo dia estava de guarda na mesma guarita.

O soldado observava a rua, um tanto entediado, quando em certo momento viu andando pela calçada uma moça que chamava a atenção pelos peitos “extravagantes”. (Foi a primeira vez que ouvi esse adjetivo associado a essa parte da anatomia feminina, mas no decorrer da conversa descobri que o taxista era membro de uma dessas igrejas missionárias, daí o cuidado com o vocabulário.)

A moça então, para deleite do guarda, parou diante da guarita e acenou para ele, dizendo que queria uma informação. O rapaz imediatamente abandonou o posto e veio conversar com ela, animado com a oportunidade de conferir mais de perto a extravagância da moça.

Mas a alegria dele acabou aí. Quando estavam bem perto um do outro, ela sacou um revólver ou uma pistola e assaltou o soldado. Tomou a arma dele e seguiu seu caminho, enquanto o rapaz retornava arrasado para a guarita, pensando na explicação que teria de dar ao comandante da guarda quando se apresentasse a ele sem a arma.

Lições Bíblicas: “A prosperidade em o Novo Testamento”

Lição 4 — 1.° trimestre de 2012

Esta lição talvez seja a mais importante do trimestre, porque procura definir o que seja a prosperidade para o cristão. O autor entende que a verdadeira prosperidade tem os olhos no futuro; que é mais uma questão de ter do que de ser; que tem função filantrópica. São três temas significativos para desenvolver

A prosperidade  no Novo Testamento é escatológica

A primeira parte desta seção menciona o consumismo. Como tenho ressaltado, não é bom começar  a discorrer sobre um termo sem antes defini-lo. Você pode começar explicando que consumismo é o “sistema que favorece o consumo exagerado” (Dicionário Aurélio). Podemos acrescentar que é a aquisição irresponsável de bens e serviços motivada por algum impulso que não a necessidade. Há pessoas que se endividam por um ano inteiro apenas para ter o produto da moda ou para possuir algo que seja tão bom ou melhor quanto o do vizinho, e assim por diante. Esse tipo de comportamento pode denotar frivolidade, inveja, irresponsabilidade, egoísmo, rivalidade ou qualquer outra virtude negativa ligada às obras da carne. Por isso já se vê que a postura consumista “milita contra o Espírito” (leia Gl 5.17-23).

Faça um rápido balanço mental sobre as coisas que você tem em casa e que são dispensáveis. Faça uma lista das coisas que você adquiriu ultimamente e de que realmente precisa. Tente lembrar-se agora de algo que você precisava comprar, mas não pôde porque havia gastado o dinheiro em coisas não tão necessárias ou mesmo supérfluas. Faça a experiência com os alunos.

Um exemplo: uma pessoa de minha família trabalha numa empresa e há algumas semanas contribuiu com uma cesta de alimentos para uma colega de trabalho que praticamente estava sem ter o que comer. Todos ficaram comovidos e contribuíram generosamente. Mas a compaixão se transformou em decepção e até em raiva dias depois, quando aquela pessoa gastou quase 200 reais em produtos de beleza.

Encontramos  na Bíblia farta orientação sobre como administrar os bens terrenos que possuímos (você pode extrair muitos conselhos úteis do livro de Provérbios, por exemplo). Se não devemos ter um apego doentio ao bens materiais, também é certo que não devemos ser levianos com as nossas posses. O crente é ensinado a não se deixar dominar nem mesmo por aquilo a que tem direito (1Co 6.12; 10.23).

Sobre a futuridade, também tratada nesta seção, lembre os alunos de que os teólogos da prosperidade fazem da aquisição de bens um fim em si mesmo, a ser desfrutado aqui, de maneira geralmente egoísta. Manter o pensamento no futuro glorioso que nos aguarda com Deus e e ocupar-nos em acumular tesouros espirituais acabará nos deixando mais confiantes na provisão de Deus (Mt 6.31) e menos propensos àquelas qualidades negativas citadas no início. Estude a tabela sobre os bens materiais nas perspectivas mundana e bíblica (página 28 da revista do professor) e comente com base bíblica e exemplo cada um dos itens.

A prosperidade em o Novo Testamento é mais uma questão de ser do que de ter

O tratamento equivocado dos bens materiais conduz à inversão de valores. Para o cristão, importa mais o ser que o ter, embora um não exclua o outro. Nossa fé não pode ser guiada pela nossa carteira. Nem devemos medir a nossa espiritualidade pela quantidade de bens (ou mesmo bênçãos) materiais que recebemos. Se você “é”, jamais terá dificuldades para lidar com o que “tem”, mesmo que seja quase nada.

O apóstolo Paulo descobriu o segredo de andar contente: “Sei estar abatido e sei também ter abundância; em toda a maneira e em todas as coisas, estou instruído, tanto a ter fartura como a ter fome, tanto a ter abundância como a padecer necessidade” (Fp 4.12). Observe que o que ele “tinha” podia oscilar entre a miséria quase absoluta e a abundância (não há registro de que ele tenha sido rico em algum momento), mas o que ele “era” lhe permitia uma alegria inabalável em qualquer circunstância (a alegria, só para lembrar, faz parte do fruto do Espírito).

A prosperidade  em o Novo Testamento é filantrópica

Deus, em sua soberania e pela graça que se estende a todas as pessoas, acolhe na Igreja ricos, pobres e gente de classe média. Assim, há quem tenha mais do que precisa e quem precise de ajuda. Deus não está sendo injusto ao permitir essas diferenças. O que existe nessa situação são oportunidades  para que os mais afortunados exerçam o amor cristão.

Na Igreja primitiva, os crentes que tinham posses depositavam aos pés dos apóstolos o produto da venda de propriedades de modo a atender membros mais necessitados da comunidade (At 2.44,45). Mas o fato de que nem todos “eram” fazia com que até na caridade cometessem pecado, como no caso de Ananias e Safira (At 5.1-11).

A Igreja tem falhado muito nisso. Hoje há muitos crentes ricos, mas há pouca preocupação com as necessidades do Corpo de Cristo. A Bíblia ainda precisa ser traduzida para milhares de idiomas, porém quem se anima a patrocinar os tradutores? Há igrejas grandes que aplicam somas ridículas no campo missionário, o Departamento de Missão é só enfeite. (A obra missionária é só um exemplo, você pode citar outros.)

O aspecto filantrópico da verdadeira prosperidade é prova de que as bênçãos materiais (o “ter”) não desvirtuam o cristão necessariamente, porém esses recursos só serão devidamente administrados por quem cultiva antes de tudo os tesouros espirituais (o “ser”).