Presbítero Evilásio e os hinos impróprios

Estava lembrando hoje do presbítero Evilásio Pinheiro, que pastoreou a congregação de Espinheiros em Joinville em meados da década de 1980. Era um bom pregador, muito acima da média dos seus pares, e dedicado leitor da Bíblia. Na sala de sua casa, uma estante de vime quase vergava sob o peso de dezenas de livros, que não estavam ali para enfeite: ele estudava mesmo.

Era uma pessoa acessível, em casa ou na igreja, a quem desejasse um conselho, o esclarecimento de alguma passagem das Escrituras ou mesmo puxar conversa. Eu o admirava muito por todas essas virtudes e estive diversas vezes em sua casa para apresentar o livro-caixa da tesouraria da congregação antes prestar contas à Central, e nessas ocasiões a conversa sempre se prolongava um pouco.

A igreja também o amava e sempre lhe prestava homenagens naquelas ocasiões especiais que fazem parte da cultura assembleiana. Mas era aí que as coisas não ficavam muito boas para o lado dele. Por algum estranho motivo, os hinos que escolhiam para homenageá-lo geralmente vinham confirmar aquela máxima de que o caminho para o inferno está pavimentado de boas intenções.

Certa noite, a igreja inteira se dirigiu à casa dele, na Comasa do bairro Boa Vista, para fazer uma surpresa de aniversário, e algum iluminado escolheu para despertá-lo o hino 303 da Harpa cristã: “Quando o sol brilhar em qualquer lugar,/ Tu precisas de Jesus;/ Quando escurecer, tudo fenecer./ Tu precisas de Jesus!”. Todo assembleiano sabe que esse é um hino tradicionalmente cantado em funerais.

No culto em que ele se despediu para assumir outra igreja, mais uma vez um hino mal escolhido veio tirar o brilho das homenagens. Meu sogro, que era o regente da pequena orquestra, não levou em conta a ocasião especial e passou aos músicos a lista dos hinos que haviam ensaiado, sem alteração. Um dos hinos era o 430, e em meio à animada cantoria da congregação ele empalideceu ao chegar à parte que dizia: “Mas o corvo foi s’embora,/ Sobre os mortos foi pousar”.

Outra coisa que todo assembleiano sabe é que esses dois versos do hino 430 são cantados ironicamente quando algum mau obreiro está indo embora. Suando frio, o meu sogro olhou para o púlpito, na esperança de que o presbítero Evilásio não tivesse percebido a gafe, mas ele havia notado, sim: lançou um olhar malicioso para o aflito regente  e caiu na risada.

O presbítero Evilásio Pinheiro já morreu. Não sei se cantaram o hino 303 no 
sepultamento dele.

Para que viver?

Outro daqueles folhetos que escrevi em tempos idos

Alguém disse que o homem vive menos do que deve e mais do que merece. Outro declarou que os avanços da ciência em busca do prolongamento da vida humana só são aplaudidos pelos masoquistas, aquelas pessoas que gostam de sofrer.

É possível que a vida não esteja fácil para você.

As coisas em casa estão indo de mal a pior.

Você se sente obrigado a fazer coisas erradas para sobreviver, que em outras situações não faria.

A consciência não o deixa em paz.

As pessoas que você ama estão sofrendo, e não há recursos para ajudá-las.

A doença está consumindo você.

Diante de tanta desgraça, talvez você até já tenha se perguntado: “Para que viver?”. Talvez já tenha desejado pôr um fim a uma vida tão infeliz. Mas isso é próprio de quem ainda não conhece a verdadeira vida: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim” (João 14.6).

Essas são palavras de Jesus, o Filho de Deus. Ele veio ao mundo para nos ensinar a viver, pois afirma: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (João 10.10).

Portanto, o que você precisa não é acabar com a sua vida, mas conhecer a vida verdadeira, que é Jesus. Ele o ensinará a viver bem em qualquer circunstância. Por isso, deixe que a Vida entre em você. E, com isso, você ganhará também outra existência: a vida eterna.

7 x 1 de novo

Estava hoje embarcado diante da Verdes Mares, empresa de ônibus aqui da Barra do Sul, e ouvi dois amigos conversando sobre o rank atualizado da Fifa, publicado ontem.

Eu havia lido a matéria de manhã. A Alemanha está em primeiro lugar. O Brasil caiu quatro posições e está em sétimo.

Na conversa entre os dois homens no ônibus, depois que a nova classificação das duas seleções foi mencionada um deles comentou:

— Outro 7 x 1!