Coisas que só eu encontro nos livros (27)

Convite para lançamento de livro

Vivencímetro

Entre as páginas do volume IV do Dicionário internacional de teologia do Novo Testamento, encontrei este convite para lançamento do primeiro livro do meu amigo Neir Moreira, que editei para ele em 2009.

Nota: Pela contagem do WordPress, este foi o meu milésimo post.

Nosso testemunho é confiável? (reedição)

Os advogados costumam dizer que a testemunha é a prostituta das provas, tal a facilidade com que pode ser comprada ou manipulada. No entanto, ninguém pode negar o poder do testemunho. Uma inquirição bem conduzida pode ser determinante para um veredicto, ainda que a verdade não tenha sido de fato apurada. A testemunha desacreditada, ainda que tenha revelações importantes, pode pôr um caso a perder (já assisti a centenas de episódios de Lei & ordem, sei o que estou dizendo).

Não por acaso, a última de declaração de Jesus aos discípulos, antes da ascensão, foi que eles seriam testemunhas dele. Seus seguidores receberam a importante incumbência de dar ao mundo um depoimento confiável, expresso em atos e palavras, da realidade de Cristo. Portanto nós, cristãos, precisamos convencer o mundo de que tudo que ele disse é verdade.

Quando damos mau testemunho, cometemos dois pecados: a perversão de nós mesmos e a difamação do verdadeiro evangelho. Quando isso acontece, o nosso sal não tem o efeito de preservar o mundo da corrupção, mas de tornar estéril a boa terra.

Não é novidade que a cultura gospel, com seus slogans triunfalistas, seus artefatos ungidos, seus ícones ambíguos e sua descarada imitação do mundo, hoje constitui a vitrine mais chamativa aos olhos do universo descrente, mas não apresenta de forma alguma um testemunho plausível da realidade de Cristo.

Celebridades “convertidas” dizem que não se arrependeram de nada do que fizeram no passado. Pastores chamam mais a atenção pelos bate-bocas com os seus pares que pela mensagem poderosa, sem falar de sua vergonhosa relação com o dinheiro. Os concílios viraram feira de vaidades. E o povo nada fica a dever aos seus líderes: em vez de testemunhar, o rebanho especializou-se em dar vexame.

Os depoimentos confusos e contraditórios estão convencendo o júri do mundo de que Jesus é um oportunista, não um Salvador; um banqueiro ganancioso, não um ministrador da graça; uma trilha secundária para o céu, não o único caminho; um rótulo de conveniência, não um nome de família espiritual; um discurso ultrapassado, não a Palavra da Verdade.

Triste constatação: Cristo nos confiou um testemunho, e nos tornamos seus detratores.

É hora de resgatar a confiança que Cristo depositou em nós e mostrar ao mundo quem ele de fato é, por meio do testemunho da verdade, da consciência, das boas obras e da boa confissão, para que até os inimigos reconheçam, mesmo a contragosto, que o nosso testemunho é confiável, verdadeiro. Se ainda assim nos condenarem, que seja pela mentira que os governa, não pela verdade que está em nós.

Lições Bíblicas: “O homem vestido de linho”

Lição 11 — 4.° trimestre de 2014

Apesar do título da lição, o tema do homem vestido de linho ocupa apenas um parágrafo, na seção II. Cuide para que as questões genéricas sobre os anjos não tomem tempo demais da aula e se transformem numa digressão. Na verdade, elas são até dispensáveis. Minha sugestão é que você desenvolva as semelhanças entre o homem vestido de linho e a visão de Cristo no Apocalipse e fale mais especificamente sobre Miguel e o príncipe da Pérsia.

Uma visão celestial (10.1-3)

Essa visão aconteceu quando  povo de Israel já regressava do exílio, mas Daniel permaneceu na Pérsia, como explica Antônio Neves de Mesquita:

No ano terceiro significa que Daniel […] continuou em Babilônia mesmo depois do exílio. Por que ele não veio com os seus compatriotas, junto a Zorobabel, não sabemos. Ele estava de tal modo identificado com as coisas em Babilônia que o seu zelo pela Santa Cidade não o impeliu a voltar. Nessa altura, três anos depois da primeira volta, ele sabia que os seus compatriotas estavam às voltas com a construção do templo, e isso lhe deveria tocar o coração sobremodo. Não parece que ele teria ficado em Babilônia para ajudar a resolver quaisquer dificuldades que surgissem, porque a situação política era de todo favorável aos judeus, e seria desnecessária qualquer interferência especial a seu favor. […] Daniel não se interessou em nos dar um relato da situação política do Estado, mas apenas das suas revelações. Para não perder a sua identidade com o seu povo, ele continua a usar o nome caldeu de Beltessazar. Com este nome ele continuaria a ser conhecido entre o povo, pois sabemos que muitos judeus não voltaram à sua terra, bem estabelecidos que estavam na nova pátria, com altos negócios, que os impossibilitaram de voltar, arriscando o certo pelo incerto. […] Por que Daniel não foi assistir à inauguração da casa do Senhor, pela qual ele tinha suspirado tanto? São coisas que vêm à nossa mente e que não têm resposta. As notícias seriam levadas a Daniel e ele saberia de tudo, mas, por motivos que ignoramos, declinou da viagem, que seria penosa para ele, pois agora estaria bem idoso. Nem agora voltara nem mais tarde, com a vinda de Neemias, quando tudo era favorável aos judeus. Tem parecido a alguns estudiosos que os negócios da Pérsia o prendiam demais, e ele não se sentia com ânimo de pedir dispensa para ir à sua terra. Pelo que tudo indica, lá ele foi sepultado e no último dia resplandecerá como estrela de primeira grandeza, com a ressurreição dos justos [Dn 12.3].

 A visão do homem vestido de linho (10.4,5)/ Daniel é confortado por um anjo (10.10-12)

Um reforço à ideia de que o homem vestido de linho é Jesus Cristo, no comentário de Roy E. Swim:

O que se segue é o desvendar de um Ser glorioso a Daniel que nos faz lembrar o que o Apóstolo João viu na ilha de Patmos (Ap 1.10-20). Ao lado do rio Hidéquel (Tigre), Daniel viu um homem vestido de linho. Ali em Patmos, João viu alguém semelhante a um Filho do Homem vestido até aos pés de uma veste comprida. Ambos estavam cingidos com ouro. Ambos brilhavam da cabeça aos pés com uma luz sobrenatural. Ambos tinham olhos como chamas que bri­lhavam e falavam como a voz de uma multidão. A Pessoa que João viu identificou-se da seguinte forma: “Sou Aquele que Vive. Estive morto mas agora estou vivo para todo o sempre” (Ap 1.18). Quem poderia duvidar que Daniel viu em uma situação diferente o mesmo Ser, a Palavra Eterna?

Sobre o príncipe da Pérsia, estude os textos sugeridos pela Bíblia de estudo Dake:

Esse é o príncipe satânico ou governan­te do reino da Pérsia, aquele que dirige o reino da Pérsia, ou seja. Satanás, que é reconhecido nas Escrituras como sendo deus ou príncipe deste mundo, tendo usurpado o domínio do homem (Mt 4.8,9; 12.24-30; Jo 8.44; 12.31; 2 Co 4.4; Ef 2.2; 6.10-18; 1 Jo 3.8; Ap 12.7-12; 16.13- 16;20.1-10). Satanás possui demônios que são responsáveis por realizar sua vontade sobre as nações da terra. Ele procura atrapalhar os planos de Deus com relação ao cumprimento das profecias nos reinos do mundo. Deus também possui anjos que cumprem sua vontade e também fazem cumprir o que Ele profetizou com relação aos reinos des­te mundo (v. 11-21; 11.1; 12.1). Por isso, aconte­cem nos céus as guerras entre estes dois grupos (v. 13,20,21; 11.1; 12.1; Jd 9; Ap 12.7-12). Os bons e os maus espíritos influenciam e procuram fazer a vontade de seus senhores não somente sobre os governos deste mundo, mas também individualmente, sobre a vida de cada ser humano (Mt 18.10; 2Co 10.4-6; Ef 2.2; 6.10-18; Hb 1.14; Jd 9). Satanás em pessoa está ativo ao longo da linha, procurando derrotar os propósitos de Deus na vida de seus filhos (1Cr 21.1; Jó 1.6; 2.1; Zc 3.1; Mt 4.1-11; 2Co 4.4; Ef 2.2; 6.10-18; 1Jo 3.8; Ap 12.12).

A Bíblia menciona apenas dois nomes de anjos: Gabriel e Miguel, este chamado “arcanjo” em Jd 9 e “príncipe” no livro de Daniel. Mas o livro apócrifo de 1Enoque, citado por Judas, menciona além desses dois anjos outros cinco. A relação dos sete anjos é esta, no trecho do referido livro, citado por Merril C. Tenney (grifo meu):

Estes são os nomes dos santos anjos que vigiam: Uriel … que está sobre o mundo e sobre o Tártaro; Rafael … que está sobre os espíritos dos homens; Raguel … que cuida do mundo dos luminares; Miguel … colocado sobre a melhor parte da humanidade e sobre o caos; Saraqael … sobre os espíritos que pecaram no espírito; Gabriel … sobre o paraíso, sobre as serpentes e os querubins; Remiel … a quem Deus colocou sobre aqueles que ressusci­tam” (1 Enoque 20).

O mesmo Tenney traz as seguintes informações sobre Miguel:

[Miguel] quer dizer Quem é como Deus? Ele é um arcanjo (Dn 10.13.21; 12.1; Jd 9; Ap 12.7). A Bíblia também nomeia Gabriel como um anjo superior (Dn 8.16; 9.21; Lc 1.19,26). O livro apócrifo de Enoque nomeia Miguel, Gabriel, Rafael e Uriel (9.1; 40.9) enumera sete arcanjos (20.1-7; cp. Tobias 12.15 [menciona Rafael]).  A própria Escritura chama Miguel de “arcanjo” (Jd 9) e fala do “arcanjo” (1Ts 4.16) mais nunca de “arcanjos”. Daniel claramente relaciona Miguel a Israel como príncipe e guardião dos destinos daquela nação (10.21; 12.1). Durante o “tempo de angús­tia” sem precedente de Israel (12.1; cp. Jr 30.7; Mt 24.21), ele estará ativo para o bem estar da nação, quando Satanás estiver procurando destruí-la (Ap 12.7ss). Isto parece ser durante início da última parte do período de tribulação (12.7).

Talvez surja a discussão sobre o endeusamento de Gabriel em certos grupos pentecostais, especialmente os que têm o hábito de “orar no monte”. Sobre esse assunto, sugiro que você leia o meu artigo “Gabriel, o Cristo alternativo” (leia aqui).

Nota: Deixe o seu comentário, esse retorno é importante para mim. Se quiser compartilhar algo sobre o assunto desta lição com os outros professores, fique à vontade para usar este espaço.

Lição 12 (aguarde).

BIBLIOGRAFIA

Ainda em recesso criativo

Meus poucos e fiéis leitores devem ter notado a ausência de artigos mais reflexivos e opinativos nos últimos meses. É que ainda estou numa safra ruim de produção de textos. Artigos iniciados e não concluídos. Inspirações tardias, quando já se perdeu o interesse pelo assunto. Temas que não conseguem saltar da mente para o teclado. Ainda mantenho certa regularidade nas publicações, mas aquém do que eu pretendia.

Como não costumo reproduzir postagens de outros blogs, o jeito é esperar que os meus dezessete neurônios acabem voltando à antiga disposição, lembrando que eles têm no momento a tarefa adicional de processar as mudanças recentes em minha vida pessoal, que ainda demandam algumas etapas e adaptações.

Tenho aproveitado os poucos lampejos de criatividade para idealizar melhorias no blog, que serão notadas quando tudo voltar à normalidade. Muito em breve, espero.