Lições Bíblicas: “Dons de revelação”

Lição 3 — 2.° trimestre de 2014

“São dons de revelação a palavra da sabedoria, a palavra da ciência e o discernimento de espíritos: ‘A um, pelo Espírito, é dada a palavra da sabedoria; e a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra da ciência [...] e a outro, o dom de discernir os espíritos’ (1Co 12.8,10). Podemos dizer que os dons desse grupo representam o poder sobrenatural do Espírito Santo que traz à luz fatos que não seria possível conhecer por meios humanos” (Temóteo Ramos de Oliveira).

Palavra da sabedoria

“O ensino, a busca da orientação divina, o conselho e a luta com as necessidades práticas do governo e administração da igreja podem oferecer oportuni­dade para o dom de sabedoria. Mas este não deve ser limita­do à adoração na igreja ou às experiências na sala de aula. Ele ensina as pessoas a crescer espiritualmente quando apli­cam seus esforços ao estudo da sabedoria e fazem escolhas que levam à maturidade. Por si só, no entanto, o dom é uma mensagem, proclamação ou declaração de sabedoria, não significa que os que ministram a mensagem sejam Necessariamente mais sábios que os outros. Nossa fé não deve depender de sabedoria humana (1Co 2.5). Se nos faltar a sabedoria, somos exortados a pedi-la a Deus (Tg 1.5). Jesus prometeu aos seus discípulos ‘boca e sabedoria a que não poderão resistir, nem contradizer todos quantos se vos opuserem’ (Lc 21.15). Esta promessa refere-se a um dom sobrenatural, pois assim demonstra o seu man­damento: ‘Proponde, pois, em vosso coração não premeditar como haveis de responder’ (Lc 21.14). Esse dom, portanto, vai além da sabedoria e preparo humanos” (David Lim).

Palavra da ciência

“A palavra de ciência é um pronunciamento ou declaração de fatos, inspirado dum modo sobrenatural. Em quais assuntos? Um estudo do uso da palavra ‘ciência’ nos dará a resposta. A palavra denota: o conhecimento de Deus, tal como é oferecido nos Evangelhos [2Co 2.14], especialmente na exposição que Paulo fez [2Co 10.5]; o conhecimento das coisas que pertencem a Deus [Rm 11.33]; inteligência e entendimento [Ef 3.19]; o conhecimento da fé cristã [Rm 15.14]; o conhecimento mais profundo, mais perfeito e mais amplo da vida cristã, tal como pertence aos mais avançados [2Co 8.7]; o conhecimento mais elevado das coisas divinas e cristãs das quais os falsos mestres se jactam [1Tm 6:20]; sabedoria moral como se demonstra numa vida reta [2Pe 1.5] e nas relações com os demais [1Pe 3.7]; o conhecimento concernente às coisas divinas e aos deveres humanos [Cl 2.3]. Qual a diferença entre sabedoria e ciência? Segundo um erudito, ciência é o conhecimento profundo ou a compreensão das coisas divinas, e sabedoria é o conhecimento prático ou habilidade que ordena ou regula a vida de acordo com seus princípios fundamentais” (Myer Pearlman).

Discernimento dos espíritos

“De maneira mais ampla, o termo provavelmente denota a capacidade de reconhecer a fonte de onde procede determinada manifestação espiritual. A Bíblia parece identificar três dessas fontes: o Espírito Santo, o espírito humano e os espíritos malignos. Na área da espiritualidade em geral, portanto, e na área específica dos diversos tipos de dons espirituais, o Espírito fornece o dom de discernir qual dessas três fontes espirituais está em operação em um determinado caso. A natureza altamente complexa da personalidade humana, especialmente quando em estado de perturbação, leva-nos a pensar nos extremos (do bem e do mal) a que o espírito humano pode ser conduzido. Geralmente é essencial distinguir até que ponto determinado fenômeno foi produzido pelo espírito humano, e quanta influência também está sendo exercida, de um lado, pelo Espírito Santo, e de outro, pelos espíritos malignos. Este discernimento também demonstra a importância de os psiquiatras e ministros cristãos procurarem mais formas de se aliarem no tratamento de tais casos. É difícil determinar se este dom é uma simples intuição sobrenatural ou se está ligado, de alguma forma, ao processo de testar as manifestações espirituais. Temos um exemplo claro do primeiro caso na maneira como Paulo se aproximou da jovem escrava de Filipos, que o perturbava gritando: ‘Estes homens são servos do Deus Altíssimo, e vos anunciam o caminho da salvação.’ Embora aquelas palavras fossem boas e verdadeiras, Paulo viu claramente a operação de um espírito maligno” (David Prior).

Lição 4 (aguarde).

BIBLIOGRAFIA. Lim, David. Os dons espirituais. In: Horton, Stanley M. (Org.). 
Teologia sistemática: uma perspectiva pentecostal. Tradução de Gordon Chown. Rio 
de Janeiro: CPAD, 1996. * Oliveira, Temóteo Ramos de. Teologia sistemática: os 
dons espirituais. In: Canto, Judson (Org.). EBO: Escola Bíblica de Obreiros 2007. 
Curitiba: Assembleia de Deus em Curitiba, 2007. * Pearlman, Myer. Conhecendo as 
doutrinas da Bíblia. Tradução de Lawrence Olson. São Paulo: Vida, 2006. * Prior, 
David. A mensagem de 1 Coríntios. Tradução de Yolanda Mirdsa Krievin. São Paulo: 
ABU, 1993 (A Bíblia Fala Hoje).

Presentinho: “Até os confins da terra” (Judson Canto)

Cartoon 001

Conheça a história de dois missionários muito atrapalhados. “Finalmente chegaram. E os dois missionários puderam constatar que o povoado não era bem o que parecia a distância. Era pior. Um punhado casas pequenas e miseráveis, como caixotes de madeira espalhados pela areia sem vida. Parecia uma cidade-fantasma de onde os fantasmas se haviam mudado. — Isto é menor que o montão de foices do meu sonho — comentou Ernesto, demonstrando pela primeira vez certo desalento” (trecho). Tamanho: 1 MB (PDF).

Download

A primeira bicicleta é difícil esquecer

***

Minha inteligência motora sempre foi a de um retardado, por isso aprendi a andar de bicicleta só aos 13 anos. A paciência do Rui, um amigo e colega de escola, permitiu-me dar as primeiras pedaladas. Depois fui me exercitando como podia explorando a generosidade preocupada dos amigos.

A minguada pensão da Vó Carmira, com quem eu morava, não lhe permitia comprar uma bicicleta nova. Mas alguns meses depois, após algumas negociações com o irmão Ronaldo, o acordeonista da igreja e dono de uma oficina de bicicletas, tornei-me o feliz proprietário do almejado veículo. Ele juntou algumas peças que sobraram de outras reformas e construiu uma geringonça híbrida de Caloi e Monark, aro 26, pintada de azul-claro. Lembro-me de mais tarde tê-la enfeitado com limpa-cubos e com uma capa de selim do Vasco.

Uma bicicleta não chegava a ser uma necessidade na Jaguaruna da década de 1970, uma vez que os lugares que eu costumava frequentar raramente ficavam a mais de um quilômetro de casa. Era mais diversão. Às vezes, saía para passear em trajetos que incluíam calçadas, ruas e estradas de barro e até o estreito caminho ao lado dos trilhos do trem. Algumas imprudências me renderam uns tombos, mas nada grave ou digno de menção.

Eu também costumava sair montado no monstrinho azul para fazer rondas aleatórias pela cidade: na casa do Tio Ézio, para assistir televisão, ler revistas  ou desfrutar a companhia das minhas primas-irmãs; no Bar do Oto, para conversar com o meu amigo e primo Édson; em qualquer loja de pouco movimento, como eram quase todas, para aliviar o tédio de algum amigo entre os raros fregueses; na casa de um amigo, para trocar gibis. Como sempre fui distraído, às vezes eu chegava em casa sem a bicicleta. Então refazia o itinerário todo a pé até encontrá-la — e sempre a encontrava, porque ninguém roubava bicicleta em Jaguaruna.

Tenho muitas lembranças dessa companheira de quase-aventuras, mas, estranhamente, não consigo lembrar que fim ela teve. Não creio que seja um daqueles bloqueios mentais decorrentes de um trauma. Deve ser apenas uma anotação perdida na gaveta da memória. Quando lembrar, eu conto a vocês.