Lições Bíblicas: “O surgimento da teologia da prosperidade”

Lição 1 — 1.° trimestre de 2012

A partir de hoje, vou publicar todas as sextas-feiras um artigo sobre a lição de escola dominical do domingo subsequente. A ideia não é apresentar um plano de aula mastigado, e sim comentar alguns pontos positivos e/ ou negativos da lição e apresentar algumas sugestões que possam dar um pouco mais de conteúdo à sua aula. O comentário deste trimestre é de José Gonçalves, pastor auxiliar da AD de Teresina (PI), autor de cinco livros, quatro deles publicados pela CPAD.

 Raízes da teologia da prosperidade  

Na primeira seção (título acima), o autor já inicia com o gnosticismo, o que passa ao leitor desavisado a impressão de que a teologia da prosperidade tem as suas bases nessa doutrina. Tudo bem que se aponte o início da heresia no meio da Igreja, mas são desperdiçados três preciosos parágrafos, considerando-se o volume de texto da lição, com detalhes de um assunto que não será estudado.

Sugiro que, em vez de discorrer sobre o gnosticismo (de qualquer forma, esteja preparado para responder a alguma dúvida dos alunos), você explique à classe o que é heresia. Essa explicação é necessária porque, a julgar pelos comentários e artigos que li acerca do “imbróglio” da Bíblia Dake, por exemplo, parece que o significado da palavra é desconhecido da maioria dos crentes, até mesmo de alguns conceituados “mestres”, que não sabem diferir entre teoria e heresia. Passo aqui três definições:

1. “Consciente e dolosa rejeição de qualquer doutrina considerada normativa por um grupo ou instituição” (Irving Hexam, Dicionário de religiões e crenças modernas, Editora Vida). Essa definição, como se vê, é mais abrangente.

2. “A heresia é uma negação deliberada da verdade revelada, juntamente com a aceitação do erro” (M. R. Farrer, Enciclopédia histórico-teológica da Igreja cristã, Edições Vida Nova). Esse autor salienta também que a heresia é uma escolha, ou seja, há sempre má intenção por parte de seus criadores.

3. “Qualquer ensinamento rejeitado pela comunidade cristã como contrários às Escrituras e, portanto, à doutrina ortodoxa” (Stanley J. Grenz et alii, Dicionário de teologia: edição de bolso, Editora Vida). Essa definição é restrita à igreja. Nesse caso, o termo “heresia”, a rigor, não se aplica a religiões não cristãs, como é o caso do gnosticismo (daí a disciplina “Seitas e heresias”, por exemplo). Mas talvez não seja produtivo estender muito essa discussão.

Também no primeiro tópico há um pequeno histórico sobre o surgimento da teologia da prosperidade. Ficou me parecendo pesquisa de um livro só, por isso busque em outras fontes mais informações. Uma classe interessada irá fazer perguntas, e você precisa estar preparado.

 Principais ensinamentos da teologia da prosperidade

Os três ensinamentos destacados vão exigir alguma pesquisa, porque, a despeito de a heresia ser clara, há certas sutilezas doutrinárias que não são fáceis de ser entendidas e explicadas. Procure inteirar-se, da melhor maneira possível das doutrinas ensinadas pelas pessoas citadas nessa seção.

 Consequência da teologia da prosperidade

Sobre a atitude mercantilista, os exemplos são abundantes na mídia. Reúna alguns desses exemplos e não tenha medo de condenar os que se entregam a tais práticas. Por falar em exemplos, notei a falta de ilustrações nesta lição e em outras. Esteja atento para que a sua aula não seja apenas de conteúdo conceitual.

O narcisismo é, na verdade, “o estado em que a libido é dirigida ao próprio ego; amor excessivo a si mesmo” (Dicionário Aurélio). Faça menção também do egoísmo e do egocentrismo, incentivados por essa heresia, procurando definir bem cada um.

O autor fala do esvaziamento dos ideais do Reino de Deus, mas não especifica nada. Sugiro que você assista ao vídeo com a explicação de John Piper sobre o movimento (clique aqui). Anote os principais pontos de conflito destacados por Piper e explique-os à classe. Você também pode fazer a sua lista.

Bem, é isso. Espero ter ajudado.

4 comentários em “Lições Bíblicas: “O surgimento da teologia da prosperidade”

  1. Agradeço a Deus pela sua vida, pois nós realmente precisamos sim destacar os pontos principais do ensino dominical, sem perder tempo com assuntos longos que sertamente vão ficar mau explicados por conta do pouco tempo que temos, e na maioria das vezes não trazem avivamento para os que estão começando a aprender sobre a vontade de Deus. Deixemos assuntos complexos para aulas teológicas e busquemos a libertação intelectual de nossos irmãos. Seguirei a ler as propostas de ensino de seu blog. A Paz do Senhor.

    Muito grato, Ederson. Fico feliz de ajudar.

  2. A paz querido, belas palavras, desejo um feliz ano novo, para você e para toda sua família, e que Deus venha te abençoar ainda mais.
    Salviano

    Muito grato, irmão Salviano. Tenha também um 2012 muito feliz na paz do Senhor.

  3. Graça e Paz Judson,

    Olha uma excelente iniciativa, pois para quem gosta da EBD é de fundamental importância ter um local de discussão sobre as lições, tendo em vista que a maioria dos blogs voltados a EBD apenas reproduzem as ideias do comentarista, muito difícil, não lembro ter visto, alguém apresentar pontos falhos ou outra abordagem.
    Vejo muitas pessoas criticando a Teologia da Prosperidade e quando perguntamos para ela o que entende sobre isso ficam rodando sem dar uma explicação concreta.
    Espero que os professores, e alunos, se interessem por esta lição e possam aprender verdadeiramente o que significa e por qual motivo devemos rejeitá-la.
    Aproveito para desejar um feliz 2012, pra você, sua família e seus negócios.
    Fica na Paz.

    Muito grato pelo incentivo, Fábio. Foi justamente por notar a ausência de críticas (negativas e positivas, mas sempre construtivas, como pretendo) que me animei a assumir esse compromisso semanal aqui no blog. Já fui professor de escola dominical e considero esse trabalho um dos mais importantes no âmbito da igreja.

  4. Judson

    Agradeço as orientações. Concordo que devemos dar exemplos claros, pois quanto mais aproximarmos os conceitos do dia-a-dia dos alunos, maior capacidade de perceber os ensinamentos da teologia da prosperidade na mídia eles terão.

    Abraços!

    Mário, você, como historiador, sem dúvida saberá pesquisar e explicar muito bem esses exemplos à luz do assunto.

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