Em meados da década de 1980, eu era o tesoureiro da congregação de Espinheiros (hoje Shalom) em Joinville. Durante o culto, eu tinha de ficar atrás de um pequeno balcão em “L” afixado no canto esquerdo à entrada do templo, para receber as contribuições dos irmãos no início e no fim das reuniões — e também no meio, porque alguns não tinham senso de oportunidade, e eu não tinha para onde fugir (acho que a ideia de imprensar o tesoureiro contra a parede era proposital).
Certa noite, estava eu acomodado àquela frágil trincheira, sem nenhum dizimista importuno para me azucrinar, quando o pregador resolveu, no meio da mensagem, agitar um pouco a igreja, que não estava correspondendo com os desejados decibéis pentecostais.
Ele mandou todo mundo ficar de pé, e começou a ministração aumenta-volume. Com um suspiro, fiquei de pé também, para não chamar a atenção, e cobri o rosto com as mãos, para que ninguém implicasse com a minha expressão enfastiada. Como era de praxe nessas ocasiões, desliguei-me do culto e aproveitei o momento para pensar em outra coisa.
A fervura emocional do povo foi aumentando e se prolongou até o voo da minha mente ter cruzado meio país. Só voltei à realidade quando ouvi o pregador gritar, num tom entusiasmado:
— Glória a Deus! Ainda tem gente de pé!
Sentindo um frio na barriga, abri os olhos e espiei entre os dedos. Meus temores se concretizaram: lá estava toda a igreja sentada e o exultante pregador olhando para mim.
Sentei-me atrás do balcão o mais rápido que pude, antecipando-me às centenas de olhares curiosos que, como os holofotes ameaçadores de uma penitenciária em busca de um fugitivo, percorreram o templo ávidos por se cravar na fervorosa ovelhinha.
Foi quando descobri que ficar confinado a um canto, atrás do povo e protegido por um balcão, tem as suas vantagens.
Esse irmão Lindomar era uma figura, daria muito subsídio para o seu livro rsrs
Logo que começou a frequentar os cultos ele querendo entrar no clima pentecostal ferveroso que era a Igreja, o coitado ainda sem entendimento do que seria adoração e Evangelho, num culto bem “ferveroso” disparou:
- Glórias a Deus, Aleluia Jesus, Virgem Maria Nossa Senhora…
E teve dificuldade em entender e aceitar que Maria não deve ser adorada, mas por fim deu um bom crente até a última vez que ouvi falar estava se saindo um “penteca” que ouvia as pessoas e isso é muito bom…
Forte Abraço…
Moyses, você parece conhecer muitas histórias. Sem dúvida que vou querer a sua contribuição para o livro.
Ahhhhh, deixasse o pregador a pensar que “a unção” tinha sido grande…
Lembrei de um irmão na igreja sede em Correia Pinto – SC, o Pastor Presidente Samuel (não lembro a assinatura) foi em 1999 ou 2000, era véspera de convenção e o Pastor já estava ali há uns sete ou oito anos, mas a igreja havia acumulado uma dívida grande, e boa parte estava descontente e ao final do culto o Pastor começou a falar sobre a possibilidade de ele sair ou não e logo passou a encher linguiça com o assunto, o irmão Lindomar estava ao meu lado, e quando o Pastor disparou a pergunta:
Quem quer que o Pr. Samuel vá embora diga Amém;
E o irmão Lindomar que era favorável ao Pastor levantou-se e disse em alto e bom tom:
Amémmm…
Mesmo havendo muitos querendo dizer Amém, ninguém quis aproveitar a oportunidade de alguém ter feito a frente…
O irmão Lindomar deve pedir perdão ao Pastor até hoje, pois tinha muito afeto por ele…
É uma história que pode ir para o livro.
Judson,
Creio que não poucas pessoas experimentaram semelhante vexame…rs. Tomara que estes fatos anedóticos virem livro um dia….rs.
Obs.: Obrigado por visitar meu blog http://www.gracasurpreendente.blogspot.com.
Ficarei muito grato, também, se o amado irmão (e piadista “gospel”…rs) tecer algumas críticas e sugestões sobre meus rabiscos fazendo uso da sua respeitável experiência no mundo das letras. São de grande valor para mim.
Sei que uma grande jornada começa num pequeno passo. Melhor ainda se acompanhado por alguém experimentado, quando isto é possível, é claro.
A paz do Senhor Jesus!
Junior, eu pretendo, sim, mais tarde juntar essas histórias num livro, não só as que eu conto aqui, mas também as que for colecionando de outros irmãos.
Certa vez ocorreu comigo um episódio parecido, prezado Judson. Há cerca de uns vinte anos num templo evangélico aqui em Curitiba, após um período de oração com os joelhos dobrados, quase todos haviam se levantado depois que o dirigente entoou a estrofe de um hino da Harpa Cristã; porém eu fiquei ali, de joelhos dobrados, firme, despreocupado e totalmente entregue aos prazeres de um sono profundo, até que fui abruptamente “acordado” por uma bela jovem que ao meu ouvido insistentemente dizia: Oseias, Oseias, o povo já se levantou…
Você pelo menos se casou com essa bela jovem, para compensar o mico?
Essa foi boa Judson! Aquela antiga igreja do Espinheiros testemunhou alguns casos hilariantes. Lembro-me de quando ainda era adolescente e visitava a congregação, de quantas “histórias” inusitadas ficava sabendo através dos meus bons amigos. Era uma verdadeira festa.
Valeu pela lembrança!
Pois é, Mário Sérgio. A AD é uma fonte inesgotável de histórias desse tipo. Tenho muita coisa ainda para publicar aqui.
Imagino a cena!
Olha para o lado e diga: Eu te amo em Cristo!
Rsrsrsrsrr..
Há quem diga que foi castigo…