Lições Bíblicas: “O valor dos bons conselhos”

Lição 1 — 4.° trimestre de 2013

A primeira lição deste trimestre é introdutória aos livros de Provérbios e Eclesiastes. Portanto, na preparação da aula, ao consultar os comentários bíblicos atente mais para as características gerais do livro — aquelas informações que você encontra no início de cada livro nas Bíblias de estudo e nos próprios comentários: autor, local e data, características literárias, esboço, e assim por diante. Os manuais bíblicos são especialmente recomendados para esse tipo de lição.

Joias da literatura sapiencial

Provérbios. “Os Provérbios são um livro de ditos sapienciais: não é uma simples antologia, mas sim um verdadeiro livro de texto oriental que, mediante a repetição de pensamentos sábios, ensina os jovens a viver segundo a retidão e a sabedoria. Trata-se de uma sabedoria destilada em frases breves e marcantes, em antíteses dramáticas e em cenas inesquecíveis da vida, uma sabedoria que estabelece o que é bom e o que é mau (não uma simples fórmula para obter o sucesso), porque nos Provérbios a sabedoria se baseia no temor de Deus e na obediência às suas leis. O ‘temor do Senhor’ constitui a essência de toda sabedoria humana verdadeira e seu ponto de partida. Os Provérbios aplicam os princípios do ensinamento divino ai vida toda: relações humanas, vida doméstica, trabalho, administração da justiça, decisões, atitudes, reações, enfim a tudo quanto fazemos, dizemos e pensamos. Deus ensinou o que mais nos convém e a experiência o demonstra” (O mundo da Bíblia).

Eclesiastes. “A voz do Antigo Testamento tem muitas inflexões. Temos aí quase tudo, desde a apaixonada pregação dos profetas até os comentários tranquilos e prudentes do sábio, entremeados de um mundo de poesia, lei, histórias, salmos e visões. Nenhum há, porém, que se assemelhe ao Coelet (ou Qoheleth, seu intraduzível título original). [...] Suas investigações são tão implacáveis que ele pode facilmente ser tomado por cético ou pessimista. Sua exclamação inicial, vaidade de vaidades! Ou Total futilidade!, quase que merece isso; mas para ele há algo mais do que poderia caber numa única frase, mesmo que fosse uma frase-tema. Tanto assim que em certa ocasião alguns mestres quiseram sugerir que dois, ou três ou até mesmo nove diferentes cabeças haviam trabalhado no livro, tais as suas contracorrentes e rápidas mudanças. Todas elas, porém, podem ser consideradas frutos de uma só mente, abordando os fatos da vida e da morte sob vários ângulos. No fundo descobrimos o axioma de todos os sábios da Bíblia, que o temor do Senhor é o princípio da sabedoria. Porém a intenção de Coelet é levar-nos a esse ponto apenas no final, quando estivermos desesperados por uma resposta. Embora seja insinuada algumas vezes, o seu método principal é começar pelo fim: a determinação de ver até onde alguém consegue ir sem essa base. Ele se coloca – e a nós – no lugar do humanista ou do secularista. Não do ateu, pois no seu tempo o ateísmo não era uma preocupação, mas da pessoa que começa a pensar a partir do homem e do mundo visível e que conhece Deus apenas à distância” (Derek Kidner).

A sabedoria dos antigos/ As fontes da sabedoria

“Todos os estudiosos bíblicos incluem no gênero de literatura de sabedoria (ou sapiencial) os livros bíblicos de Provérbios, Jó e Eclesiastes, alguns salmos (e. g., Sl 37; 49) e alguns livros dos Apócrifos, em especial Sirácida (ou Eclesiástico) e Sabedoria de Salomão. [...] A marca registrada da literatura sapiencial é sua forma inconfundível de inspiração. Deus falou de várias maneiras aos seus servos enquanto superintendia a composição do AT e assim produzindo sua rica variedade de formas literárias e de assuntos. Na produção da literatura bíblica de sabedoria, Deus usa as observações perspicazes e as reflexões convincentes do sábio acerca da criação e da humanidade, substanciadas pela fé no Deus que guarda a aliança com Israel. Em Provérbios 24.30-34, é possível observar o sábio trabalhando. Seu laboratório é o campo do preguiçoso (v. 30,31): ‘Passei junto ao campo do preguiçoso [...]. Observando aquilo, refleti, e olhando, obtive instrução’ (v. 32). Em seguida, ele cria ou cita um provérbio: ‘Um pouco para dormir [...]; assim chegará tua pobreza como um assaltante’ (v. 33,34)” (Bruce K. Waltke).

O propósito da sabedoria

“Provérbios começa expondo, nos versículos 2 a 6, a sua finalidade: transmitir sabedoria, instrução, entendimento, justiça, juízo, equidade, prudência. São estas as virtudes que o Livro se propõe a inspirar. Serão as que a mocidade atual preza e procura ou, por acaso, se deparam entre os velhos? Entretanto, não há vida vivida perante Deus em comunhão com Ele, que possa dispensá~las. Perguntemos, pois, a nós mesmos, se estamos aprendendo a praticá-las e ajudando outros a adquiri-las. A resposta que a consciência nos der, se negativa, deverá ser advertência para principiarmos o trabalho; se afirmativa, estímulo para perseverarmos nele. O aprendizado dessas virtudes é longo; nele não se cogita de satisfazer impulsos passageiros nem ganhar vitórias fáceis. Temos de lançar os alicerces da vida, alicerces que Salomão, com toda a sua sabedoria, descurou de assentar para si próprio. É tarefa que requer, como condição primordial, a seriedade. Os caracteres inconstantes não alcançam realizá-la. — Como, então, principiar? — Lendo com os olhos da alma. Pela contínua leitura de Provérbios, seu conteúdo penetrará o leitor e acabará tornando-se parte integrante dele. A assimilação do Livro pela meditação irá, aos poucos, operando a transformação interior” (E. Percy Ellis).

Obs.: Disponibilizei para download alguns comentários de Provérbios e Eclesiastes (clique aqui para baixar).

Lição 2 (leia aqui).

BIBLIOGRAFIA. Alexander, David & Pat. O mundo da Bíblia. Tradução de José Raimundo 
Vidigal. São Paulo: Paulinas, 1985. * Ellis, E. Percy. Os Provérbios de Salomão. 
6. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1996. * Kidner, Derek. A mensagem de Eclesiastes. 
Tradução de de Yolanda Mirdsa Krievin. São Paulo: ABU 1989 (Série A Bíblia Fala 
Hoje). * Waltke, Bruce K. An Old Testament Theology. Grand Rapids: Zondervan, 2007.
About these ads

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s