Sobre o desligamento de Samuel Câmara

A Mesa Diretora da CGADB reuniu-se ontem, dia 22, e por sete votos a três decidiu desligar o pastor Samuel Câmara do seu quadro de associados. O motivo foi “quebra de decoro”, segundo acusação do  Conselho de Ética e Disciplina. O pastor Samuel teria tumultuado a  a reunião da AGE de 2012, realizada em Maceió. No perfil do Facebook CGADB pra todos 2103, o acusado se defende: “Alega-se que quebramos o decoro na AGE de Maceió, quando, na verdade, o que queríamos era uma votação clara, precisa, mostrando o verdadeiro resultado dos votos no plenário”.

Uma fonte confirmou o que o pastor Samuel também declarou no Facebook: ele irá recorrer da decisão e acusa: “Eles buscam promover mais uma cisão. Nós buscamos a unidade assembleiana”. Em nome da “unidade” e do “decoro”, mais uma batalha judicial se anuncia.

Opinião desta ovelhinha. A julgar pelas atitudes de situação e oposição antes, durante e depois das AGEs e AGOs, “decoro” é últimas das preocupações naquele prédio da Vicente de Carvalho ou na esfera política da AD em geral. Ainda que o processo de desligamento do pastor Samuel tenha sido legítimo em todos os aspectos (não tenho cacife para julgar isso), há motivos para se pensar que o estatuto da CGADB veio apenas servir a uma conveniência. Se o desligamento for irreversível, uma nova cisão na AD será inevitável. E a cisão interessa à situação, porque assim estaria se livrando de um candidato forte e facilitando a perpetuação da família Costa à frente da entidade. A Samuel Câmara interessa a “unidade”, pois de outra forma não poderá realizar o sonho de presidir a CGADB, que vem alimentado há mais de duas décadas. Se a cisão ocorrer, sem dúvida uma nova convenção será criada e ele será o presidente, mas não é a mesma coisa. Assim, qualquer que seja o resultado, teremos mais motivos para lamentar que para celebrar. [Balido suspirado.]

Uma aula de covardia: alunos são incitados a pisar no nome “Jesus”

Eu já disse (aqui e aqui) que o politicamente “correto” está criando uma geração não só de imbecis, porque é impossível não perceber tantas contradições, como também de covardes, tanto dos que se submetem de modo servil à nova moral anticristã quanto dos que agridem os bons valores na certeza da impunidade. Eu bem que tento ignorar a ladainha dessa raivosa militância fundamentalista, mas eles sempre se superam na sandice, e aí fica impossível resistir a um comentário. É que agora, assim como no Brasil se está tentado fazer da gayzice disciplina escolar, nos Estados Unidos a covardia virou exercício acadêmico. Vejam o extrato da matéria que saiu no Gospel+:

Um professor universitário sugeriu a seus alunos que escrevessem o nome “Jesus” num pedaço de papel e pisassem sobre ele, como parte de um exercício sobre debates durante uma aula de Comunicação Intercultural.

Entretanto, um dos alunos se recusou a fazer o que havia sido pedido pelo professor e foi suspenso pela direção da Florida Atlantic University.

O estudante que se recusou a pisar no nome de Jesus é um mórmon, e disse que se sentiu desrespeitado: “Eu não vou ficar sentado em uma classe para ter meus direitos religiosos profanados, e como eu estou sendo punido, vejo realmente dessa forma”, disse Ryan Rotela.

Já o professor Deandre Poole alegou que estava tentando ensinar aos alunos uma “lição de debate”, e que isso seria uma forma de forçar os alunos a enxergarem outras perspectivas.

A diretora da universidade afirmou à Fox News que “como em qualquer lição acadêmica, o exercício foi feito para incentivar os alunos a ver as questões a partir de muitas perspectivas, em relação direta com os objetivos do curso”, e que “apesar de, por vezes, os temas discutidos podem ser sensíveis, um ambiente universitário é um espaço para diálogo e debate”, afirmou Noemi Marin.

O que eu gostaria de perguntar a esse gênio da comunicação intercultural, que também é membro do Partido Democrata, é se ele teria coragem de mandar os alunos pisarem numa bandeira gay e apresentarem “novas perspectivas” sobre a causa. E se um gay se recusasse a pisar no colorido símbolo, o professor iria repreendê-lo? Iria a escola puni-lo com uma suspensão?

Outro sinal preocupante da covardia generalizada é que com certeza alguns alunos cristãos (católicos e evangélicos) participaram do “exercício” sem protestar. Só um “samaritano” mórmon se dispôs a peitar o canalha e a enfrentar as consequências. Alguém leia aí a primeira parte de Apocalipse 21.8 para esses cristãos… e para esta geração de mariquinhas.

Ao que parece, também os pouquíssimos órgãos da imprensa “progressista” que noticiaram o fato por aqui omitiram cuidadosamente o nome do professor e da escola (por exemplo, aqui). Pelo que percebi, apenas blogs e sites cristãos tiveram coragem citar os nomes, sinal de que nem tudo está perdido. Para ler a notícia em inglês, clique aqui.

Atualização (leia aqui).

Sobre a morte do pastor João Kolenda Lemos

Por não ter acessado a Internet nos últimos sete dias, só hoje fiquei sabendo, pelo blog do pastor Geremias do Couto, da morte do pastor João Kolenda Lemos, fundador do Instituto Bíblico das Assembleias de Deus, o IBAD, de Pindamonhangaba. Como tenho o hábito de noticiar no blog a morte de pessoas destacadas da denominação com quem tive algum tipo de contato, não quis deixar de fazer o registro, ainda que tardio. O pastor Kolenda morreu no último dia 28.

João Kolenda LemosTive a oportunidade de entrevistá-lo duas vezes. A primeira durante a festa dos 80 anos da Assembleia de Deus, em Belém do Pará, em 1991. A segunda foi no final de 1995, em sua casa, em Pindamonhagaba, quando conversei também com a irmã Ruth Dorris Lemos. Estive lá quado trabalhava para a CPAD, bem na época em que ele passava o cargo de direção do IBAD para o filho Mark. Minha missão era resgatar antigos escritos de um conhecido escritor pentecostal, Myer Pearlman, mas fui incumbido também de fazer a matéria sobre a formatura daquele ano, embora eu não fosse do Departamento de Jornalismo. Por falar nisso, a matéria contém opiniões interessantes sobre a instituição de ensino fundado pelo casal Lemos, que enfrentou não pouca oposição para instalar e manter esse trabalho pioneiro no Brasil, por isso resolvi garimpá-la dos meus arquivos eletrônicos e reproduzi-la abaixo.

A pequena cidade paulista de Pindamonhangaba abriga o mais tradicional estabelecimento de ensino teológico da denominação, o IBAD ‑ Instituto Bíblico das Assembleias de Deus. Desde que foi fundado, em 1958, já formou cerca de 2.700 alunos, entre bacharéis, graduados e curso básico. No último dia 2 de dezembro, foi realizada no templo central da Assembleia de Deus a sua trigésima quinta formatura, e esta pode ser considerada histórica. Seu fundador e diretor, pastor João Kolenda Lemos, anunciou estar passando a direção da escola para o filho e também pastor Mark Jonathan Lemos.

A cada ano as cenas se repetem. Alguns automóveis começam a chegar, estacionando no pátio da escola. Trazem parentes dos formandos, que se juntam em pequenos e alegres grupos ao redor de iminentes bacharéis e graduados. Um formando desfila orgulhosamente pelos corredores da escola, carregando uma beca engomada quase à dureza de uma folha de zinco. Outros cinco ou seis alunos executam uma estranha coreografia sob o peso do piano da capela, enquanto tentam colocá‑lo na carroceria de um pequeno caminhão.

Dos quase 170 alunos, trinta estão se formando, e levam com seus poucos pertences saudade dos colegas e a expectativa de um futuro ministério. O gaúcho Adriano Marcelo Moscon, 22 anos, graduando, encaixa‑se perfeitamente nesta descrição. Ele irá trabalhar na sua igreja de origem, em Santa Rosa, e espera poder atuar na área de discipulado, que considera carente. Ele interrompeu o segundo grau e um curso de sargento para vir estudar no IBAD, mas acha que valeu a pena: “Ainda há um tabu muito grande quanto aos seminários, e a maioria dos líderes temem que se perca o amor original, a reverência por Deus. Eu mesmo recebi algumas críticas, mas essas pessoas não conheciam meus objetivos.”

O bacharelando José Maria Leite Filho, 29 anos, paraense há muito erradicado numa cidade‑satélite de Brasília, Tabatinga, procura definir a relação entre o estudo da Palavra e a perda do primeiro amor: “Quando a pessoa começa a estudar a Bíblia duas coisas podem acontecer: ou ela perde o temor, por acostumar‑se a lidar com a Palavra diariamente, ou adquire grande temor, passando a respeitá‑la ainda mais.” José Filho irá trabalhar por um ano numa cidade do interior paulista, retornando depois a Tabatinga para auxiliar numa escola teológica.

Mas quem pensa que instituto bíblico serve apenas para reforçar a bagagem teórica engana‑se. É o que testemunha a paulista Merab Belmiro da Rocha, 34 anos, uma das catorze representantes do sexo feminino a receber diploma nesta formatura: “Vim preparar‑me teologicamente, e recebi aqui coisas além da teologia, experiências únicas que não viveria em nenhum outro lugar.”  Ela é uma entre muitos alunos que se sentem chamados para a obra missionária. Ao deixar o IBAD, pretende atuar cinco meses junto ao Desafio Jovem de Santo André. Depois é sua intenção fazer seis meses de treinamento missionário na base da JOCUM em Porto Velho. Finalmente, pretende realizar obras pioneiras na Amazônia, que é o lugar para onde tem certeza que Deus a enviará.

O IBAD é considerado por seus fundadores, o casal João Kolenda e Ruth Dorris Lemos, uma escola missionária. Dorris é membro do Conselho Internacional de Professores de Missões e dirige o departamento missionário da escola. Muitos jovens vão para o instituto porque têm chamada, e há os que são chamados por Deus enquanto estão estudando. Centenas de ex‑alunos atuam hoje como missionários. Só no exterior são 132. A direção da escola preocupa‑se em acompanhar e encaminhar os vocacionados a associações missionárias no Brasil, muitas das quais lhes dão preferência por causa do bom currículo.

Flávia Marques de Lima, 24 anos, nascida em Santos, é outra vocacionada para a Missão. Tem chamada para trabalhar em países de língua portuguesa na África. Noiva, irá casar e morar em Goiânia enquanto aguarda o momento de partir com o marido, também obreiro, para sua vocação.

Expectativa para quem sai, novidade para quem fica, com a passagem de cargo da direção. Mas o pastor Kolenda, em torno de quem a escola gravita desde a sua fundação, não vai deixar o IBAD como se fora um formando. Seu trabalho no instituto não está encerrado. Sua decisão tem a ver com filosofia de trabalho: “Não é correto pastores e diretores de estabelecimentos de ensinos e outros grandes empreendimentos ficarem segurando o cargo de direção. De repente eles podem faltar, e ninguém sabe onde estão as chaves.” Segundo ele, grandes obras no Brasil foram prejudicadas por esse tipo de atitude. Por isso está transferindo o trabalho “para ombros mais jovens e fortes”.

Na verdade, durante os 37 anos que esteve à frente do IBAD, Kolenda acumulou dois cargos: o de diretor da escola e o de presidente do Conselho Diretor. Ele continuará trabalhando, como professor, ao lado da missionária Dorris Lemos. Juntos, eles são responsáveis por mais de dez cadeiras. Kolenda também deverá permanecer no cargo de presidente do Conselho. Ele define a atual fase do instituto como de transição.

O novo diretor do IBAD, Mark Lemos, 39 anos, acredita que o cargo é o cumprimento de um plano de Deus para a sua vida. Em 1977, resolveu dedicar‑se totalmente ao ministério e ao instituto. Fez teologia, psicologia e passou a lecionar, aprimorando‑se no trabalho. Passou por quase todo os departamentos da escola.

Mark, por ser filho do pastor Kolenda, praticamente nasceu dentro do IBAD ‑ tinha três anos na data da fundação. Mas afirma nunca ter olhado para a obra no sentido hereditário. Ele não crê que a obra de Deus deva ser passada de pai para filho, como numa empresa. “Mas há instâncias em que Deus usa o filho de um servo de Deus para dar prosseguimento à obra, e acredito que esta foi uma delas”, pondera.

Mark não vê de imediato a necessidade de mudanças. Considera alterações bruscas como causadoras de transtornos e criadoras de problemas. Para ele, a fase de transição que o IBAD está vivendo já é uma grande mudança. O novo diretor pretende ser cuidadoso em conduzir o instituto, que é uma obra pioneira no Brasil.

Sobre o descaso da CPAD e da CGADB para com a memória desse importante líder assembleiano, comentado no blog do pastor Geremias, já pude sentir o relacionamento azedo na ocasião em que estive em Pinda. Fui muito bem recebido e tive toda liberdade para trabalhar nas dependências do IBAD, mas na noite da formatura compareci ao culto como representante da CPAD, e o pastor Mark Lemos, ao me apresentar como tal, nem tirou os olhos do papel. Não era nada pessoal: entendi que era uma forma de expressar que as relações entre as duas instituições não eram exatamente cordiais. Não tive o privilégio de estudar em Pinda, mas penso que o casal Lemos deve ser lembrado com carinho por todos os assembleianos que amam o estudo da Palavra de Deus, principalmente os seus ex-alunos.