Tempo de calar

Há tempo de falar, mas também há tempo de ficar calado, principalmente se existe a tentação de falar demais. Há três mil anos, Salomão já dizia que no muito falar não falta transgressão.

Quando falamos demais, tornamos importantes assuntos que nem merecem consideração.

Quando falamos demais, acabamos por dar honra ao canalha.

Quando falamos demais, os nossos argumentos se tornam contraditórios.

Quando falamos demais, a voz da razão cede lugar à ira leviana.

Quando falamos demais, marcamos um encontro com a vergonha.

Quando falamos demais, comprometemos as nossas convicções.

Quando falamos demais, sufocamos a mensagem do evangelho.

Salomão estava certo, e com ele concorda a sabedoria popular e apócrifa: “Passarinho que muito canta suja no ninho”.

Por que não vou falar do templo “de Salomão”

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Sem nenhuma surpresa, a inauguração do templo chamado “de Salomão” rendeu uma enxurrada de artigos na blogosfera, cristã ou não. Eu também me senti tentado a escrever sobre o  mais recente desvario iurdiano, mas acabei desanimando. Listo aqui algumas das razões:

1. Se eu fosse escrever, seria para criticar, e li muito boas críticas em blogs e revistas eletrônicas. O que eu dissesse provavelmente não iria fazer diferença.

2. A menos que Macedo seja uma reencarnação do rei israelita, o templo é pseudoepigráfico, uma imitação barata (claro, ao custo de 650 milhões de reais deve ser a imitação barata mais cara do mundo).

3. Na cena original da inauguração do templo israelita, o povo pôde contemplar a figura majestosa de Salomão em trajes reais e coroa. Os brasileiros viram o Edir Macedo de quipá.

4. Durante a cerimônia de dedicação do templo judaico, a presença de Deus se fez notar maneira poderosa. No templo do Macedo, apareceu a Dilma.

5. Os rituais da época de Salomão faziam todo sentido. Os ritos inventados por Macedo parecem uma festa de aniversário da Valnice Milhomens com ótimo orçamento.

6. Na celebração do verdadeiro Templo, o povo saiu com o coração cheio de alegria. Na festa do Macedo, muita gente voltou para casa de bolso vazio.

Então pronto. Não vou falar.

Agora sim, dá vergonha de ser brasileiro

Que o atual governo brasileiro adora terrorista todo mundo sabe. Acolhe um aqui, elogia outro ali, faz amizade com outro acolá. Mas agora escancarou de vez as suas preferências ao emitir uma nota no mínimo desnecessária sobre o conflito na faixa de Gaza. A favor do Hamas, claro, grupo considerado terrorista por várias nações e blocos políticos. O Itamaraty numa nota anterior, até finge criticar as ações do Hamas, mas no segundo comunicado a postura antissemita de Dilma, que não é novidade para ninguém, falou mais alto. Oficialmente, o Brasil considera Israel bandido e os palestinos meras vítimas.

Considero a declaração do Itamaraty sobre o conflito palestino-israelense não só uma grosseria diplomática, mas também um marco negativo na história da nossa nação, preocupante para quem se orgulha do Brasil pacífico e amado em todo o mundo. Por causa dessa desastrada intromissão, Israel retrucou que o Brasil é “um anão diplomático”. Impossível não concordar. A despeito de nosso tamanho e potencial, até um analfabeto político como eu sabe que não passamos hoje de um republiqueta esquerdista que afaga ditadores, defende terroristas e patrocina as militâncias mais asquerosas.

Cito aqui a matéria publicada na Veja:

A chancelaria de Israel rebateu nesta quinta-feira a nota emitida pelo Itamaraty condenando os bombardeios sobre Gaza. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Yigal Palmor, usou palavras duras ao classificar a nota como “uma infeliz demonstração de por que o Brasil, um gigante econômico e cultural, continua sendo um anão diplomático”. “O relativismo moral por trás deste movimento torna o Brasil um parceiro diplomático irrelevante, que cria problemas em vez de contribuir para soluções”, acrescentou, em declarações reproduzidas pelo jornal The Jerusalem Post.

Um comunicado divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores de Israel afirma que o país “expressa seu desapontamento com a decisão do governo do Brasil de chamar seu embaixador para consultas”. “Esta decisão não reflete o nível de relações entre os países e ignora o direito de Israel de se defender. Ações deste tipo não contribuem para promover a calma e a estabilidade na região. Ao contrário, impulsionam o terrorismo e naturalmente afetam a capacidade do Brasil de exercer influência”, diz o texto divulgado no site da chancelaria. “Israel espera apoio de seus aliados na luta contra o Hamas, que é reconhecido como uma organização terrorista por muitos países ao redor do mundo”. Continue lendo

Matéria publicada no The Jerusalem PostIsrael slams ‘diplomatic dwarf’ Brazil for recalling envoy to protest Gaza operation.

É vergonhoso ou não é?

7 x 1 — o Brasil precisava disso

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Não critico ninguém por torcer pela seleção brasileira, até porque paixão não se discute. Eu que perdi a minha. Faz algum tempo ando bem desligado do futebol, e havia perdido todo o interesse pela seleção também. Mas então deixei a indiferença de lado e passei a torcer contra. O motivo eu já disse, mas não custa lembrar: “O principal motivo de minha revolta é que, se o Brasil ganhar a Copa, os ratos do governo terão capital político para garantir a sua permanência no poder e para continuar a devorar tranquilamente o queijo amarelo da pátria amada, idolatrada, salve, salve”.

Não assisti a nenhum jogo, mas quando me disseram que o Brasil estava perdendo de 5 a 0 para a Alemanha, resolvi acompanhar o segundo tempo. Assisti, gostei, e 7 a 1 está de bom tamanho: a Alemanha não marcou mais porque não quis. Gostei também da goleada, para ninguém poder arrotar heroísmo.

Para não ficar só nas minhas palavras, vamos ler algumas manchetes da derrota:

VEJA — Inacreditável: Brasil perde de 7 a 1 para a Alemanha

ÉPOCA — Alemanha impõe derrota histórica ao Brasil no Mineirão

ESTADÃO — Brasil é humilhado pela Alemanha, toma de 7 a 1 e sofre a maior goleada da história

O GLOBO — Brasil sofre a maior goleada de sua história em Copas: 7 a 1

GAZETA DO POVO — Alemanha humilha o Brasil na pior derrota da história da seleção

DIÁRIO DE PERNAMBUCO — Alemanha impõe ao Brasil o maior vexame da história

ZERO HORA — Como assim, Brasil?

Minha esperança agora é que as massas hipnotizadas pelo circo da Copa e que seriam transformadas em eleitores zumbificados pelo hexa pelo menos se vinguem nas urnas e quebrem a hegemonia do PT no governo. Sei que é esperar muito, mas ninguém esperava os 7 a 1, não é? Vai que…