BO contra Deus

Do artigo: Lições Bíblicas: “Naum — o limite da tolerância divina”

O crescente sentimento anticristão que norteia algumas políticas importantes dos dias atuais baseiam-se, a meu ver, em duas antigas acusações contra Deus: a de que ele permite o mal e a de que ele castiga o mal. Falarei aqui da primeira acusação.

Uma velha reclamação contra Deus, e você já deve ter ouvido milhares de vezes, principalmente após a notícia de uma tragédia qualquer, grande ou pequena, é esta: “Como Deus pode permitir uma coisa dessas?”. Esse choramingo tem outras variantes: “Que Deus é este?”; ou: “Como posso crer num Deus que…?”.  Em 2010, quando o filho da atriz Cissa Guimarães morreu atropelado por um carro que participava de um racha, o humorista Chico Anysio escreveu (a sério): “Que Deus é este que deixa que morra um menino de 18 anos, à espera de começar seu caminho na vida, e deixa vivo e solto o animal que o atropelou, o débil mental que faz de um túnel uma pista de corrida e simplesmente arranca da vida um ser bonito, jovem, ansioso por começar a viver, filho de uma mãe maravilhosa, como colega, como amiga e como pessoa?”. (Leia a matéria aqui.)

Fato interessante é que quem reclama da “injustiça” de Deus é quem não quer nada com ele. Então é assim: cada um vive como quer, faz o que quer, e Deus tem a obrigação de consertar tudo. Se alguém comete um crime, Deus tem de intervir e punir o culpado com absoluta justiça. Aliás, de acordo com esse raciocínio Deus não deveria permitir nenhum crime ou nenhuma tragédia no mundo. Os carros poderiam andar a toda velocidade pelas ruas, sem precisar parar no sinal vermelho, e Deus cuidaria para que nem mesmo acontecesse um arranhão na pintura. Pedestres atravessariam a rua assobiando entre a farra dos motoristas malucos sem nem mesmo despentear o cabelo. Carros, barcos e aviões não precisariam de manutenção, pois Deus estaria de plantão para nunca deixar que colidissem, afundassem ou caíssem. Pense na possibilidade de qualquer mal no mundo, e Deus estaria lá para evitá-lo ou consertá-lo.

A falha gritante nesse raciocínio é que os acusadores de Deus se esquecem de olhar para si. Ou será que são pessoas perfeitas, que nunca fizeram mal a ninguém? Quem pode contestar as palavras de Paulo: “Não há quem faça o bem, não há nem um só” (Rm 3.12). O ser humano é pecador, e quem acusa a Deus não passa de um arrogante que não admite a sua participação no estado caótico do mundo e de um covarde que não assume os próprios erros.

Se Deus fosse mesmo punir cada maldade praticada no mundo, eles seriam os primeiros a ser castigados. Nem mesmo os filhos de Deus conseguem fazer o bem que desejam. A esses chorões, a única lamentação que se aplica é esta: “De que se queixa, pois, o homem vivente? Queixe-se cada um dos seus pecados. Esquadrinhemos os nossos caminhos, experimentemo-los e voltemos para o Senhor” (Lm 3.39,40).

Sheherazade tinha 1001 coisas para dizer

***

Causou-me asco a notícia de que Rachel Sheherazade está proibida de emitir opiniões, por pressão dos comunistas e da canalha politicamente “correta”, que abriga em suas hostes até mesmo alguns cristãos.

Como não assisto à TV aberta, fiquei sabendo da existência da moça e de suas opiniões pela Internet. Vi pela primeira vez o nome dela num cartaz carregado por militantes gays, que dizia: “Cala a boca, Sheherazade“. Mesmo sem saber de quem se tratava, simpatizei com ela imediatamente, porque o caráter de alguém é medido pelas pessoas a quem ele incomoda. Intrigado pelo furor que os comentários da âncora do SBT Brasil (o nome do jornal a que nunca assisti) causaram entre os “progressistas”, procurei alguns vídeos no Youtube e constatei que as opiniões da moça eram simples e diretas e condenavam a corrupção, as ditaduras, os desmandos do governo, o crime, o desrespeito, a insegurança pública, e assim por diante, coisa que todo cidadão que tenha um pingo de decência e mais de dois neurônios irá concordar.

E, por falar em raciocínio, o que mais me espantou não foi a visível irritação dos que apoiavam as causas citadas acima. Fiquei admirado com o que não vi. Não encontrei nas críticas exacerbadas à jornalista um único argumento digno de nota. Apenas xingamentos e o desejo que que ela parasse de opinar. As declarações sobre o marginal amarrado a um poste por populares geraram vários artigos de especialistas, mas todos cheirando a falácia jurídica e a pretexto para legalização da censura. E ninguém se arriscou a refutar a “campanha Adote um Bandido”, a não ser com mais xingamentos.

Toda essa polêmica pelo menos serviu para uma coisa: mostrou a fragilidade dos ideais “progressistas”. Mandaram Sheherazade calar a boca, colegas de profissão chamaram-na de fascista e imagino que algum dono de loja teve as vitrines quebradas por causa dela. Houve quem expressasse o desejo de vê-la estuprada, e isso foi publicado no Facebook de um dos filósofos governistas (se esse é o argumento do filósofo, imagine o dos idiotas úteis!). Sobre o incidente, a jornalista Mônica Bérgamo, da Folha de São Paulo, em matéria considerada neutra, limitou-se a dizer: “Quem fala o que quer, lê o que não quer na Internet” — e nenhuma crítica ao apologista do estupro. Mas o fato é que ninguém conseguiu remover uma vírgula do que foi dito por Sheherazade. Então, que ideologia é essa, posta a nocaute por comentários de 60 segundos? 

Mas por fim, em nome dos “direitos humanos”, expressão bonita transformada em dejeto político, prevaleceu a força bruta do poder. Sheherazade foi amarrada ao poste ideológico dos causídicos da infâmia para execração pública e gáudio da ala política que passou todo o mês de março choramingando a censura dos militares. 

Sheherazade ainda tinha muita coisa para dizer, mas os petistas e quejandos começaram a “democratizar” a imprensa brasileira. Os ideais “progressistas” estão seguros agora. 

Só o politicamente “correto”…

***

Só o politicamente “correto”…

… cria leis que punem com maior rigor quem maltrata um animal do que quem maltrata um ser humano.

… entende que a mais natural das condições humanas, o ser macho ou fêmea, é simples estereótipo.

… prefere dizer “pessoa verticalmente comprometida” a pronunciar a palavra “anão”.

… transforma escritor consagrado em ignorante que desconhece a realidade da própria época  (Mark Twain que o diga). 

… cria palavras como “afrodescendente” para não ofender pessoas da raça negra e “fundamentalista” para ofender os cristãos.

… usa discurso de ódio para acusar os outros de fazerem… discurso de ódio.

… confunde opinião contrária com preconceito.

… é tolo o bastante para acreditar que pode consertar a natureza humana com semântica.

… prega a tolerância e a liberdade enquanto incensa regimes ditatoriais.

… se sente “ofendido” com um salmo e aprova a distribuição de pornografia gay para menores.

… faz a expressão “pró-vida” parecer uma coisa ruim.

Tudo isso que você leu está acontecendo mesmo. Então, caro leitor, a única conclusão a que podemos chegar é esta: quem é ou se considera politicamente “correto” não passa de um retardado!

Quem te viu, quem TV

***

Uma pesquisa encomendada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência concluiu que apenas 3% dos brasileiros não assistem à televisão.

Eu com certeza estou entre os 3%, se a pesquisa diz respeito à TV aberta. Já tive o hábito de ficar horas diante do aparelho. Assisti a umas poucas novelas do início ao fim, a muitas edições do Jornal Nacional e até algumas daquelas porcarias que infestam os lares nas tardes de domingo, ainda que nunca como entusiasta, e estou incluindo nisso o futebol. Mesmo assim, nada que se compare ao tempo que sempre dediquei aos livros.

Já tive TV paga e por vários anos ignorei a TV nacional. Com o avanço da Internet nos últimos anos, baixo os filmes, documentários e seriados que quero assistir. Busco informações nos blogs e nas revistas e jornais eletrônicos. E já é coisa demais.

Não sei se a pesquisa fez este tipo de questionamento, mas percebo no telespectador comum uma dependência quase química e uma fidelidade quase religiosa à programação da TV aberta. Diante das críticas ao conteúdo apresentado nos canais gratuitos, já vi muita gente retrucar: “Mas então o que eu vou assistir?”.

Se não se cogita um substituto, como um livro ou a conversação, a resposta para mim parece óbvia: nada.

Mas vá convencer disso 130 milhões de brasileiros!