Reminiscências dos outros que também são minhas

Tive a grata surpresa de receber esta semana um e-mail do meu primo distante e amigo chegado Édson Machado, em que ele relembra de maneira maravilhosa a amizade que desfrutamos na adolescência em Jaguaruna e que permanece até hoje. Com a permissão dele, reproduzo o texto aqui:

EFEMA

Para: obalido@hotmail.com

Há muito tempo, dois guris divertidos, numa pequena cidade de Santa Catarina, amigos fiéis, compartilhavam informações (ou seriam fofocas?) e despreocupadamente sonhavam… havia afinidades entre eles… o estudo, a bola, as piadas e… os livros. Trocavam ideias sobre os textos que liam e um indicava para o outro qualquer título novo. Naquele canto do mundo, o universo era pequeno para eles: de Mark Twain a Franz Kafka, passando pelos gibis do Tio Patinhas e do Fantasma, tudo era devorado rapidamente. Cada um escrevia de um jeito, mas escreviam legal… na sala de aula as professoras liam em voz alta, para os demais alunos ouvirem, as redações de ambos.

O tempo, sempre ele, sempre o tempo, implacável tempo, voou. Um deles até hoje mantem estreita relação com as palavras… está sempre balindo… o outro fez Jornalismo, foi repórter/redator, viveu e se manteve dessa atividade por vários anos (somente se afastando por opção comercial)… O que lá atrás, na pequena cidade catarinense, era uma diversão, um passatempo (tinha tbm as palavras cruzadas), já era na verdade um molde do destino. O mesmo que agora os aproxima. O balido é um som parecido com “béééé”… E identifica as ações de Judson.

O e-mail que começa com “efema” é a abreviatura de Édson Ferreira Machado… Judson/Édson, dois nomes com sílabas finais iguais… as afinidades eram muitas… e o laço de amizade, embora o desgraçado do tempo tenha se intrometido, nunca foi rompido. A vida segue e o amanhã é sempre uma nova oportunidade. Os dois guris que de tudo riam – até do vento – agora maduros homens (?) por certo acharão tempo de rir do tempo que os separou e passou. Veremos, né Pedro Bó? [Brincadeira nossa.]

Abçs,

Édson Machado

Apenas compartilhando: “Faça igual”

O conjunto Novo Alvorecer cantava as ótimas composições de Daniel Vieira Ramos Filho. Esta é do disco Êxodo.

Coisas que só eu encontro nos livros (28)

Desenho a lápis

Estava revirando uma das minhas dezenas de caixas de livros e encontrei dentro de The Christian Doctrine of Immortality, de D. F. Salmond, este desenho simples de uma casa. O livro é de 1897, mas o desenho, sem dúvida, é bem mais recente.

Desenho casa

Deus, o mar e a fidelidade

Estava ontem sentado diante do mar. Acomodara-me num dos vários troncos que as águas roubam das ilhas próximas e desovam na areia. O domingo ensolarado e quente trouxe muito povo para a praia, mas quando cheguei era noite escura e não havia mais ninguém.

No entanto, até os limites das rédeas que o Criador entregou à Lua, o mar continuava indo e voltando. Creio que pouca gente atentaria para isso, pois sabemos que, esteja a praia lotada ou deserta, o mar continua a fazer o seu trabalho. Jamais iremos chegar antes dele à praia porque ele sempre está ali.

Nós, humanos, não somos tão generosos com a nossa vocação. Recolhemo-nos ao nosso egoísmo quando sentimos que a nossa medida diária de serviço cristão foi preenchida. Tendemos a ser negligentes quando não há ninguém olhando. Entregam-nos à indolência quando ninguém nos cobra. Temos apagões de fé e crises de virtude. Apesar de tudo, é próprio do redimido buscar a perfeição. O mar não precisa melhorar em nada: naquilo que lhe concerne, ele já é perfeito. O ser humano, por sua vez, sofre influências de todos os lados, como se estivesse cercado de luas.

Por isso, a virtude da fidelidade, aquilo que nos torna confiáveis, exige cuidado constante. Deus é ainda mais confiável que o mar. Não há oscilações nele. Não há luas à sua volta. Não há como ele ser infiel. Assim, enquanto falhamos, ele permanece fiel. Jamais alcançaremos a fidelidade dele e,convenhamos, nem mesmo a constância do mar. Mas Deus sabe dos esforços que fazemos para não deixar a praia. Se um dia chegar mais cedo e não nos encontrar ali, ele vai entender.