José Wellington e Samuel Câmara, uma história antiga

Só nos últimos anos foi que se começou a noticiar para os crentes em geral os fatos (quase todos lamentáveis) protagonizados pelos pastores José Wellington e Samuel Câmara, envolvendo a disputa pela presidência das Assembleias de Deus no Brasil. No entanto, essa rixa é mais antiga. Os pastores sempre souberam, é claro, mas o crente comum não tinha informação do que acontecia nos bastidores das eleições. É que antes da popularização da Internet e da consequente democratização das opiniões, os jornais e boletins da denominação, nesse quesito, limitavam-se a publicar apenas as “copiosas bênçãos do Senhor”, e todos os servos eram “denodados”. Os questionamentos eram raros. Ninguém se arriscava, e quem queria arriscar não tinha espaço.

No início da década de 1990, forcei um pouco a barra desse status quo, editando um jornal com liberdade de expressão até exagerada, para os padrões da época (volto a falar dele). No nosso quinto número, entrevistamos o pastor Samuel Câmara, na época presidente da AD em Manaus. Entre outras coisas, ele declarou que “a Convenção Geral não tem posição de equilíbrio”, dizendo isso em relação aos costumes, que haviam sido, digamos, liberados por ele em Manaus.

Não foram declarações muito contundentes, mas causaram impacto porque o povo assembleiano e seus líderes não estavam acostumados com matérias daquele teor. Tanto que, no mesmo ano, durante os festejos dos 80 anos das Assembleias de Deus, em Belém do Pará, a equipe do jornal viu-se diante do próprio presidente da denominação, o pastor José Wellington, que nos esperava tendo diante de si as páginas em que havíamos publicado a tal entrevista. Se ele criticou o nosso trabalho, deve ter usado sutilezas em excesso, porque não percebi nenhuma censura, e também declarou que entendia o trabalho jornalístico. De minha parte, expliquei o óbvio: se as respostas tivessem sido outras, também lá estariam.

Quando nos preparávamos para sair, o pastor Wellington deu uma última olhada no jornal, sacudiu a cabeça negativamente e com um sorriso cansado, comentou: “O Samuel é um grande companheiro”.

Coisa de político.

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4 comentários em “José Wellington e Samuel Câmara, uma história antiga

  1. Gostaria de ver os lideres das convenções lutando com todas as forças e coragem para ganhar almas; em ves de estar brigando pelo poder;isto é vergonhoso não mostra nem um principio biblico nem preoucupação com o reino dos céus; Lideres acorda em quanto a tempo deixa de ser ipocrita ponhe a boca no pó.vai buscar as ovelhas que o bom pastor o confiou………

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  2. É lamentável que o que menos prevaleça nas cúpulas éclesiásticas seja o interesse de Cristo.

    Cada um busca o que é propriamente seu.

    O poder a qualquer custo.

    Estas convenções, tanto estaduais, quanto a CGADB, com as devidas exceções – Se é que são exceções, visto que conseguem permanecer no meio deles – mais parecem a Cosa Nostra. Matam qualquer um (na fé), não interessam o quanto escandalizaram o caminho, o importante é permanecer no poder.

    Mas deixemos estar. Os servos de Deus permaneceram servos e estes que são nóduas em nosso meio, se não perderem a salvação, ficarão a contemplar o galardão que muitos anônimos receberão, enquanto eles receberam tudo aqui – Se é que têm alguma coisa que receber, pois do contrário estão espoliando a igreja.

    Vou parar por aqui, mas há muito o que dizer.

    Ainda bem que surgiu a internet, pois nas reuniões deles, nas assembléias, etc, cassam a palavra de quem ousa contradizê-los, ou simplesmente manifestar opinião diversa.

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  3. Caro irmão Fernando,
    Grato pelo seu comentário. No entanto, o episódio postado aqui de forma alguma tenta mostrar um JW “doce” ou diferente do que é hoje, nem mostrar SC como bandido (até porque a postura de SC afinava com a do jornal). Limitei-me a narrar os fatos. Creio que a frase final (“Coisa de político”) desmente a “flor”, não é?

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  4. Lendo isso que vc acabou de escrever vê-se 2 JW… Pois na mesma época em 1991, ví JW destilar seu veneno contra vários pastores que queriam se candidatar de verdade mesmo a presedencia da CGADB. Qdo falo de verdade, excluo o pr. Sebastiao e o pr. Anselmo.
    JW nuca foi essa flor e esse doce que vc postou, pelo menos prá mim, que convivi com ele por 20 anos.

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