Vó Carmira e o ministério do portão

***

Não incluo essa história em “Reminiscências” porque me foi contada há pouco tempo, pela minha mãe. Como relatei em “Vó Carmira e o ministério dos botões”, minha avó paterna era uma evangelista incansável em Jaguaruna. Na década de 1980, porém, ela e seus dois irmãos, Tio Lilino e Tia Lica, ambos solteiros, mudaram-se para Itajaí. Na época, eu já morava em Joinville (saí de Jaguaruna em 1978).

Praticamente inativa no trabalho de forrar botões e quase sem condições de sair de casa pelo peso da idade, reforçado com algumas doenças, era difícil para ela encontrar uma pessoa a quem pudesse evangelizar. As pessoas de seu novo círculo social eram parentes e uns poucos conhecidos e novos amigos. Entretanto, já com mais de 80 anos, bem que poderia recolher as armas e passar os últimos anos de sua vida no sossego de saber que não chegaria ao céu de mãos vazias.

Contudo, ela era incorrigível. Sem ver rostos novos em casa e sem poder ir atrás de outros alvos, resolveu assestar sua metralhadora evangelística no portão de sua casa, na rua José Quirino.

A estratégia era esta: cada pessoa que passava era chamada por ela, fosse quem fosse. Moças, rapazes, anciãos, donas de casa, todos tinham de parar para ouvi-la. Fosse a caminho do bar, fosse a caminho da missa, todos eram reencaminhados a uma igreja evangélica. Se alguém seguiu a sua recomendação, não se sabe. Contudo, um ministério era exercido ali.

Simples? Sem dúvida. Mas não devemos nos esquecer de que a simplicidade é característica do evangelho, diria mesmo uma obrigação cristã. E é difícil imaginar uma representação mais bela dessa simplicidade santa e eficaz que uma assembleiana octogenária numa cerca dando testemunho de Cristo aos passantes.

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11 comentários em “Vó Carmira e o ministério do portão

  1. Foi ai que dona Marcilia minha mãe foi compra carne, em frente a casa dela;
    Com todo o preconceito que tinha na cidadezinha, foi se batizar em Cricíuma
    E eu ia com você na escola dominical para ler a bíblia para ela.
    todo método de missão devo a ela e ao tio Lilino
    um abraço, Toninho

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  2. NOssa, como viagem nesta leitura, me fez sonhar , criou-me sensaçoes, motivações e vondade de ser igual…. sede meus imitadores como sou de Cristo Jesus…sim…., então vamos nos encontrar no céu..bjs.

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  3. Acho que a Vó Carmira deveria ser “personagem” sempre presente neste blog, desconfio que “depois de morta” ela ainda tem muitas coisas a nos ensinar através das tuas lembranças.

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  4. Ju, realmente a simplicidade era algo perceptivel,qdo nosso olhar se dirigia a vo.Esta historia eu nAO tinha conhecimento,fico feliz em saber.Concordo com o Dilton qdo se refere a educacao dada a ti por ela,esse foi o maior acerto da vida dela.Sou muito orgulhosa do ser humano que tu se transformou

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  5. FALAR DA VÓ CALMIRA,NÃO É FÁCIL.
    SÓ NÃO GOSTO DE LER GENTE ESCREVENDO VOVÓ,DEPOIS DELA TER SE IDO E NÃO TER FALADO VÓVO,ENGUANTO ELA ERA VIVA.
    ESSA ERA UMA GRANDE ADMIRAÇÃO QUE EU TINHA,PELA VÓ CALMIRA FALAVA O QUE QUERIA, NÃO CONSEGUIA SER UMA MULHER FALSA,NEM MESMO PRA AGRADAR OS OUTROS;
    JU,A VÓ SEMPRE QUIZ QUE MEU PAI SE CONVERTECE,MAIS NUNCA ESQUEÇO QUANDO MEU PAI PEGAVA O CARRO,E IA PRA FRENTE DA IGREJA ESCULTAR O CULTO.
    VÓ CALMIRA, MULHER FIRME,SABIA O QUE QUERIA E COM MUITO CONHECIMENTO NAS PALAVRAS DA BIBLIA,ESCUTAVA MUITO MINHA VÓ CANTANDO AS MÚSICA EVANGÉLICAS,ADORAVA E RESPEITAVA.
    TIA LICA,CUIDEI DELA NOS ÚLTIMOS MOMENTOS DE SUA VIDA,ESCUTEI MUITAS HISTÓRIAS QUE JAMAIS IMAGINAVA QUE TINHAM ACONTECIDO.
    BEIJOS PRIMO

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  6. É que benção essa mulher… mas a verdade é que precisamos de exemplos de “Vó Carmira” nesses dias atuais tão desordenados em que vivemos.
    Que esse grande exemplo sirva de alavanca para jovens e ansiãos a tomarem a mesma atitude de coragem. Lovado seja Deus pela vida dessa grande irmã.

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  7. Que no futuro, meus netinhos vejam em mim pelo menos uma partícula da grande mulher: vó Carmira. Não a conheci, mas pude perceber que foi uma criatura dedicada a Obra de Deus, íntegra e abençoada por Deus!

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  8. Judson,

    Continue no “portão da Vó CaRmira”; essa é a tua missão e a humanidade está necessitando de homens do teu quilate.

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  9. Judson,

    Também não sei se a Vovozinha conseguia “converter” alguém. Mas era o método Dela, para aquela época. Aparentemente, e pelo que sei, o pretendido convencimento dava-se pela pregação não só da Palavra de Deus, mas, principalmente, pela irreverente insistência. E essa metodologia, sabemos, não funciona muito bem. É mais fácil converter uma pessoa pela argumentação e aplicação do saber sobre o que se quer incutir ou fazer crer. Era e continua sendo tarefa árdua “endireitar o galho torto”. Mas, ainda quanto à Vovó, afirmo que era uma mulher de fibra. Professora do primário, levou, para o seu tempo, uma vida razoavelmente boa. Nascida aos 18-1-1908, Calmira Schmitz Pimentel Canto era filha de José Manoel Floriano e Antônia Schmitz; de cutis clara, olhos e cabelos castanhos; casou-se com um homem bonito (usava bigode), honesto e trabalhador; moravam num Chalé que ensejava visitação de gente de toda a parte (possuía “eira” e “beira”). Viuvou muito cedo (o marido tinha 47 anos de idade) e daí em diante passou à vida solitária, ingressando na Igreja Evangélica, juntamente com seus irmãos Lilino e Lica. Apesar do tempo ido, a lembrança é-me recente e tenho à mente o seu semblante de mulher sisuda, que impunha respeito só pela presença, por ser esguia e esbelta. Contudo, sempre senti tristeza em seus olhos. Talvez pela perda prematura do esposo ou, quiçá, porque seus dois filhos não a acompanharam na nova jornada que empreendeu, acrescido do fato do mais velho (Ézio Francisco) ter partido para a eternidade aos 48 anos. Mulher de fibra! Não bastasse, o outro filho (Idênio – que apesar de ser vezeiro nas vicissitudes mundanas não havia alguém com “coração” maior – Querido Tio!) foi também chamado a prestar contas ao Criador aos 49 anos de idade. Mulher de fibra! Já velhinha, visitei-a centenas de vezes na cidade de Itajaí. E eu era sempre recebido com aquele abraço que só as avós sabem dar. Que saudade! Antes disso tudo, porém, Ela teve uma missão que, para mim, foi a mais importante e valiosa: incumbiu-se de criar e educar um de seus netos (o mais novo deles). E o fez, sou testemunho, da maneira mais sublime que uma avó poderia fazer: com carinho, dedicação e amor, orientando sempre para a austeridade moral. E assim a sua vontade preponderou. Esse seu neto hoje é um homem digno de honra, ou seja, serve como exemplo para todo aquele que deseja trilhar a estrada da bondade, porque não se perdeu nem dela se separarou ou desviou. Mas, quem era o neto de Calmira e que se tornou esse homem cujo caráter pode ser seguido? Evidendemente, JUDSON CANTO, orgulhosamente, meu primo Irmão.

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  10. Nossa passou um filme agora na minha cabeça.

    A vó Carmira, que saudade dela.

    Muito leu e xplicou a biblía para mim.

    Salmo 115, então…..

    Meu Deus tantas roupinha fez para minha boneca.

    Quando lembrares mais histórias, escreva Ju.

    beijos

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