Devemos julgar a letra das músicas? (Parte 2/3)

A importância da letra

Qual a importância da letra de uma música? Basta dizer que cada país tem seu hino. As palavras dos hinos nacionais procuram despertar no cidadão o senso patriótico, o orgulho de pertencer àquela nação, a convicção de que vale a pena morrer por ela. Canções viram símbolos de movimentos, propagam ideias, vendem refrigerante. Outras fazem apologia do sexo livre, do uso das drogas e do crime. No ambiente eclesiástico, pela perspectiva mais idealizada, dão forma poética a expressões doutrinárias e às mais profundas experiências com Deus e ressaltam de modo criativo inúmeros aspectos da vida cristã. Portanto, não entendo o descaso para com a letra das músicas evangélicas que percebi em certos comentários — e falo de gente que demonstra sensatez e equilíbrio em outros assuntos. Mas não vou deixar os blogueiros levarem a culpa sozinhos. O comportamento indolente em relação as letras de nossas músicas parece ser uma tendência geral.

A letra das músicas evangélicas, por definição, deve exprimir a essência do evangelho, o melhor estilo de vida já proposto ao ser humano, sem falar na salvação. Nesse universo, há um tesouro de temas que o compositor cristão jamais conseguirá esgotar. Então a pergunta é: de onde vem tanta porcaria?

Vamos ser justos. Há cantores preocupados com o que cantam, e encontramos na música evangélica contemporânea boas composições, nos vários estilos. Também não devemos esperar que cada composição seja uma obra-prima. Aliás, temos de reconhecer que a música evangélica, de modo geral, é medíocre, e creio que em grande parte por essa inexplicável tendência de não se valorizar a letra. Contudo, até a música medíocre pode dizer alguma coisa.

O que está acontecendo é que a vulgaridade recebeu a coroa e está abusando de suas prerrogativas. Hoje qualquer um que rima “Jesus” com “cruz” acha que é compositor. E os outros acreditam. Certo dia, escutei uma música horrível, daquelas que deixa a gente irritado, e a irritação só aumentou quando soube que o cantor havia pago 5 mil reais por aquele amontoado de baboseiras.

Outra banalização lamentável é a da própria Palavra de Deus. Grupos e comunidades, por absoluta falta de imaginação, comodamente reproduzem ou adaptam textos bíblicos e os despejam no louvorzão. É prática tão comum que o texto sagrado, nesse contexto, já começa a parecer medíocre também. É o poder da indolência!


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