Devemos julgar a letra das músicas? (Parte 3/3)

Como julgar?

Ressaltado o óbvio, isto é, a importância da letra nas músicas que cantamos e ouvimos, vamos ao complicado, ou seja, responder à pergunta natural que se segue à constatação: como julgar?

Temos um exemplo de triagem nos hinários denominacionais, como a Harpa cristã, o Cantor cristão e agora o Hinário para o culto cristão. Verifica-se nessas obras cuidado doutrinário e, até certo ponto, estético. É o processo pelo qual deveriam passar todas as músicas evangélicas. Contudo, fora dos hinários, as músicas cantadas nas igrejas provêm das mais diversas fontes. Pode-se dizer que o controle é impossível. Só como exemplo, houve um tempo em que se cantavam muito nas Assembleias de Deus as músicas do conjunto Voz da Verdade, proveniente de uma igreja unitarista. Claro, nem todos os hinos deles pregam necessariamente o unitarismo, porém muita gente ignorava essa linha doutrinária, que às vezes transparecia em suas canções. O rompimento das barreiras denominacionais, que têm um lado positivo inegável, acabou contribuindo para confusões desse tipo.

Alguma ajuda, pelo menos para apontar heresias ou inconsistências com a fé cristã, poderia ser prestada por aqueles que têm o recurso da palavra escrita, hoje bem representada nos blogueiros, mas ao ler certas críticas de “Como Zaqueu…”, comecei a achar que a ideia não é tão boa. Quiseram julgar a composição do Danese pelas lentes de uma teologia de chifre de cavalo, que se enredou em picuinhas, e o resultado foi um julgamento absurdo e mais confusão. Para julgar a letra de uma música não basta o conhecimento bíblico e doutrinário. É preciso entender as liberdades básicas que podem ser tomadas numa composição desse tipo — liberdades que, naturalmente, não podem ir de encontro à fé.

Uma igreja, há pouco tempo, tentou pelo seu departamento de música cadastrar os seus cantores e emitir oficialmente um parecer sobre cada música que se pretendesse gravar. Mas lá estavam de novo os responsáveis pela triagem enroscados na licença poética, incapazes de perceber em que ponto a criatividade combinava ou destoava da doutrina. Parece que as nossas igrejas não estão maduras para esse julgamento. Se o leitor sabe de alguma que adotou essa medida com êxito, me avise.

Parece-me que a melhor proposta é a do bom senso. Bom senso dos cantores em fugir dos compositores de araque e em procurar saber o que estão cantando. Bom senso dos compositores em procurar conhecer um pouco mais a fé que querem expressar em poesia. Bom senso dos que se propuserem comentar as composições em julgar música como música, não como seções de revista de escola dominical. Quem sabe assim transmitimos também um pouco de bom senso ao povo.

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Um comentário em “Devemos julgar a letra das músicas? (Parte 3/3)

  1. Parabéns pelo blog Judson! Realmente, devemos ter cuidado e sabedoria no momento de escolher a letra com que louvaremos e adoraremos a Deus… Hoje em dia estamos cercados por cantores de “música gospel” que se preocupam mais em ganhar dinheiro pela emoção, do que alcançar o trono de Deus pela adoração… Devemos tomar cuidado e pedir a direção de Deus para isso!

    Deus o abençoe querido irmão!

    Acesse o blog de nosso programa online e fique a vontade para colaborar com idéias, sugestões ou críticas.

    http://sintoniaja.blogspot.com

    Grande abraço!

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