Gabriel, o Cristo alternativo

Lendo um artigo sobre a atenção exagerada de alguns pentecostais ao ministério dos anjos, publicado no blog do pastor Paulo Cesar Lima, lembrei-me da época em que eu morava no Rio de Janeiro, quando se ouviam, quase que diariamente, notícias de um pessoal que costumava “orar no monte” — mas não pensem em nada que lembre o hábito sereno de Cristo. Eram relatos de expressões corporais e verbais estranhas, uma espécie de catarse a que se pretendia conferir espiritualidade. E não eram fatos isolados: havia uma verdadeira subcultura, com práticas e jargões próprios.

Uma das características dessas reuniões eram as supostas ações e manifestações de anjos, mas especialmente as de um anjo conhecido: Gabriel. Ele era cultuado de tal maneira que já se atribuíam a ele prerrogativas da Divindade. Exagero? Vou dar um exemplo.

Certo domingo, um dos alunos da classe de escola dominical em que eu lecionava informou-me que um dos irmãos “do monte” realizara num presídio um trabalho evangelístico em nome de Gabriel e perguntou o que eu achava. Fui informado também que o pastor titular da classe (eu era o substituto, mas estava sempre cobrindo as viagens dele, como naquele domingo) havia dito, no domingo anterior, quando recebeu a mesma informação e ouviu a mesma pergunta, que o trabalho era válido, porque o irmão fizera aquele trabalho na sua sinceridade. Tive de contradizer o pastor. O que o pretenso evangelista fizera não fora outra coisa senão conquistar adoradores de anjos. Se tais conversões fossem verdadeiras, teríamos de admitir uma porta alternativa para a salvação, além de Cristo, como se Gabriel fosse a entrada lateral para a vida eterna. Simplesmente inaceitável.

Querem outro exemplo? Na CPAD, onde eu trabalhava, havia alguns irmãos que frequentavam o monte. Um dia, ouvi um deles cantar perto de mim um corinho “de fogo”, que ele mesmo havia composto, com o propósito de cantá-lo também naquelas animadas reuniões. Um dos versos dizia assim: “Gabriel vem batizar”. Talvez fosse até um vocativo: “Gabriel, vem batizar!”. Não deu para entender pelo contexto.

E não adiantava argumentar. Aquele pessoal parecia imunizado contra a boa doutrina. Pelo que eu soube, essa subcultura evangélica (e pentecostal, ai meu Deus!) sempre foi endêmica, mas ainda subsiste.

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3 comentários em “Gabriel, o Cristo alternativo

  1. É triste perceber que a cada dia que se passa os cristãos (cristãos?) estão cada vez mais experiencialistas e tão apegados a modismos extra-bíblicos. Como o pastor Newton disse, “o pior está por vir”! Guardemos o que temos para que ninguém tome a nossa coroa. AP 3,11.

    Nele,
    Walter Filho

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  2. Sem esquecer o corinho “põe um anjo ali, põe um anjo lá, outro lá na porta e outro no altar…” Esse eu lembro!

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  3. Prezamado Judson Canto,

    A paz do Senhor!

    A mentirada sobre anjos, inundou através de pastores brasileiros, vários estados dos EUA, e infelizmente, foi uma loucura que dominou, durante alguns anos na sua demonstração, através do líder primaz: pastor Uriel de Jesus, este e seus adeptos, alguns “arrependidos”, deixou marcas em muitas igrejas e à descoberto, os interesses de muitos líderes que o apoiavam pelos benefícios distribuídos como balas e doces às crianças esfomeadas(ministério de néscios e interessados(risos)). Triste!

    O pior está por vir. quem viver verá!

    O Senhor seja contigo!

    O menor de todos.

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