O discreto início do pentecostalismo no Brasil

Uma simples comparação entre o início do pentecostalismo da Fé Apostólica nos Estados Unidos e os primórdios do movimento no Brasil deixa evidente que o avivamento chegou às terras brasileiras de maneira bem mais discreta. Nada se viu por aqui que lembrasse o animado burburinho causado pelos múltiplos batismos de fogo da rua Bonnie Brae, muito menos a “cena grotesca” proporcionada pela “esquisita babel de línguas” da rua Azusa.

No Brasil, o movimento pentecostal com raízes em Azusa teve a sua primeira manifestação com o dom de línguas durante a oração quase solitária de uma senhora chamada Celina Albuquerque. Isso aconteceu na madrugada do dia 2 de junho de 1911. No dia seguinte, outra senhora, Maria de Nazaré, também foi batizada.

Mas se alguém pensa que a experiência das duas irmãs foi o estopim de uma imediata explosão pentecostal, engana-se. Nas anotações do diário de Gunnar Vingren, consta que no ano de 1911 houve apenas quatro batismos com o Espírito Santo: além de Celina e Maria de Nazaré, foram batizados Manoel Francisco Dubu (ver O primeiro homem batizado com o Espírito Santo no Brasil) e outra irmã, talvez Isabel L. da Silva.

Em 1912, Vingren contabiliza 15 batismos com o Espírito Santo, proporcionalmente um acréscimo de quase 100% (os quatro batismo de 1911 ocorreram num período de seis meses), ainda assim muito pouco para se comparar às cenas extraordinárias de outras histórias de avivamento que estamos acostumados a ler. Vingren registra ainda 121 batismos pentecostais em 1913 e 136 em 1914 agora sem dúvida a Missão da Fé Apostólica brasileira passava a protagonizar reuniões mais marcantes.

O pequeno número de batizados não impedia, é claro, que desde o começo os cultos apresentassem todas as características de reuniões pentecostais, pois curas e milagres eram comuns. No entanto, vale o registro de que no Brasil o avivamento pentecostal iniciou como o fogo que se alastra sobre uma campina, não como uma explosão, como às vezes tendemos a pensar.

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9 comentários em “O discreto início do pentecostalismo no Brasil

  1. Porque muitos personagens bíblicos que estavam cheios do E. Santos (ou seja batizados no Espirito Santo), como João Batista, Elias, e outros mais não falaram em linguas estranhas ???????

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  2. Até hoje não entendo por que na Assembleia de Deus o sinal de batismo no Espirito Santo é o “linguas estranhas”.
    E até já procurei referencias dessa tal “linguas estranhas” mas não existe existe o fogo estranho.

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  3. A questão da Assembleia de Deus é que a partir do avivamento que ocorreu nos EUA ter alcançado à terra tupiniquim a mesma tratou-se de fazer uma nova teologia à partir da nova experiência, ou seja, foi construida uma teologia chamada “batismo com Espírito Santo” como segunda benção, ainda com evidência inicial física de falar em novas línguas / glossolália.

    Imagine se a Igreja iria passar quase 2000 anos depois do pentecoste sem conhecer tal batismo, tendo em vista que com a morte dos apóstolos, no período dos pais da igreja, doutores da igreja até os reformadores do séc.XVI, não há nenhuma obra ou ênfase ou informação no que diz respeito a tal teologia, pois na verdade tudo estava englobado, não pode haver salvação sem Espírito Santo ou batismo no Espírito Santo.

    Essa nova teologia divulgada principalmente pela AD, se tornou “arma” para discriminar outros grupos que não aderiram à nova teologia – ou seja, ao invés de agregar, houve desagregação, preconceito, discriminação, arrogância.

    Houve tempo que os “crentes pentecostais” não consideravam os batistas, congregacionais ou presbiterianos como irmãos, porque os julgavam “frios”, ínsipidos, ou até mesmo não salvos, pois segundo eles não eram “batizados com Espírito Santo”.

    Sinceramente eu creio à luz da Palavra, que todos somos batizados com ou no Espírito Santo – a semântica bíblica trata como sinônimo salvação, batismo, regeneração, nascer de novo, aquilo que Deus em Jesus fez no coração do homem ou mulher – “novo homem” em Cristo.

    Não podemos olvidar que não dá pra fazer teologia sistemática com base em Atos dos Apóstolos, tendo em vista seu estilo literário ser narrativo-histórico.

    As cartas paulinas sim, podemos construir parâmetros sobre a obra do Espírito Santo no homem interior.

    Paulo diz aos Efésios que todos fomos batizados no ES, e que Deus nos tem dado a beber de um só Espírito.

    A recomendação geral sempre é “enchei-vos do Espírito”.

    No que diz respeito a “línguas” Paulo trata como dom, tanto que ele Paulo prefere falar na Igreja em língua que todos conhecem do que em línguas desconhecidas.

    A recomendação de falar línguas em público só serviria se houvesse intérprete, do contrário deveria todos estarem calados na igreja, falando somente com Deus.

    Do jeito que tem gente hoje em dia que adora falar línguas em público, como forma de demonstrar sua pseudo-espiritualidade, ou mesmo demonstrar “poder” para assim legitimar algumas aberrações tão em voga.

    Ao meu ver falar em línguas é um dom como profecia, sabedoria, milagres, conhecimento, curas, que Deus dá a sua Igreja para edificação do corpo, tendo seu momento apropriado em público conforme a orientação paulina.

    Todavia Paulo notificou que o dom de línguas é menor em sua importância coletiva, devendo ser encorajado a Igreja buscar o dom de profecia – a prédica da Palavra, pois serve numa dimensão maior tanto na edificação, consolação e exortação do Corpo.

    Destarte, apesar de tudo, existe um caminho mais excelente, I Corintios 13

    Sem AMOR, todos os dons não tem significado, tudo se perde.

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  4. Caro Judson, excelente e esclarecedor material. Você, sempre criativo, inventivo, imaginativo. Continue. Precisamos de mais “vozes” como a sua.
    Deus o abençoe ricamente.

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  5. Caro Nunes Leal,

    Observe que eu me refiro ao “pentecostalismo da Fé Apostólica […] com raízes em Azusa”. De fato, há testemunhos de batismos com o Espírito Santo no Brasil antes disso, não só na CCB, mas também uns poucos casos isolados. O mesmo ocorre nos EUA. Considera-se Azusa o início do movimento pentecostal, porém houve batismos com o Espírito Santo antes daquelas famosas reuniões, inclusive entre o mesmo povo que se reunia na rua Azusa. Leia o artigo: https://judsoncanto.wordpress.com/2010/11/26/o-avivamento-da-rua-azusa-nao-comecou-na-rua-azusa.

    Abraço.

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  6. Mas, e a Congregação Cristã no Brasil? ela foi instalada 2 anos antes dos missionarios Gunnar Vingren e Daniel Berg chegarem ao Brasil e ao que tudo indica lá já havia o movimento pentecostal.

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  7. Graça e Paz Judson,

    A verdade é que nós temos entendimentos errados sobre muitas coisas em nosso meio e nem sempre é contado o que realmente aconteceu, muito é escondido outras coisas nos passam errado. Veja, por exemplo, o caso da Rua Azusa, tão falado e o anterior da Rua Bonnie Brae, que muitos nem mencionam, entre tantas outras coisas.
    Mas, ainda bem que temos O Balido, para trazer bastante material para enriquecer nosso conhecimento, como por exemplo este que acabei de citar da Ruas Azusa e Bonnie Brae, que aprendi aqui, através do post O avivamento da rua Azusa não começou na rua Azusa.
    Fica na Paz.

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  8. Excelente reflexão! Num tempo de tanto marketing religioso, de tanta busca por publicidade própria, esse exemplo histórico é de suma relevância.

    Um grande abraço!

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