Os crentes e o jogo da cidadania

Nas últimas semanas, ferveu no caldeirão ideológico dos crentes o caldo da cidadania. Borbulharam protestos contra o câncer moral que se espalha pelo país sob os auspícios do governo.

Não vejo tais atitudes como indignas da fé em Cristo. Eu mesmo andei espalhando pela Rede alguns comentários indignados. Além disso, há precedentes bíblicos para que os cristãos reivindiquem os seus direitos e até para a crítica ao comportamento das autoridades. Jesus chamou o rei Herodes de “raposa”, e Paulo, na célebre passagem “homofóbica” de Romanos, critica, pelo menos por tabela, a depravação moral do governo de Roma. O mesmo Paulo, em mais de uma ocasião, apelou para os seus direitos de cidadão romano. Contudo, sempre fico apreensivo com o envolvimento dos crentes no jogo da cidadania. Por dois motivos.

O primeiro motivo é que os crentes estão em clara desvantagem. Eles não têm o traquejo de outras instituições que, além de mais organizadas e experientes na arena política, não têm sobre si o peso do compromisso cristão. Ou seja, elas podem jogar sujo, utilizar dinheiro público para fins escusos, trapacear e mentir. Daí a razão de certos segmentos se insurgirem com tanta veemência contra a moralidade. A cidadania cristã não comporta essas práticas.

Mesmo assim, tem sido muito bom e saudável para o país a manifestação de vários crentes, principalmente em blogs e afins, contra o estado caótico que começou a se instalar no país sob a influência petista. Na famigerada reunião em que gays e prosélitos do movimento atacam a cristandade, amplamente divulgada no Youtube, manifestou-se a preocupação com um crescimento da “direita” e da oposição ao radicalismo GLBT. Mas é possível que talvez nem tenha havido crescimento, apenas um número maior de cidadãos indignados se manifestando.

Todavia, não podemos esquecer que do outro lado estão a Presidência da República, a maioria da Câmara e do Senado, o STF e a imprensa, sem falar nos milhões que estão sendo retirados dos cofres púbicos para financiar essas causas antidemocráticas e anticristãs. Os crentes cidadãos entraram em campo para disputar uma partida em que o juiz já foi comprado.

O segundo motivo de minha preocupação é que aconteça o que às vezes ocorre com o time que está perdendo: o apelo para as faltas. No dia da manifestação contra o PL 122, acessei uma página que exibia mensagens do Twitter e vi ali muito mais uma troca de insultos entre cristãos e defensores da causa gay que discussão democrática. Sintomático. Na Austrália, cristãos e gays já se agrediram fisicamente. O cristão pode expressar o seu descontentamento com os rumos da nação e a imoralidade de seus governantes, mas não pode se tornar como eles.

Apesar disso, o crente é cidadão. Assim, nem a desvantagem logística nem o risco de enveredar por caminhos menos nobres devem desmotivá-lo dessa luta. Não esqueça que o grupo que hoje governa o país e está promovendo essas barbaridades já foi um partido pequeno. Nós também podemos “crescer” e salvar a nação do caos.

Agora, depois de expressar as minhas preocupações e até certa dose de otimismo, reconheço que ainda há muitos prós e contras a considerar e lembro que a cidadania não é a única arma do crente. Mas falo disso nas próximas postagens.

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7 comentários em “Os crentes e o jogo da cidadania

  1. A Paz de Cristo, Judson.
    Parabéns pelo modo equilibrado com que tenta – e consegue – conduzir este artigo introdutório sobre assunto tão pouco explorado. Um abraço.
    Muito grato, Francikley.

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  2. Prezado Judson,

    Se lermos em Lucas 23:12, veremos que Pilatos e Herodes andavam em inimizade um com o outro e no mesmo dia se fizeram de amigos;com qual finalidade? crucificar a Jesus.

    Foi a união de dois poderes que ajudou na morte de Jesus.
    Os SARCEDOTES que eram autoridade religiosa juntamente com
    Pilatos e Herodes que eram autoridades politicas daquela época.

    Não confiem em Líderes RELIGIOSOS misturados com política nem em politicos que se dizem crentes e achando que vão proteger o evangelho.

    Na minha simples opinião é um mero engano achar que políticos evangelicos nos salvará da perseguição que estar por vir.

    Guardemos o que Jesus disse a Pilatos: ” Meu reino não é deste mundo: se o meu reino fosse deste mundo,PELEJARIAM OS MEUS SERVOS,para que eu não fosse entregue aos judeus:mas AGORA O MEU REINO NÃO É DAQUI.” S.João 18:36

    Meus prezados não me levem a mal, não quero dizer com isso que sejamos inertes a tudo ,mas que vigiemos onde estamos entrando ou o que estão deixando entar em nossas igrejas.

    Deus só tem compromisso em nos defender das provas que ele nos dá, e, não das que nós arrumamos.Ele apenas nos adverte sobre tudo.

    Mas como alguns gostam dessa amizade com o sistema do mundo fiquem a vontade.Só tomen cuidado com as serpentes ardentes (oportunidades satânicas) pois caso sejam mordidos,possa ser que não haverá tempo para olhar para haste (cruz) onde esta a serpente de metal (Jesus).

    Eliezer, as últimas tendências mundiais, ditadas pelo politicamente “correto” e também adotadas no Brasil, aliadas ao ódio cada vez mais explícito contra o evangelho demonstrado pelos partidários do atual governo, pressagiam tempos difíceis para a Igreja de Cristo.

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  3. Caro Judson, o que estamos vendo é um claro ensaio de desobediência civil, atitude lícita, diante da imoralidade que vai se espalhando sob patrocínio do governo. Até agora, a meu ver, só o juiz Villas Boas agiu com discrição, sabedoria e inteligência. O mais é um pequeno grupo de pastores boquirrotos querendo aparecer. Oportunistas, surfando na onda de justa indignação que se levanta contra a PL-122. Conheço no meio evangélico gente capaz de orientar as lideranças no sentido de bem conduzir o rebanho neste momento. Se as verdadeiras lideranças não se pronunciarem, seremos representados pelas “mulas de Balaão” que andam por aí se autoproclamando representantes dos evangélicos. Com elas à frente, o nome de Cristo, em vez de ser glorificado será vilipendiado. Abraço fraterno. Paulo Ferreira.

    Sem dúvida, pastor Paulo. Precisamos de mais gente de coragem, como juiz Villas Boas, não de “representantes”.

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  4. Caro Judson

    Ao meu ver a maior parte do recrudescimento por parte dos movimentos gays contra os cristãos foram e é a campanha beligerante do inanarrável pr. Silas Malafaia desde à últimas eleições presidênciais, mais parecendo uma cruzada medieval.

    Como você mesmo disse com brilhantismo e arguta sensibilidade, temos todo o direito de nos manifestar como cidadãos, mas não podemos fazer o jogo sujo, pois temos uma causa nobre a zelar e um Nome a proclamar.

    Não podemos ficar semanalmente fazendo estatísticas para ver qual marcha deu mais gente à dos crentes ou dos gays, isso em programa evangélico, isso é o chamado pão e circo só que agora para os crentes, pois a discussão é mais ampla e maior, não questiúnculas de vaidade ou promoção pessoal.

    Sinceramente, eu não vejo com bons olhos essas tal “marchas” pra Jesus, parece mais partidos políticos só que de pastores disputando espaços nos carros abertos para falar e ser aplaudido pelo povo, só sobem a mesma “turminha” de pastores e políticos.

    Abraços

    MAuro Silva de Cabo Frio

    Mauro, se essa guerra de números valesse, já estaríamos derrotados. Vou falar disso nos próximos artigos.

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  5. Prezamado Judson Canto,

    A paz de Cristo, o nosso Senhor!

    A verdade é explícita em seu texto com a afirmação que não podemos lutar com as mesmas armas sujas, que os levam a lutar contra a moral.

    É fácil! Fácil demais, proceder com o ódio aos que oferecem a referência bíblica, com a certeza, que o HOMOSSEXUALISMO é um procedimento de quem vive, não somente em pecado, mas aborrece de maneira ABOMINÁVEL ao Criador.

    O movimento gay está liderado pelo príncipe deste mundo(o diabo), e com as suas mentes trancadas no pecado, possuem uma cegueira total e o desejo de permanecerem, nesta frustada tentativa de superar-se a sí mesmos, em uma tragédia que potencializa a tristeza de seus próprios pais e mães.

    O ódio é voraz e imprementado para destruir a família, em total prejuízo à sociedade na forma doentia de mostrar para seus próprios geradores, que não serão os únicos a dedicarem-se a esta vida de total tristeza e sofrimento.

    Escondem a sua face ao seu próprio espelho com as suas caricaturas deformistas em prejuízo social ilastimável.

    Não podemos e não devemos de maneira alguma, calar-nos mediante tamanha falta de respeito e abuso realizado por governantes inescrupulosos e maquiavélicos.

    O Senhor seja contigo!

    O menor de todos os menores.

    Pastor Newton, sei que o senhor tem sido um atalaia em seu blog, alertando sobre os inimigos que atacam a Igreja do lado de dentro e do lado de fora. De fato, é hora de denunciarmos o mal, como cidadãos que somos e principalmente como crentes em Cristo.

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  6. Isso aí Judson, cumprimento das Escrituras Sagradas, os homens serão desobedientes, amantes de si mesmos, sem afeição natural (já que esta prática é um agressão a si e ao próximo), enganando e sendo enganados, lamentável a atitude da igreja que as vezes ridiculariza, fala alto, mas não aponta caminhos na sociedade por pura indiferença, já que a hora é agora, antes do PLC122 ou substituto que está sendo gerido de forma mais cautelosa por parte do movimento GBLT.

    Gilson, uma das perguntas que me fiz e que procurarei responder é qual a responsabilidade da igreja nisso tudo.

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  7. Graça e Paz Judson,

    É muito importante o crente se envolver sim e reivindicar seus direitos, devemos, ates de tudo, conhecê-los para que possamos ter argumentos, pois quem tenta argumentar sem conhecer o que vai argumentar acaba apelando para gritaria, já viste torcedor discutindo? Quando não tem argumento começa a gritar feito doido, ofendendo o outro.
    Há necessidade de mudanças profundas, pois nós não nos entendemos entre nós mesmos, o protesto contra o PL 122 mostrou isso, pois muitos foram omissos e alguns desses omissos criticaram pessoas que estavam a frente da manifestação, em uma clara confusão das coisas.
    O Movimento gay não é mil maravilhas, existem brigas entre os vários setores dentro do movimento, principalmente com a minoria que está no poder, pois estão lucrando, e não é pouco, com a causa, usando métodos que são reprovados por uma boa parte, há relatos sobre isso.
    Veja o caso dos vídeos do Kit Gay, uma fortuna (comparados com outros tipos de produção de maior duração e número de pessoas participando) que beneficiou uma minoria, o movimento virou negócio e lucrativo, para poucos.
    Porém, as diferenças deles não são levadas em consideração quando a questão é mobilizar “em favor da causa”, aí eles se unem, o que não acontece, infelizmente, em nosso meio.
    Que possamos mudar internamente, nossas relações denominacionais, e até de caráter mesmo, para que possamos lutar unidos.
    Bela iniciativa, parabéns meu irmão, oremos e façamos a nossa parte.
    Fica na Paz.

    Muito grato, Fábio. Alguns aspectos da falta de coesão e até de coerência entre os crentes serão tratados nos próximos artigos.

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