A vogal fatídica

Quando comecei a trabalhar na CPAD, ainda sem ter levado a família, fui instalado no alojamento decadente do antigo prédio da editora, na avenida Vicente de Carvalho. Durante um tempo, congreguei-me na AD de Cordovil, que não ficava muito longe.

Por um motivo que não consigo lembrar, senti a necessidade de orar um pouco mais e perguntei a um amigo se não havia alguma reunião de oração na igreja que eu pudesse frequentar. Tinha de ser no fim de semana, porque para mim era difícil comparecer aos cultos nos dias de trabalho.

Ele me falou de um grupo que costumava se reunir numa pequena sala após a escola dominical, e na primeira oportunidade juntei-me a eles. Tudo bem até aí, mas após a oração a coisa começou a ficar estranha. O jovem casal de namorados que liderava o grupo tomou a palavra, e logo identifiquei a linguagem daqueles grupos que costumam orar “no monte”.

O rapaz explicava que o sapateado que às vezes incorporava à sua oração (não naquela manhã, graças a Deus!) era fruto de uma longa jornada espiritual, não era para qualquer mortal que apenas ficava de joelhos na grama. (Com isso, entendi que os sapateadores eram pessoas que haviam subido um degrau na hierarquia do “monte”.) A palestra, na mesma linha daquele espiritualismo esquisito, continuou pelo que me pareceram intermináveis minutos, mesmo assim resisti à vontade de sair correndo porta afora.

“Tudo bem”, pensei, “no próximo domingo eu oro e vou embora antes que comecem a falar bobagem”. Mas enquanto eu montava mentalmente a minha estratégia antimontesina, o casal resolveu cantar, acompanhado pelo grupo todo. Mãos levantadas, olhinhos fechados e lacrimejantes, repetiam com todo fervor o estribilho:

Receba o comprimento do varão…  

Eu sei que o choroso casal queria dizer cumprimento, mas por via das dúvidas decidi que dali em diante iria fazer as minhas orações sozinho.

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2 comentários em “A vogal fatídica

  1. hahahahahahaha – desculpa Canto, mas não resisti a uma boa risada!!! rsrsrs

    Pois é. Só acontece comigo.

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  2. Olha. vou dizer uma coisa, ainda hoje existem pessoas como essa turma de “oração” que vivem aprontando por aí em nome do “senhor” é a turma do retetê, basta clicar nos vídeos deixados por esses infelizes no youtube para ver só a calamidade que chegamos. DEUS TENHA MISERICÓRDIA DO SEU POVO.

    Já escrevi sobre isso (O reteté e a regra paulina de culto).

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