Humilhação voluntária ou exílio?

Recebi ontem o e-mail de uma amiga perguntando se o artigo Um choque de humildade: quem se habilita?, que escrevi em junho do ano passado, ecoando outro artigo, do pastor Geremias do Couto, tivera algum retorno.

Com mais de 700 leituras diretas e 30 comentários, posso dizer que houve uma repercussão muito boa para os padrões do blog. No entanto, não soube de ninguém que tenha feito o teste sugerido, total ou parcialmente (se alguém souber, me avise).

A verdade é que a liderança e o povo se acomodaram a um estilo de vida que alimenta a vaidade pessoal e coletiva, ao mesmo tempo em que mantém uma fachada de piedade (se não me engano, Jesus disse coisas não muito agradáveis sobre um grupo que se comportava dessa maneira em sua época). Deixar esse comodismo é como sair cedo da cama num feriado chuvoso.

A decisão de mudar também é difícil porque os maus hábitos cristalizados não podem ser alterados sem quebrar. Analise a história de qualquer igreja que “esfriou” ou se tornou mundana, e você perceberá que a mudança nunca foi instantânea. Foi sempre um processo, às vezes lento e quase imperceptível. Um ajuste doutrinário aqui, uma concessão ética ali, um flerte com o poder temporal acolá, e, quando o povo se dá conta, uma nova estrutura já se ergueu, sufocando a antiga, como as cidades reconstruídas da Antiguidade. Mas o caminho inverso não costuma ser assim.

O regresso à santidade, ao “primeiro amor” geralmente é um choque, palavra que usei de propósito no artigo em questão. Porque o avivamento, ao contrário da decadência, nunca é sutil. Esse despertar é marcado pelo quebrantamento, quando interesses, vaidades, convicções e argumentos são feitos em pedaços. Num instante, tudo em que nos apoiamos e de que nos orgulhamos se desfaz diante de nós, inutilizado para sempre.

Pode até haver um período de busca e de conscientização, um ponto de partida, mas a mudança só acontece quando alguém toma uma atitude radical ou quando o próprio Deus põe abaixo a estrutura indesejada, levando o povo a buscar na marra as antigas virtudes.

Os fatos que nestes últimos anos envolvem a igreja no Brasil, amplamente discutidos na blogosfera cristã, indicam que um abalo geral precisa ou está para acontecer. E o que sei é que só há dois modos de fazer o povo de Deus despertar da letargia: pela humilhação voluntária ou pelo exílio forçado. Isto é, ou tomamos uma atitude, ou Deus tomará.

O cenário político dos últimos anos dá a entender que assírios estão se aproximando, mas ainda há tempo de fazer como o rei Ezequias e apresentar a carta com as ameaças a Deus. É hora de acordar, antes que sejamos levados com cama e tudo para onde não desejamos ir.

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5 comentários em “Humilhação voluntária ou exílio?

  1. irmão que Deus te abençoe por seu apreço pela sua palavra, só tenho agradecer a Senhor Jesus Cristo por vida, que Ele te conseve

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  2. O importante é que mudou e despertou mentes, e se os líderes atuais não tiveram coragem para por em prática, muitos dos que não são ainda líderes, mas almejam e num futuro próximo serão; poderão por em prática, tenho certeza que muitos que hoje estão na fila, esperam ansiosamente uma chance… Uma só

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  3. Grande Judson! excelente texto, como sempre. E daí? VEm ou não para a cidade dos príncipes??

    Muito grato, Esdras. Infelizmente, a ideia da editora foi adiada porque a faculdade não tem como arcar com os custos do meu trabalho e das demandas da própria editora agora. Ficamos de retomar a conversa no médio prazo. Mas estou alinhavando outra ideia que talvez me faça mais presente na Manchester catarinense. Aguardemos.

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  4. É realmente isso que ocorre hj nas igrejas, dado à cópia do sistema de super valorização episcopal e daí um líder, tido como semi-deus. ‘Fizemos’ o mesmo em outro formato, mas os resultados são idênticos – distanciamento do cristianismo para uma vida de piedade legalista, como diz o apóstolo: “Contendas de homens corruptos de entendimento, e privados da verdade, cuidando que a piedade seja causa de ganho; aparta-te dos tais”, 1Tm 6.5.
    Escrevi tb um artigo na mesma direção, a mostrar “A Igreja do Senhor dos Céus e as igrejas dos senhores da Terra”.
    Sigamos no caminho da apologia da fé cristã, para expurgar os lobos do meio do rebanho!
    Forte abrç.
    Pr. Mesquita

    Caro Mesquita, li o seu artigo e recomendo, principalmente para quem deseja entender a postura original da igreja diante do sistema que chamamos “mundo” e a dinâmica de seus relacionamentos.

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  5. Nossa….não sabia que já tinha passado um ano…o tempo passa tão rápido e às vezes parece que fazemos tão pouco…
    Ontem mesmo, estavamos na casa do meu pai discutindo esse assunto…às vezes é tão difícil que parece impossível… Que Deus nos ajude e que seja pela humilhação voluntária.

    Angela, a mudança acontecerá por meio de alguém ou de um grupo que tenha o mesmo sentimento de seu pai.

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