Lições Bíblicas: “A prosperidade dos bem-aventurados”

Lição 6 — 1.° trimestre de 2012

As bem-aventuranças são um dos meus temas bíblicos preferidos. Pena que o espaço não permite comentários mais extensos. Destaque o fato de que elas não constituem mandamentos, e sim o perfil do cidadão ideal do Reino de Deus, o qual Jesus estava anunciando. Você pode iniciar a aula destacando esses pontos, mais o que consta da seção I.1: “O significado das bem-aventuranças”. O autor destaca oito bem-aventuranças, enquanto eu prefiro pensar que são nove, mas isso não é questão de certo ou errado, apenas de ponto de vista. Neste comentário, em vez de seguir as três divisões principais, como nas postagens anteriores, comentarei diretamente cada uma das bem-aventuranças.

1. Os pobres de espírito

Essa bem-aventurança indica a atitude de nos esvaziarmos de toda arrogância, de todo conhecimento ou sofisticação que pensamos possuir, para então, conscientes da nossa pequenez, nos aproximarmos de Deus e assim sermos dignos de ingressar no Reino.

Aplicação. Pode-se dizer que a teologia da prosperidade caminha no sentido oposto. Ela criou o sofisticado “filho do rei”, que praticamente não tem necessidades espirituais, apenas desejos, que Deus teria a obrigação de atender.

2. Os que choram

A bem-aventurança do choro constitui uma antinomia (dois fatos contraditórios, porém igualmente verdadeiros): a felicidade convive com a tristeza. O crente chora pela própria condição espiritual e pela situação do mundo. Ele lamenta os próprios erros e se comove com os perdidos. Ao mesmo tempo, a sua espiritualidade resulta em alegria, o segundo elemento do fruto do Espírito (Gl 5.22). O próprio mundo foi criado num clima de imensa alegria (Jó 38.4-7), e hoje ansiamos por restaurá-la (Rm 8.19-23).

Aplicação. A teologia da prosperidade, ao idealizar o crente como alguém que não conhece derrotas na vida, que nega os problemas e que além de tudo é bem-sucedido financeiramente, ignora solenemente essa bem-aventurança, que tem o prêmio incalculável do consolo divino.

3. Os mansos

Segundo o Dicionário Houaiss da língua portuguesa, manso é aquele “de gênio afável, sossegado, bom; dócil, pacato”. Os adágios populares reconhecem o poder da mansidão (leia aqui antes de prosseguir). Quem não é manso tem um arsenal: granada, porrete, palavras ofensivas; o manso tem a despensa cheia de milho. E, embora para muitos pareça sinônimo de covardia, a mansidão na verdade exige coragem. Cristo foi exemplo dessa mansidão corajosa (Is 53.7). O manso é um valente de Deus, por isso ele conquistará a terra (Sl 37.10,11).

Aplicação. A teologia da prosperidade ignora o crente dócil, paciente e afável. Prefere estimular o cristão inconformado com o caminho mais longo da vitória, o que muitas vezes resulta numa forma de arrojo pouco recomendável (Pv 14.29).

4. Os que têm fome e sede de justiça

A justiça é o “caráter, qualidade do que está em conformidade com o que é direito, com o que é justo; maneira pessoal de perceber, avaliar aquilo que é direito, que é justo”. Deus também é justo (Sl 145.17). O cristão deve ser justo e pensar no que é justo (Fp 4.8). A justiça é a base do justo (Pv 12.3). O crente sabe que este mundo é injusto, mas sabe também que a justiça será o estado final das coisas (Jr 23.6) — nesse dia, ele será “farto”.

Aplicação. A teologia da prosperidade, com a sua visão imediatista-materialista, não incentiva a busca das bênçãos futuras. Ideias como o estado final de justiça são pouco atraentes para os seus adeptos. Importa mais o que acontece aqui.

5. Os misericordiosos

Diz o ditado que ninguém é enforcado quando o carrasco esconde a corda. Isso porque “a misericórdia triunfa sobre o juízo” (Tg 2.13). Essa poderosa bem-aventurança guarda certa relação com a Regra Áurea (Mt 7.12) e é exercida em nosso relacionamento com Deus (Lm 3.22; Os 6.6), com o próximo (Mt 18.21-35) e com nós mesmos (Ec 7.16).

Aplicação. A teologia da prosperidade é basicamente apelo ao sacrifício, às “sementes” que são exigidas sem piedade. As técnicas de arrecadação de dinheiro utilizadas em larga escala por seus proponentes entre as massas mais pobres revelam justamente o oposto dessa bem-aventurança: eles não têm pena de ninguém.

6. Os limpos (ou puros) de coração

Esta é uma boa oportunidade para esclarecer que puro de coração não é o crente ingênuo, e sim o cristão maduro que percebe as armadilhas satânicas. Devemos praticar o bem não por desconhecer o mal, mas por optar pela melhor atitude. A maior vitória é você ter chance de fazer o mal e conscientemente virar-lhe as costas, sabendo que é a opção mais sábia e do agrado de Deus.

Aplicação. A teologia da prosperidade sobrevive à custa dos incautos. Os que acreditam em seus engodos não são puros de coração: são apenas ingênuos.

7. Os pacificadores

A paz é um objetivo do cidadão do Reino. O evangelho trabalha para a paz. Jesus veio “guiar nossos pés no caminho da paz” (Lc 1.79). Convivemos o tempo todo com a possibilidade de conflito: na família, no trabalho, na igreja. A própria pregação do evangelho, que é de paz, pressupõe o conflito, porque denuncia o pecado do mundo (Mt 10.34). Nos últimos tempos, os ateus, grupos religiosos e organizações GLBT estão cada vez mais agressivos em sua propaganda anticristã. Os cristãos precisam responder, mas sem o ânimo pacificador corremos o risco de ter uma simples guerra, para prejuízo do Reino de Deus.

Aplicação. A teologia da prosperidade geralmente ignora o elemento de conflito que existe na pregação do evangelho, às vezes optando pelo sincretismo (pesquise o significado, os alunos vão perguntar).

8. Os perseguidos por causa da justiça

O comentarista unifica as bem-aventuranças dos versículos 10 e 11, mas vamos estudá-las separadamente. O cristão que desenvolve a virtude conforme os padrões do Reino de Deus é um corpo estranho no sistema do mundo. São água e óleo no mesmo recipiente. A convicção cristã não está envolvida nesse caso, apenas a atitude correta. E, quando alguém age assim, acaba provocando uma reação contrária em qualquer ambiente corrompido. Crentes são demitidos, por exemplo, por não concordarem com alguma política desonesta da empresa. É o preço de ser justo num mundo injusto.

Aplicação. A teologia da prosperidade, em vez de fortalecer a condição de sal e luz da Igreja, tem levado o evangelho a ser “pisado pelos homens” por causa de suas práticas espúrias.

9. Os perseguidos por causa de Jesus

Em Atos 4.1-22, temos um exemplo de perseguição motivada apenas por causa do nome de Jesus. Nenhuma questão de “justiça” estava envolvida, apenas a pregação. Daí a diferença que percebo entre as duas. O mais importante, porém, é lembrar os alunos de que, se a nossa virtude não incomodar ninguém, o nome de Cristo com certeza vai fazer algum lobo levantar as orelhas. Quem age com justiça e traz o nome de Cristo é um eterno candidato à perseguição, de alguma forma.

Aplicação. A teologia da prosperidade, a exemplo do que ocorre com a bem-aventurança anterior, tem contribuído para denegrir o nome Cristo e, ironicamente, levado os verdadeiros cristãos a serem perseguidos.

Lição 7 (clique aqui).

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5 comentários em “Lições Bíblicas: “A prosperidade dos bem-aventurados”

  1. paz sja contigo, belissimos conteudos vc possui, gostei muito, o reino esta prescisando de verdade!!!!!!!

    Muito grato, Diogo.

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  2. A paz do Senhor Querido, muito bom seu blog,
    Que o Senhor continue usando você ,para ajudar pessoas em suas aulas .Fica na paz de Cristo.

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  3. Caro irmão Judson a paz do senhor muito obrigado por me apoiar na idéia a qual comentei na aula passada. E creio que o irmão acabou de ganhar um leitor assíduo do seu blog pois usei seu conteúdo na minha aula e tive um resultado muito bom pois a visão da aula foi vista de um outro angulo muito interessante agradeço a Deus pela vida do irmão e oro todos os dias para que o irmão jamais abandone o que Deus deu em suas mãos. fique firme e se precisar de ajuda é só entrar em contato.

    A paz do Senhor!!!

    Muito obrigado pelo retorno e pelas orações, Thiago. Fico feliz de que a minha modesta contribuição esteja dando resultado.

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