Lições Bíblicas: “Uma igreja verdadeiramente próspera”

Lição 10 — 1.° trimestre de 2012

Esta lição foi puro desperdício de papel — não pelo tema, que é crucial no estudo deste trimestre, mas pela abordagem, que utilizou todo o espaço para a discussão de temas secundários e até dispensáveis e deixou de considerar as questões que realmente importam no debate sobre a teologia da prosperidade. Entendo que seja interessante estabelecer o conceito de Igreja como o novo Israel e esclarecer o leitor sobre a sua natureza e missão, mas o assunto da lição não é esse. O que o aluno precisa aprender é o conceito bíblico de igreja próspera e a sua relação com o materialismo e a realidade de nossos dias. Isso simplesmente foi esquecido. Minha sugestão é que você, professor, não deixe de comentar os tópicos da lição, mas não faça deles os assuntos principais. Use-os apenas como base para desenvolver os assuntos de fato importantes. Em cada uma das três divisões principais, tentarei propor alguma aplicação ou discussão relevante para a nossa realidade.

O povo de Deus na Velha e Nova Aliança

O conteúdo desta divisão reflete as lições 3 e 5, principalmente, e apenas explica o conceito de Igreja como o novo Israel, sem nenhuma aplicação ao tema da prosperidade. Um possível vínculo entre Israel e a Igreja nesse caso pode ser justamente a diferença entre as conquistas materiais dos israelitas no Antigo Testamento e as conquistas espirituais da igreja no Novo Testamento.

O povo de Israel foi contemplado com riquezas materiais já desde a saída do Egito, quando levaram consigo muitos bens preciosos dos egípcios (Êx 12.36). Eles também acumularam riquezas por conta dos despojos de guerra (Js 8.27; 11.14) e ainda herdaram uma terra muito rica (Lv 20.24).

A igreja conquistou o mundo romano (Mc 16.15) graças ao trabalho incansável dos apóstolos e missionários cristãos. No entanto, até o século III, pelo menos, as igrejas eram esparsas e constituídas de pequenos grupos, de gente pobre na maioria, que se reunia nas casas (até essa época não havia templos). Os cristãos conviviam com a perseguição institucionalizada, vinda de fora, e o ataque das falsas doutrinas, vindo de dentro. Nada havia naquelas igrejas que causasse impacto aos olhos humanos, mas era a obra de Deus prosperando. Sugiro que você consulte algum livro de história eclesiástica que retrate a vida da Igreja nesse período, para passar aos alunos um quadro mais detalhado.

A Igreja e sua natureza

Não vejo como conceitos de santidade “posicional” ou “progressiva” poderão ajudar o aluno a entender prosperidade. Parece que um pedaço de apostila de eclesiologia foi colado aí apenas para preencher espaço. Para salvar a aula, você pode aproveitar o gancho da igreja local/ universal para ressaltar a diferença entre a igreja realmente próspera aos olhos de Deus e aquela que é rica materialmente, mas que acabou se distanciando dos valores espirituais.

Um ótimo exemplo bíblico de ambas as situações são as igrejas de Esmirna — que era pobre aos olhos do mundo, mas era rica aos olhos de Deus, ou seja, verdadeiramente próspera (Ap 2.9) — e a de Laodiceia — que se considerava rica, mas para Deus era pobre (Ap 3.17). Consulte um bom comentário de Apocalipse e explique à classe a situação das duas igrejas. Você descobrirá fatos bem interessantes, que poderá passar aos seus alunos.

A Igreja e sua missão

Concordo em que a igreja verdadeiramente próspera é aquela que cumpre a sua missão, mas o que o tema da lição pede não é a discussão dos aspectos que levam ao cumprimento desse objetivo. Portanto, não perca tempo em discuti-los com os alunos, como sugere a “Orientação pedagógica” no início da lição, nem cometa o despropósito de discutir missiologia urbana, destacada no “Auxílio bibliográfico”. São temas importantes, mas não nesse contexto. Se quiser fazer alguma dinâmica de grupo, proponho o debate de um destes temas:

1) O que seria um maior indicativo de prosperidade aos olhos de Deus: templos luxuosos ou templos aconchegantes? Estruturas majestosas ou estruturas funcionais?

2) Deve a igreja buscar recursos do governo para fazer assistência social, ou é preferível contar unicamente com a generosidade dos irmãos?

Você já pode até registrar aqui a sua opinião em forma de comentário. Isso irá ajudar outros professores.

Lição 11 (leia aqui).

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12 comentários em “Lições Bíblicas: “Uma igreja verdadeiramente próspera”

  1. Prezado irmão, li suas abordagens sobre a lição na semana passada (Lição 10) e tive a mesma sensação. Foi uma confusão de assuntos sem congruência. A lição destoou do propósito do trimestre e ficou um tanto quanto complicado passar isso para os alunos de forma que fosse possível utilizar tópicos da lição relacioando a teologia da prosperidade sem que eles percebessem que o comentarista se perdeu um pouco e o mesmo não caísse em descrédito.
    Não é a primeira vez que passo por aqui e gostei muito do blog porque nem sempre os comentários “vão com a maioria” e na maioria das vezes concordo com eles.
    Que Deus continue abençoando-o.

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  2. passei a tarde estudando esta lição, achei muito estranho o comentário fiquei em dúvida o consultor teológico passou batido nessa lição! Vai ficar muito estranho dá essa aula realmente essa lição não tem nada haver com tema A verdadeira Prosperidade valeu meu irmão Deus continue te dando sabedoria.

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  3. Como professor da EBD, também observei isto e mais alguma coisa…
    Vi como o comentarista saltou de igreja para o assunto Israel e escatologia… Ou como Deus tratará Israel nos últimos dias… Tive que ter muito jogo de cintura para me desviar do foco do assunto dessa lição e me apegar a Salvação dos Judeus. Falei que isto será assunto para a Revista do próximo trimestre… que tratará de assuntos escatológicos…. E penso, não existe teologia escatológica que não inclua o Israel… Obrigado pelo esclarecimento…!

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  4. Obrigado, meu irmão por auxiliarmos com os seus conhecimentos que realmente nos dão uma outra perspectiva do assunto.

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  5. Gostei muito do texto. Estava aqui estudando e tive o mesmo sentimento do irmão. Só para retificar a referencia da Igreja de Esmirna é Ap. 2.9.

    Grato, Cláudio. Já corrigi a referência.

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  6. O CONSULTOR TEOLOGICO, NAO PERCEBEU QUE A IGREJA CRESCEU ESPIRITUALMENTE,E QUE TEM FOME DE PALAVRAS , AGORA FICAM ENCHENDO LINGUIÇA E QUEREM QUE A IGREJA SE SATISFAS!!!!!

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  7. O comentarista esta em cima do murro, tem medo de falar sobre prosperidade. Que é só salvação, justificação, reino etc. Mas na prática vai olhar pro carro deles, a casa, as de praia também. Por favor minha gente. Prosperidade é vida abundante em Deus em todos os aspectos, fisico, material e espiritual, desde que tudo isso seja usado pra glorificar a Deus e ajudar ao próximo.
    SelmaMello

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  8. Quando li o inicio de sua explanação, dei risada e disse a mim mesmo: “Achei um que pensa como eu”. Penso que o comentarista apenas “encheu linguiça” como dizem na minha terra e não se aprofundou em tratar de um tema relevante na atualidade das Assembléias de Deus.
    Enfim, que Deus nos ilumine para que a VERDADEIRA PROSPERIDADE seja entendida, principalmente pelos lideres.

    Cassio, embora desconheça as condições e os termos em que a revista foi produzida, já nos primeiros comentários eu disse que ela pecava pela falta de objetividade, o que se repete aqui.

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