Vacas, maçãs e o verdadeiro evangelho

A imagem negativa do evangelho cada vez mais consolidada aos olhos da nação em decorrência das ações de destacados líderes religiosos, reforçada nos últimos dias pela batalha midiática entre Edir Macedo e Valdemiro Santiago, trouxeram-me à lembrança as palavras de Jesus: “Pelo fruto se conhece a árvore”. Equivale a dizer: se nasceu um terneirinho, a mãe tem de ser uma vaca.

A mídia tende a distorcer esse princípio, como se o fruto pudesse escolher a árvore. Mas o fruto é sempre resultado daquilo que a árvore é. O espinho não pode dizer que veio da macieira. Nem o terneiro pode alardear que nasceu de uma égua. Da mesma forma, é inconcebível que os frutos amargos desses “ministérios” brotem da árvore do evangelho, ainda que se denominem evangélicos. Estelionato, cobiça, dolo, contendas e arrogância não podem ser creditados a Cristo. Se eles produzem esses frutos, a árvore é outra.

Isso porque ninguém espera um fruto estranho à natureza do ser que o produz. Se você é uma macieira, o fruto que se espera de você é a maçã. Ou, se você for uma vaca, pressupõe-se que dará à luz um terneiro. Macieiras não produzem terneiros nem vacas trazem maçãs ao mundo. Nem umas nem outras cogitam essa possibilidade. Macieiras e vacas autênticas não vivem esse dilema. Elas sabem que produzirão apenas aquilo que corresponde à sua natureza. Jamais terão de justificar um fruto ou um bebê estranho.

Por isso, é anormal que uma pessoa ou entidade que alegue proclamar a mensagem do evangelho, caracterizado pela pureza e pela simplicidade, tenha a sua imagem associada à ganância, ao luxo e a esquemas suspeitos de arrecadação e aplicação de dinheiro.

É incompreensível que alguém que declare viver de acordo com a justiça de Deus dê todos os motivos para se tornar réu da justiça dos homens.

É inadmissível que pessoas comprometidas com o evangelho da paz vivam em pé de guerra por audiência, lucro ou qualquer outro motivo.

É lamentável que líderes carismáticos e capazes, que poderiam optar por pedir sabedoria do alto e assim conduzir milhões de almas ao céu, tenham preferido a esperteza dos vendilhões para explorar o rebanho.

E não se engane o leitor. À semelhança das vacas e macieiras do outro parágrafo, essas celebridades televisivas não têm nenhum dilema quanto à própria natureza. Eles sabem muito bem o que são, e os frutos de seu trabalho não são nenhuma surpresa para eles. É o que pretendem e o que sabem que vão produzir.

Apresentam-se como oliveiras, porém estão conscientes de que são espinheiros, e os espinhos de suas palavras e ações ferem o Corpo de Cristo e causam profundas lacerações à imagem do evangelho. Mas não se importam com isso, porque o evangelho deles é outro.

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4 comentários em “Vacas, maçãs e o verdadeiro evangelho

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