Lições Bíblicas: “Tiatira, a igreja tolerante”

Lição 6 — 2.° trimestre de 2012

Enquanto a igreja de Pérgamo, estudada na lição anterior, tendia a se misturar com o mundo, a igreja de Tiatira mantinha a sua identidade, porém adotava uma política de tolerância diante do pecado. Com base nisso, explique para os alunos a diferença entre ser “casado com o mundo” e tolerante com o pecado.

A igreja em Tiatira

Tiatira foi fundada por Seleuco I (311-280 a.C.) como posto militar avançado e por muitos séculos se manteve como cidade-fortaleza. Embora não fosse uma cidade das mais importantes, era um centro de comércio. Lídia, a vendedora de púrpura, era dessa cidade (At 16.14). Como já estudamos em outras lições, as relações comerciais estavam intimamente ligadas à religião pagã, o que em alguns casos resultava em perseguição à igreja, como é o caso de Esmirna (leia aqui, principalmente a seção “Esmirna, uma igreja mártir”). Tiatira parece ter “resolvido” o problema fazendo vista grossa ao paganismo praticado abertamente na igreja.

Identificação do destinatário

Um ponto a se ressaltar aqui é que o fato de Deus não punir imediatamente o pecado (longanimidade) muitas vezes induz a liderança e o povo a se esquecer de que Deus é onisciente e de que Cristo, como Senhor da igreja e juiz da humanidade, não deixará o pecado impune. Se ele agirá no momento em que se esgotar a “medida da iniquidade” (Gn 15.16) ou no juízo vindouro é algo que não podemos prever, mas a justiça sem dúvida será feita. É sobre isso que Jesus está alertando nos versículos 21-23.

Uma igreja rica em obras

Observe que uma das qualidades da igreja de Tiatira era a paciência, porém ao mesmo tempo Jesus condena a sua tolerância. São coisas distintas. A paciência, também motivo de elogios para Éfeso (Ap 2.2,3) e Filadélfia (3.10), é a virtude que se desenvolve na provação da fé (Tg 1.3), enquanto a tolerância pode ser indicação do desejo de fugir à prova, como parece ser o caso de Tiatira. Sua paciência por certo era notada em outros aspectos de sua existência, mas não com relação às ameaças do paganismo.

O fato de as  últimas obras serem mais numerosas que as primeiras (ou seja, era uma igreja dedicada ao serviço do Reino) não impediu o desenvolvimento do ministério maléfica de Jezabel. Isso mostra que uma igreja muito boa pode ter seus vícios e que a virtude demonstrada de um lado não expurga automaticamente o mal que cresce em outra parte. A igreja precisa ter o cuidado de se aperfeiçoar na prática do bem, mas nunca descuidar de combater o mal.

Jezabel, e as profundezas de Satanás

As lideranças mais legalistas das Assembleias de Deus costumam usar a figura de Jezabel para condenar a vaidade feminina na questão de usos e costumes, lembrando que ela “se pintou em volta dos olhos” (2Rs 9.30), mas isso demonstra a tendência farisaica de coar um mosquito e engolir um camelo. O “camelo” de Jezabel era a prostituição física e espiritual. Quanto ao “mosquito”, o texto nem mesmo é condenatório, apenas descreve um costume. É de espantar o número de líderes zelosos da “sã doutrina” que em épocas de eleição vendem seu voto aos políticos, que são coniventes com pecados graves de membros mais abastados ou que agem como ímpios no âmbito das convenções eclesiásticas. Eles é que se parecem com Jezabel, a despeito de não terem os olhos pintados.

Jezabel representa aquelas lideranças paralelas, às vezes envolvendo “profetas”, que podem até se tornar bem influentes. Esses líderes não oficiais reúnem em torno de si pessoas manipuláveis ou com ideias semelhantes e acabam criando uma igreja dentro da igreja, às vezes até com um sistema “doutrinário” e — não raro — financeiro próprio. No caso assembleiano, a justificativa geralmente é a “santidade”, porém os malefícios são evidentes. Já contei neste blog um caso interessante de um desses líderes (leia aqui). Você pode até usá-lo como ilustração.

O gnosticismo que se desenvolveu depois dos tempos do Novo Testamento ensinava que, para derrotar Satanás, era necessário entrar em sua fortaleza, ou seja, ter profunda experiência com o mal. Contudo, as “profundezas de Satanás” parecem estar relacionadas com as práticas abomináveis instituídas por Jezabel em Tiatira já nos tempos de João e, portanto, com essa falsa doutrina.

Lição 7 (leia aqui).

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s