Lições Bíblicas: “As dores do abandono”

Lição 12 — 3.° trimestre de 2012

A sensação de ter sido abandonado causa-nos profundo impacto emocional, e sentimentos como tristeza, revolta ou desânimo podem passar a ditar as regras de nossa vida. Há pessoas que encontram forças para se reerguer, mas outras passam a ter uma existência melancólica ou mesmo perdem a razão. O crente não tem nenhuma garantia de que não será abandonado em algum momento de sua vida por seus familiares, amigos e outras pessoas de sua convivência, no entanto pode contar com a lealdade de Deus.  Busque em sites e livros de psicologia mais informações sobre o sentimentos de abandono e seus efeitos na vida humana e aplique essas informações à medida que for explicando os vários tópicos da lição.

O abandono familiar

O abandono pela família pode ocorrer de muitas maneiras. Em tempos idos, quem se convertia ao evangelho corria serio risco de ser rejeitado pelos outros membros da família e até de ser expulso de casa. Jesus alertou que isso poderia acontecer (Mc 13.13). Hoje, nos países em que outras religiões exercem domínio numérico e/ ou político é comum o cristão ser abandonado por todos, às vezes até para evitar problemas. Pesquise sobre a igreja perseguida e encontrará inúmeros exemplos.

Mas a pessoa também pode se sentir abandonada em casa, mesmo cercado de familiares. Há casais que apenas vivem juntos,  mas intimamente um já abandonou o outro. Dormem na mesma cama, porém a distância que há entre eles é imensa. Não deixe de citar também o abandono físico, ou seja, quando um dos cônjuges vai embora. Os pais também podem abandonar os filhos. Não são raros os casos de jovens mães desesperadas ou desajuizadas que abandonam o filho recém-nascido numa porta qualquer.

Quem adoece também é um bom candidato ao abandono. O jovem alegre que sofre um acidente e passa a viver numa cadeira de rodas quase sempre é abandonado pelos amigos de festejos. Quem sofre com depressão também acaba afastando, temporariamente ou não, as pessoas de sua convivência. Um exemplo que você pode apresentar à classe: visitei um hospital certa vez e ao passar por um dos quartos vi um jovem que, pelos grunhidos que emitia e pelos movimentos descontrolados, demonstrava ser alguém que havia perdido grande parte da capacidade motora e cerebral. De fato, informaram-me que ele havia sofrido um acidente e que os parentes, ao perceber que a situação do rapaz era irrecuperável, simplesmente o abandonou no hospital. Havia quatro anos que ninguém o visitava.

Abandono em situações difíceis

A dificuldade financeira é um repelente infalível de amigos e parentes. No livro de Jó, somos informados de que ele tinha muitos parentes e amigos, porém eles  só parecem no final, talvez um tanto envergonhados de não o terem socorrido antes. De qualquer forma, “vieram a ele todos os seus irmãos e todas as suas irmãs e todos quantos dantes o conheceram, e comeram com ele pão em sua casa, e se condoeram dele, e o consolaram de todo o mal que o Senhor lhe havia enviado; e cada um deles lhe deu uma peça de dinheiro, e cada um, um pendente de ouro” (Jó 42.11).

A perda da amizade também pode pesar tanto quanto a morte de um ente querido. Sugiro a leitura do meu artigo “Sobre as amizades perdidas” (clique aqui).

Não poucas pessoas também experimentam o abandono na igreja. Ouvem uma mensagem fervorosa sobre o amor de Deus e se convertem, mas logo se veem isolados do grupo. O amor era só teoria. Muitos deles não sobrevivem espiritualmente. As igrejas precisam redescobrir o senso de comunidade da Igreja primitiva, que tinha verdadeiro cuidado dos seus (At 2.42-47). Os membros que caem em desgraça por algum pecado também costumam ser abandonados. Se for ministro, não escapa ao desprezo dos colegas de ministério.

O Deus que não abandona

O cristão leva grande vantagem na questão do abandono, porque pode contar com um Deus que é infalível em sua lealdade (Is 49.15). Ele nunca nos abandona, mesmo quando as circunstâncias parecem indicar o contrário. Lembro-me de que certa vez eu experimentava um forte sentimento de abandono. Pensava até que Deus não se importava mais comigo (as convicções teológicas também costumam nos abandonar nessas horas). Então a esposa de um pastor, que era minha amiga, sem saber de nada um dia veio ao meu encontro e falou: “Olha, Jesus mandou dizer  que quando ele parece estar mais longe é quando ele está mais perto”. Foi um grande consolo. Temos dificuldade para entender e perceber a lealdade de Deus porque ele costuma trabalhar nos bastidores. Mas ele é alguém em quem podemos confiar. Sobre esse assunto, leia o meu artigo “Uma estranha ordem de Deus” (clique aqui).

No final da aula, lembre aos alunos a Regra de Ouro (Mt 7.12; Lc 6.31). Assim como não queremos ser abandonados, também devemos cuidar para que não sejamos nós os agentes do abandono.

Lição 13 (leia aqui).

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2 comentários em “Lições Bíblicas: “As dores do abandono”

  1. Perfeito. Jesus está sempre do nosso lado, seja nos maus tempos ou nos bons, jamais nos abandona. Abraços Judson, seus textos são sempre muito confortantes.

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