Lições Bíblicas: “A vida plena nas aflições”

Lição 14 — 3.° trimestre de 2012

A grande vantagem do cristianismo sobre os outros estilos de vida, religiões e filosofias é que a pessoa que vive “em Cristo” (2Co 5.17) encontra verdadeira alegria e mesmo a felicidade sem depender das circunstâncias. Os pregadores da prosperidade condicionam espiritualidade saudável às posses materiais. As religiões pagãs vinculam a alegria de viver à pratica de rituais e a jornadas interiores que levam o ser humano a supostos estágios de iluminação e de paz. Contudo, a pessoa que aceita a Cristo já encontra a alegria/ felicidade no começo. O desenvolvimento espiritual que ela venha a ter não é uma busca da felicidade: é o crescimento espiritual cuja base já é a alegria (leia At 2.46; Rm 14.17).

Vivendo as aflições da vida

Se a vida plena/ feliz em Cristo dependesse das circunstâncias, a biografia do apóstolo Paulo, que se depreende do livro de Atos e das informações fornecidas pelo próprio apóstolo em suas cartas,  seria o paradigma da infelicidade. Basta ler passagens como 2Coríntios 6.1-10 e 11.23-28 para se perceber uma existência que conheceu poucos momentos de tranquilidade. Paulo era constantemente assediado por inimigos de dentro e de fora da Igreja (leia também At 9.29; 21.31; 1Co 9.2,3). Em determinados momentos, teve de trabalhar para sustentar o próprio ministério (At 18.1-3; 2Rs 3.8). Parece que até  a natureza conspirava contra ele (At 27). Nem mesmo a igreja de Jerusalém o tratou com a devida consideração (At 21.18-26). Paulo também não desfrutou uma sossegada aposentadoria. Não encerrou a carreira cercado de netos e do respeito de seus pares: morreu decapitado pelas mãos de um verdugo anônimo (consulte alguma biografia de Paulo para mais detalhes).

Paulo nunca se apoiou numa base material ou numa situação estável para se sentir realizado e feliz. Sobre a questão das posses materiais, sua teologia era reflexo dos ensinos de Cristo (leia 1Tm 6.8-12 e compare com Mt 6.25-33).

Lembre os alunos, entretanto, que isso não significa que o cristão tenha de viver pela cultura do martírio ou pela teologia da miséria. Deus concede aos seus servos bênçãos e oportunidades, e a verdadeira alegria também pode estar aí. Assim como ela não depende de circunstâncias desfavoráveis, também não será prejudicada por uma situação favorável. Sobre esse assunto, leia o meu artigo “Vida plena em casca de noz” (clique aqui), especialmente a parte em que menciono o exemplo de José do Egito.

Contentando-se em Cristo 

Em 2Coríntios 6.10, após enumerar as suas dificuldades, Paulo afirma que vive “como nada tendo e possuindo tudo”. Isso é um testemunho de que ele encontrou a suficiência em Cristo. O apóstolo lembra os seus leitores, na mesma carta, que em certa ocasião pediu a Deus que o livrasse de um “espinho na carne”. Sua oração não foi atendida, e o próprio Deus o lembrou de que ele já tinha tudo de que precisava para ser feliz: “A minha graça te basta” (2Co 12.7-9).

Amadurecendo pela suficiência de Cristo

A alegria é como o casamento ideal. Ela se sustenta na pobreza e na riqueza, na doença e na saúde, em todos os bons e maus momentos. Como já disse, a alegria está no início de tudo. As experiências agradáveis e desagradáveis que resultam em crescimento cristão não extinguem a felicidade que alcançou aquele que está “em Cristo”.

É o momento de falar no processo da santificação (pesquise o assunto numa teologia sistemática). Explique que esse processo não tem como propósito nos conduzir à felicidade. A santificação nos faz crescer espiritualmente, porém felizes nós já somos.  É óbvio que a descoberta de novas verdades espirituais pode fazer aumentar a nossa alegria, mas isso é consequência, não o objetivo do crescimento espiritual. Além disso, temos o mandamento nos alegrarmos, o que na verdade contribui para o nosso crescimento espiritual (Fp 4.4; 1Ts 5.16).

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