O politicamente “correto” e a promoção da covardia

Existem dois tipos de covardia: a que leva a pessoa a deixar de fazer alguma coisa ou a se retratar e a que induz à ação por conta da impunidade. Duas notícias que li hoje comprovam o que escrevi aqui: a filosofia do politicamente “correto”, que se tenta impor ao mundo por todos os meios midiáticos e pelos canais políticos, está promovendo a covardia como estilo de vida.

Na primeira matéria, o ator Bam Margera, da série de filmes Jackass, postou uma foto no Twitter em que aparece apontando uma arma contra a cabeça de um cãozinho. Imediatamente, grupos de defesa dos direitos dos animais e leitores “ofendidos” protestaram com veemência. E o ator, que nos filmes participa de várias ações “corajosas”, veio a público se desculpar pela “ofensa” (leia aqui).

A segunda matéria informa que o grupo punk Pussy Riot, que foi notícia dias atrás por usar o templo da Igreja Ortodoxa em Moscou para protestar com sua música anticristã contra o presidente russo, Vladimir Putin, agora concorre ao Prêmio Sakharov à Liberdade de Consciência do Parlamento Europeu (leia as notícias aqui e aqui). É certo que as moças receberam uma condenação exagerada: dois anos de trabalhos forçados — aliás, penso que nem se deveria exigir punição em casos assim (leia aqui) —, mas premiar o desrespeito é demais! Assim, o politicamente “correto”, que se diz respeitoso, deixa claro que o respeito é devido a todos, menos para alguns. Isso é prato cheio para os covardes que querem “fazer”, porque os tais só agem quando há garantia de que sairão impunes — ou premiados.

Postas lado a lado, as duas matérias (e outras há) expõem a nebulosa ética desse movimento: brincar com um filhote de cachorro é ofensa; cantar músicas com letras anticristãs diante do altar de uma igreja é liberdade de consciência. E ai de quem discordar!

Anotem aí: o politicamente “correto” jamais produzirá respeito algum. O que a sua óbvia incoerência promove é a covardia. Dos dois tipos.

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