Lições Bíblicas: “Obadias — o princípio da retribuição”

Lição 5 — 4.° trimestre de 2012

Dois temas são ressaltados no pequeno livro de Obadias: a soberania de Deus e o princípio da retribuição. A análise dos pecados de Edom também pode resultar numa boa aplicação para os dias de hoje.

A soberania de Deus

Comece a explicar o assunto desta seção com uma definição da soberania divina: “Conceito bíblico supremo e da autoridade legal de Deus como rei de todo o universo” (Dicionário de teologia: edição de bolso, Editora Vida). Consulte outras obras teológicas que expliquem o conceito mais a fundo. O tema da soberania divina costuma desembocar na velha e não resolvida discussão sobre livre-arbítrio, presciência e predestinação. Estude também esses conceitos. Os defensores da doutrina predestinacionista entendem a eleição divina de duas formas: 1) Deus predestinou os salvos e os perdidos; 2) Deus predestinou apenas os salvos, os perdidos são perdidos porque não foram predestinados para a salvação. Como a predestinação do salvo resulta necessariamente na condenação eterna do não predestinado para a salvação, não vejo diferença alguma na situação de salvos e perdidos. Essa discussão tende a se tornar inócua, por isso não se prolongue nela. Minha opinião é que a predestinação não pode ser explicada sobre a tábua espaço-temporal: ela faz parte dos desígnios eternos de Deus, e a mente finita não tem condições de explicá-la a contento. Para “o tempo que se chama Hoje” (Hb 3.13), vale mais ressaltar a responsabilidade pessoal. Quanto a isso, pelo menos, a Bíblia não deixa dúvidas (Rm 14.12 etc.). É óbvio que Deus soberano tem plenos poderes para condenar ou salvar quem quiser, mas seria essa a realidade do plano divino de salvação que nos foi revelado? Fica a questão.

O livro de Obadias

Não sei por que o autor deixou as informações técnicas para a segunda seção. Acho melhor você começar a aula com as informações do livro, para situar os alunos, e só depois explicar o tema da primeira seção, que é a soberania de Deus. Obadias é o menor livro da Bíblia hebraica, um capítulo único dividido em 21 versículos. É um nome bem comum no Antigo Testamento e significa “servo do Senhor”. Por isso, é possível que nesse livro nem seja um nome próprio, como também parece ser o caso de Malaquias. Para mais  informações técnicas sobre o livro, que compõe a segunda seção, veja o meu artigo “Algumas curiosidades sobre os Profetas Menores”, principalmente a “Atualização”, com dicas que valem para todas as lições (leia aqui).

Edom, o profano

O livro de Obadias nos permite deduzir alguns dos pecados do povo descendente de Esaú:

Arrogância/ orgulho (v. 3a). Esse pecado foi o que determinou a queda de Satanás (Is 14.11; leia também Jó 40.11,12; Pv 21.13; Is 2.12 ).

Autossuficiência(v. 3b,4). Os edomitas se sentiam seguros em suas fortalezas nas montanhas, cerca de mil metros acima de Jerusalém (v. 3; a expressão “fendas das rochas” pode ser uma alusão à antiga cidade de Petra, escavada na rocha) e guardavam em cavernas os tesouros acumulados nas transações comerciais (v. 6).  Vale lembrar que esse era também o pecado da igreja de Laodiceia (leia aqui, principalmente a seção “A situação espiritual da igreja de Laodiceia”).

Violência (v. 10). A violência foi um dos principais motivos para Deus enviar o dilúvio (Gn 6. 11,13; leia também Sl 11.5; Pv 3.31; Is 59.6).

Rancor (v. 12,13). Edom, sempre alimentando a antiga rixa com os descendentes de Jacó, alegrou-se com a desgraça de de Judá. Os edomitas se alegravam quando o mal era praticado (leia Pv 2.14; 1Co 13.6).

Tente identificar outros pecados de Edom no texto e aplique-os à situação de hoje (afinal, estamos falando da atualidade dos Profetas Menores, lembra-se?).

A retribuição divina

Nos tempos do Antigo Testamento, as nações “enchiam a sua medida” de pecados, e eram punidas por isso. Israel às vezes era o instrumento de Deus para aplicar o castigo: a conquista de Canaã teve essa motivação (Gn 15.16; leia também Jr 51.13). Em contrapartida, Deus chegou utilizar nações ímpias para castigar o pecado de seu povo (aliás, esse é um dos temas do livro de Habacuque, que estudaremos mais adiante). Nos dias de hoje, é difícil definir se a derrocada de alguma nação é resultado de ação divina. Mas você deve ressaltar que Deus é justo, e, mesmo as injustiças que não são reparadas por ele nesta vida, por certo o serão quando o Senhor vier julgar e governar este mundo de maneira definitiva. É por isso que o crente não se incomoda com a aparente letargia divina (o argumento favorito dos ateus). Ele sabe que Deus, a seu tempo, dará a devida retribuição às obras de cada um (leia Jr 51.56; Lm 3.64; 2Co 5.10; Hb 10.30).

Lição 6 (leia aqui).

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s