Lições Bíblicas: “Naum — o limite da tolerância divina”

Lição 8 — 4.° trimestre de 2012

O tema da lição desta semana é antigo mas bastante bastante atual. Fala da relação de Deus com a maldade do mundo, e é um assunto que tem gerado debates furiosos ao longo dos séculos. Ao preparar a sua aula, pesquise com especial atenção a questão da longanimidade e da justiça de Deus. Toda a lição gira em torno desses dois atributos.

O livro de Naum

Para mais informações técnicas sobre o livro, veja o meu artigo “Algumas curiosidades sobre os Profetas Menores”, principalmente a “Atualização”, com dicas que valem para todas as lições (leia aqui).

Tolerância e vindicação

O crescente sentimento anticristão que norteia algumas políticas importantes dos dias atuais baseiam-se, a meu ver, em duas antigas acusações contra Deus: a de que ele permite o mal e a de que ele castiga o mal. Nesta seção, estudaremos o primeiro caso.

Uma velha reclamação contra Deus, e você já deve ter ouvido milhares de vezes, principalmente após a notícia de uma tragédia qualquer, grande ou pequena, é esta: “Como Deus pode permitir uma coisa dessas?”. Esse choramingo tem outras variantes: “Que Deus é este?”; ou: “Como posso crer num Deus que…?”.  Em 2010, quando o filho da atriz Cissa Guimarães morreu atropelado por um carro que participava de um racha, o humorista Chico Anysio escreveu (a sério): “Que Deus é este que deixa que morra um menino de 18 anos, à espera de começar seu caminho na vida e deixa vivo e solto o animal que o atropelou, o débil mental que faz de um túnel uma pista de corrida e simplesmente arranca da vida um ser bonito, jovem, ansioso por começar a viver, filho de uma mãe maravilhosa, como colega, como amiga e como pessoa?”. (Leia a matéria aqui.)

Fato interessante é que quem reclama da “injustiça” de Deus é quem não quer nada com ele. Então é assim: cada um vive como quer, faz o que quer, e Deus tem a obrigação de consertar tudo. Se alguém comete um crime, Deus tem de intervir e punir o culpado com absoluta justiça. Aliás, de acordo com esse raciocínio Deus não deveria permitir nenhum crime ou nenhuma tragédia no mundo. Os carros poderiam andar a toda velocidade pelas ruas, sem precisar parar no sinal vermelho, e Deus cuidaria para que nem mesmo acontecesse um arranhão na pintura. Pedestres atravessariam a rua assobiando entre a farra dos motoristas malucos sem nem mesmo despentear o cabelo. Carros, barcos e aviões não precisariam de manutenção, pois Deus estaria de plantão para nunca deixar que colidissem, afundassem ou caíssem. Pense na possibilidade de qualquer mal no mundo, e Deus estaria lá para evitá-lo ou consertá-lo.

A falha gritante nesse raciocínio é que os acusadores de Deus esquecem de olhar para si. Ou será que são pessoas perfeitas, que nunca fizeram mal a ninguém? Quem pode contestar as palavras de Paulo: “Não há quem faça o bem, não há nem um só” (Rm 3.12). O ser humano é pecador, e quem acusa a Deus não passa de um arrogante que não admite a sua participação no estado caótico do mundo e de um covarde que não assume os próprios erros. Se Deus fosse mesmo punir cada maldade praticada no mundo, eles seriam os primeiros a ser castigados. Nem mesmo os filhos de Deus conseguem fazer o bem que desejam (Rm 7.18). A esses chorões, a única lamentação que se aplica é esta: “De que se queixa, pois, o homem vivente? Queixe-se cada um dos seus pecados. Esquadrinhemos os nossos caminhos, experimentemo-los e voltemos para o Senhor” (Lm 3.39,40).

O castigo dos inimigos

Da mesma forma que reclamam da longanimidade de Deus, os chorões arrogantes criticam a sua justiça, principalmente os casos em que ele ordenou  ou executou a destruição de povos na Bíblia (leia Gn 19; Dt 7.2; Dt 13.20). Mas Deus punia justamente a maldade desses povos (leia Gn 15.16; 18.20). Se crianças ou pessoas “inocentes” (leia de novo Rm 3.12) morriam nessas ocasiões, é porque no plano de Deus isso era necessário. Raciocínio simplista, eu sei, mas o espaço não permite maior discussão, até porque o assunto é complexo. Mas quem crê em Deus tem menos dificuldade para aceitar as suas ações que nos parecem incompreensíveis. Os ateus e inimigos do evangelho é que não têm facilidade para entender nada (leia 2Co 4.4).

Além disso, Deus é o dono da vida, o supremo Oleiro que tem todo o poder sobre o barro. O ser humano, criatura decaída, quer ter senso de propriedade, mas não admite que o Criador de tudo tenha autonomia para fazer o quiser com a sua obra (leia Is 45.9). A mesma Bíblia usada para acusar a Deus de injustiça mostra de várias maneiras que ele é justo e que mais cedo ou mais tarde irá julgar com absoluta justiça todas as coisas.

A verdade inegável é que Deus é longânimo, misericordioso e justo. Quem peca é o ser humano, não Deus. O mal que Deus permite no mundo não é descaso, é paciente espera por arrependimento (2Pe 3.9). A cidade de Nínive é um exemplo dessas duas virtudes divinas. Na lição sobre Jonas, ele se mostrou misericordioso para com o povo da cidade, dando-lhes a chance de se arrepender, que eles aproveitaram. Cerca de cem anos depois, entretanto, é anunciada a destruição definitiva da cidade pelo profeta Naum. Os pecados dos ninivitas das gerações seguintes culminaram na execução do juízo divino. Deus, como sempre, fez justiça.

Chegará também o tempo do limite de tolerância para o mundo e do juízo definitivo de Deus sobre todas as causas. A história de Nínive ilustra muito bem essa verdade.

Lição 9 (leia aqui).

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