Lições Bíblicas: “Ageu — o compromisso do povo da aliança”

Lição 11 — 4.° trimestre de 2012

Esta lição constitui uma boa oportunidade para a discussão de um assunto importante para a vida cristã: o estabelecimento de nossas prioridades. A inversão de  prioridades sempre irá resultar em prejuízos para a nossa vida pessoal e espiritual e para a vida da igreja.

O livro de Ageu

“As palavras de Ageu foram dirigidas à comunidade pós-exílica dezoito anos após o primeiro retorno dos exilados. O templo ainda não havia sido restaurado, e a liderança estava bastante desencorajada, não só por causa da oposição local, mas também pela letargia do próprio povo. Dario, da Pérsia, tinha interesse em preservar as religiões de seu império. Portanto, levando-se em conta o impulso que seu apoio podia oferecer, está claro que os judeus eram mais responsáveis pela inatividade que seus oponentes” (Archaelogical Bible)”.

“A convocação para a obra de reconstrução do templo, feita por Ageu, não foi a primeira iniciativa para restaurar essa estrutura. De acordo com Ed 5.13-16, o projeto começou após o decreto de Ciro, em 538 a.C. (cf. Ed 1). Os judeus repatriados concluíram a fundação pouco depois (Ed 3.8-11), contudo permitiram que a oposição os impedisse de continuar a obra do templo (Ed 4.23,24)” (idem).

Para mais informações técnicas sobre o livro, veja o meu artigo “Algumas curiosidades sobre os Profetas Menores”, principalmente a “Atualização”, com dicas que valem para todas as lições (leia aqui).

Responsabilidade e obrigações 

O desinteresse ou negligência para com as nossas obrigações pode nos levar ao estabelecimento equivocado das prioridades. Creio que o oposto também acontece. Tornamo-nos irresponsáveis quando estamos mais preocupados em satisfazer caprichos pessoais ou quando damos demasiada importância a questões secundárias. Ocupamo-nos das picuinhas enquanto as coisas mais importantes se perdem de vista. No entanto, é preciso ter cuidado ao explicar esse ponto, porque uma coisa não anula a outra. O fato de você estabelecer as prioridades corretas não o isenta de cuidar dos assuntos secundários. Até porque o conceito de prioridade traz em si a ideia de ordem, não de exclusão de algo em detrimento de outro. As coisas humildes também são importantes (leia Zc 4.10).  O nosso mundo pode ser pequeno e limitado, mas a sabedoria nos manda extrair o melhor de cada situação. Trato desse tema em meu artigo “Vida plena em casca de noz” (leia aqui).

Num estudo bíblico ministrado pelo pastor Werner Honsalek, aprendi o que considero a ordem mais sensata das prioridades da vida cristã: em primeiro lugar, Deus; em segundo lugar, a família; em terceiro lugar, a igreja. Ninguém questiona o fato de de Deus encabeçar as nossas prioridades, antes mesmo da família e de qualquer outra coisa (Mt 10.37,38). Mas para muitos a ideia de considerar a família antes da igreja local soa como heresia, principalmente no sistema das Assembleias de Deus, que exige muito tempo de seus obreiros. Muitos homens e mulheres dedicados ao ministério perderam a família por que não souberam distinguir Deus de sua obra. Deus precisa de obreiros, mas um dos requisitos para o ministério é a boa administração da casa (1Tm 3.4,5). Muitos de fato apresentam essa qualificação, mas depois entulham a agenda ministerial com tarefas e compromissos além do razoável e, até sem querer, acabam relegando a família a um nível muito baixo em suas obrigações.

Talvez algum aluno lhe pergunte se o profeta Ageu não está recomendado justamente o contrário (Ag 1.4-11), porque o povo estava mais preocupado em cuidar dos próprios negócios que da construção do Templo. Mas a situação aqui é que a obra do Templo (o segundo, pois o templo de Salomão fora destruído) era um assunto em que Deus estava diretamente envolvido  e que demandava urgência (Ag 1.13,14). Não se tratava do exercício normal do ministério ou mesmo das obrigações religiosas do povo, mas do cumprimento de um plano específico de Deus (Ag 2.6-9). Além disso, a excessiva preocupação com as questões seculares não significa necessariamente que as famílias eram bem cuidadas. Os trabalhadores compulsivos (workaholic, como a ovelhinha aqui) tendem a negligenciar a família e acabam por perdê-la, ainda que as intenções sejam boas, como proporcionar ao cônjuge e aos filhos uma vida confortável.

Exortação divina

Quem estabelece as prioridades corretas terá naturalmente a vida facilitada. Tudo funciona melhor quando não há peças fora de lugar. Além disso, a exemplo dos judeus da época de Ageu, temos a promessa de que o próprio Deus cuidará de nossas necessidades, ou seja, daquilo que somos incapazes de prover (Ag 2.19; Mt 19.27-29).

Lição 12 (leia aqui).

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