Lições Bíblicas: “Elias, o tisbita”

Lição 2 — 1.° trimestre de 2013

Na primeira lição, fomos informados do estado de decadência da nação de Israel na época em que atuaram Elias e Eliseu. Nesta segunda lição, ficamos conhecendo a pessoa do primeiros desses dois grandes profetas. Nas Escrituras e também no que diz respeito ao relacionamento com Deus, a individualidade é um tema importante, daí a razão de se despertar nos alunos o interesse pela história dos grandes homens e mulheres de Deus que conhecemos por meio da Bíblia. É uma boa oportunidade para incentivar a classe a ler também as biografias dos servos de Deus de outras épocas, principalmente, para os assembleianos, O diário do pioneiro e Enviado por Deus, sobre a vida de Gunnar Vingren e Daniel Berg, respectivamente, publicados pela CPAD. Sobre o tema da individualidade, você pode pesquisar os comentários das seguintes passagens: Mateus 16.27; Romanos 14.5; 1Coríntios 3.13. Apenas cuide para não se estender demais no assunto, pois você ainda está na introdução.

A identidade de Elias

Usando o gancho da individualidade, que você ressaltou na introdução, passe à explanação sobre a pessoa desse importante profeta. Ele viveu no século IX a.C. A Archaelogical Bible sugere 875 a 848 a.C. como o período de seu ministério. A Bíblia em ordem cronológica situa o início de suas atividades ministeriais em 883 ou 889 a.C.

Além da conhecida associação de Elias com João Batista (Ml 4.5; Mt 11.13,14 etc.), é inevitável a comparação com o rei-sacerdote Melquisedeque, misteriosa personagem “sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida” (Hb 7.3; leia Gn 14.18; Sl 110.4). Da mesma forma, Elias aparece no cenário bíblico sem nenhuma apresentação ou identificação de família (1Rs 17.1), exceto a informação de que ele era da cidade de Tisbe (assim como o texto de Gênesis informa que Melquisedeque era de Salém). E, da mesma forma que o rei-sacerdote não teve “fim de vida”, o profeta foi arrebatado vivo ao céu (2Rs 2.9-11). Essas semelhanças talvez sirvam para destacar a importância de Elias no plano da redenção da humanidade, como representante do ministério profético do Antigo Testamento (Mc 9.13; Lc 9.30,31), assim como Moisés representou a Lei. João, no espírito de Elias, foi o porteiro da era da graça (Mt 3.1-3; 17.10-13).

O ministério profético de Elias

Nos “Objetivos”, propõe-se que o aluno, após a aula,  saiba “descrever a vocação e a chamada de Elias” (grifos meus). Ora, como diz o próprio autor na introdução, “Elias aparece nas páginas da Bíblia como se viesse do nada”. É o que também comento na seção anterior. Se existe uma coisa que não dá para descrever é a chamada de Elias, porque não há registro dela em lugar algum. No máximo podemos inferi-la de declarações como a de 1Reis 18.36. Talvez fosse melhor refazer esse objetivo: “Explicar a vocação divina de Elias” ou algo assim.

No livro Ministério cristão, que desenvolvi para o Ensinai (curso de teologia básica da AD de Curitiba), identifico três tipos de chamada (texto adaptado):

Chamada divina ou direta. É quando Deus escolhe os seus obreiros de maneira direta, por alguma comunicação pessoal. Parece ser o método mais utilizado pelo Senhor na escolha de seus ministros, porque a maioria dos que hoje fazem parte do ministério costuma relatar esse tipo de experiência. A chamada divina em geral é confirmada também por terceiros. Não se sabe como se deu a chamada de Elias, mas é bem provável que tenha sido dessa forma. Leia também Atos 9.1-22.

Chamada humana ou indireta. Há ocasiões em que Deus não chama diretamente o cristão, preferindo convocá-lo por meio do ministério, ou seja, de instrumento humano. Afinal, o corpo de ministros da igreja deve ser orientado pelo Espírito Santo. Foi esse o caso de Eliseu, recrutado por Elias (1Rs 19.16-21). Observe que antes houve uma comunicação direta entre Deus e Elias (v. 16). Leia também Atos 13.1-3. Essa comunicação direta com o instrumento humano não é de lei, pois se o pastor está afinado com Deus ele saberá o momento e a pessoaque deve escolher para integrar o ministério.

Chamada própria ou inerente. Há cristãos que não recebem chamada direta de Deus nem convite explícito da parte de outros cristãos. O convite acabará existindo, é claro, mas nesse tipo de chamada o convidado nunca é apanhado de surpresa, pois ele já se sente um obreiro do Senhor mesmo antes de começar a exercer alguma função ministerial. Eles se dedicam por conta própria ao estudo da Palavra, matriculam-se no seminário ou ingressam em alguma escola de missões, até que surja a oportunidade de trabalhar. Parece ser esse o caso dos “filhos dos profetas”, discípulos de Eliseu, que administrava uma espécie de escola para esses vocacionados (nada impede também que alguns deles fossem tivessem chamada direta ou indireta).

É óbvio que toda chamada para o ministério carece do aval divino. Utilizo os termos “humana” e “própria” apenas para fins de definição. Explique isso aos seus alunos, caso resolva aproveitar o meu esboço.

Elias e a monarquia/ Elias e a literatura bíblica

A busca da justiça (por exemplo, Am 5.10-13) e a restauração do culto a Deus (por exemplo, Ml 1.7-14) praticamente definem o ministério profético do Antigo Testamento no que diz respeito à tarefa de arauto de Deus entre o povo.

O autor afirma que Elias deu início à tradição profética no contexto da monarquia, mas convém lembrar que desde o início do sistema monárquico em Israel o ministério profético acompanhou de perto as ações dos reis. Foi assim com Saul (1Sm 9.15-17; 11.12-15 etc.), Davi (1Sm 22.5; 12.1-14), Salomão (1Rs 1.43-45), Jeroboão (1Rs 11.29-31; 13.1-10) e outros antes da época de Elias.

Lição 3 (leia aqui).

BIBLIOGRAFIA: * Bíblia. Inglês. Archaelogical Bible. New International Version. 8. 
ed. Grand Rapids: Zondervan, 2007. * Bíblia. Português. A Bíblia em ordem 
cronológica. Nova versão internacional. Tradução de Judson Canto (títulos e textos 
explicativos). Org. por Edward Reese e Frank Klassen. São Paulo: Vida, 2003. 
* Bíblia. Português. Bíblia de estudo Dake. Revista e corrigida 1995. Rio de 
Janeiro: CPAD, 2009. * Bíblia. Português. Bíblia de estudo NVI. Nova versão 
internacional. Org. por Kenneth BARKER. Trad. Gordon Chown (notas). São Paulo: 
Vida, 2003. * Champlin, Russell Norman; Bentes, João Marques. Enciclopédia de 
Bíblia, teologia e filosofia. 4. ed. São Paulo: Candeia, 1995, v. 2. * Schultz, 
Samuel J. A história de Israel. Tradução de João Marques Bentes. 4. reimpr. São 
Paulo: Vida Nova, 1988. * Unger, Merril Frederick. Manual bíblico Unger. Revisado 
por Gary N. Larson. Tradução de Eduardo Pereira e Ferreira & Lucy Yamakami. 3. 
reimpr. São Paulo: Vida Nova, 2011.
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