Os ratos de Skyfall e as lideranças evangélicas

Não é novidade para ninguém, crente ou descrente, que as guerras entre pastores deflagradas nos últimos anos, seja no ambiente reservado das convenções, seja no teatro escancarado da mídia, indicam que uma nova espécie de ministros foi gerada nos laboratórios da cristandade. Estes, em vez de criar uma liderança mais resistente ao vírus dos “tempos trabalhosos” do pós-modernismo, deixaram escapar das gaiolas uma espécie que se tornou mais combativa, mas que também adquiriu hábitos canibalescos. Tornaram-se então criaturas mais interessadas em devorar os seus pares que em atacar as estruturas do mal. Como isso aconteceu?

Uma boa resposta está no filme Skyfall, o mais recente da franquia James Bond. No primeiro encontro com o agente britânico, o vilão Raoul Silva, interpretado por Javier Bardem, conta uma história que se encaixa à situação como a escola dominical ao domingo.

Raoul Silva

Cena de Skyfall

Como em toda parábola, convém explicar (neste caso, com antecedência) alguns elementos, para facilitar a compreensão. Silva e sua avó representam o Diabo e suas estratégias para conter o avanço do evangelho. Os ratos, numa rara simbologia positiva, são os servos de Deus, e os cocos que eles devoram, as citadas estruturas do mal, que precisam ser corroídas pelos agentes de Deus. O barril são as “astutas ciladas” do Maligno, armadas contra o ministério. Creio que o desfecho da história dispensa explicações.

Minha avó tinha uma ilha. Nada para se vangloriar. Dava-se uma volta nela em uma hora. Mas ainda assim era um paraíso para nós. Num verão, fizemos uma visita e descobrimos que o lugar estava infestado de ratos. Chegaram num barco de pesca e passaram a se alimentar de cocos. E agora, como se livrar dos ratos de uma ilha? Minha avó me ensinou. Enterramos um barril e o deixamos aberto, depois colocamos um coco como isca. Então os ratos foram atrás do coco e caíram no barril. Depois de um mês, prendemos todos os ratos. O que fizemos depois? Jogamos o barril no oceano? Queimamos? Não. Nós o deixamos ali, e os ratos começaram a sentir fome. E, um a um, começaram a se devorar. Até que restaram dois, os dois sobreviventes. Depois disso os matamos? Não. Nós os pegamos e os soltamos nas árvores. Mas agora eles não comem mais cocos. Agora eles só comem ratos. Mudamos a natureza deles.

É impossível não visualizar aqui o Diabo a descansar numa rede amarrada entre dois robustos coqueiros.

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5 comentários em “Os ratos de Skyfall e as lideranças evangélicas

  1. Queridos irmãos, gostei muito da parábola postada. entendi perfeitamente a mensagem, mas, no lugar de “RATOS” não poderia citar outra criatura?…rs…rs…rs
    obviamente que estamos vivendo um terrível contexto de “RATOS DE PULPITOS”

    Sds em Cristo!
    Pr. Daniel Sousa

    Por que não dar a chance de torná-los bons pelo menos uma vez? :-)

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  2. A sua história fala de ratos da mesma espécie e coerentes entre si. O que ocorre nestes momentos dos últimos dias do Final do Tempo, é que existem diferentes casos envolvendo pastores, que não pertencem a mesma raça.

    A estirpe dos que se dedicam ao evangelho é bem diferente da maioria que corre para a porta larga e leva milhares pelos seus ensinos fora da “MANJEDOURA”.

    É necessário que se levantem contra os que prejudicam em demasia a igreja e não se calem. O momento é propício para utilizarmos a Trombeta e informar aos desavisados a importância de retornarem ao Evangelho da Verdade e não se envolverem com os RATOS da PROSPERIDADE.

    A questão de “devorarem os seus pares”, conforme sua matéria, parece sensata, mas não o é.

    Afinal, que pares são estes, entre os prevaricadores heréticos e os que não admitem suas heresias?

    Creio que é hora de não calarmos e anunciarmos esta bandalha EXpiritual que condenará a muitos ao inferno por não serem avisados e quem sabe abrirem os seus olhos para a verdade.

    A história, sinto muito, não condiz com a realidade. Verifique, por favor, e reveja os conceitos dos ratos.

    O Senhor seja contigo,

    O menor.

    Caro pastor Newton, o que a história quer dizer é que os “ratos” que tiveram a natureza alterada e sobreviveram à guerra travada entre si passaram depois a atacar os “ratos” bons, porque o evangelho daqueles presta um desserviço ao trabalho destes. Os ratos canibais atuam como servos do Diabo para prejudicar o trabalho dos bons. É assim que os devoram também. Eles são um perigo constante para quem quer fazer a obra do evangelho. Portanto, o conceito dos ratos não precisa ser refeito, mas foi oportuna a sua observação para este esclarecimento. Também devemos lembrar que outras armadilhas estão sempre no caminho dos “ratos” bons, e assim a história pode se repetir infinitamente.

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