Lições Bíblicas: “Eliseu e a escola dos profetas”

Lição 12 — 1.° trimestre de 2013

A existência das “escolas de profetas” é deduzida de expressões como “rancho/ grupo/ congregação de profetas” e “filhos/ discípulos dos profetas”, conforme a passagem ou a tradução da Bíblia (leia 1Sm 10.5,10; 19.20; 1Rs 20.35; 2Rs 2.3, na ARC e na NVI). Não seria errado considerá-las precursoras  dos atuais institutos bíblicos e seminários teológicos.

Contudo, havia um diferencial importante: eles profetizavam mesmo impelidos pelo Espírito de Deus, algo que não estava e nunca estará ao alcance da administração humana, por mais piedosa. A ação que denominavam “profetizar” eram experiências marcantes, uma espécie de transe no qual a pessoa que “profetizava” nem sempre podia se controlar (leia 1Sm 19.20-24). Isso indica uma clara aprovação divina à existência desses grupos, que tinham algo de sectário, mas no sentido de não comungar com o sistema religioso corrompido. Creio que os famosos “sete mil” (1Rs 19.18), tão evocados hoje, eram membros desses grupos, mas isso não descarta, é claro, aqueles que individualmente se mantinham fiéis a Deus.

A instituição das escolas de profetas

O princípio da organização não era percebido apenas nos discípulos piedosos. Em 1Reis 18.19, temos os “profetas de Baal” e os “profetas de Aserá”, mostrados como grupos idólatras distintos. Do lado oposto, estavam os “profetas do Senhor”. Havia também os profetas que declaravam profetizar em nome de Deus, mas as suas mensagens iam pouco além da bajulação ao rei (1Rs 22).

O caso em que o Espírito de Deus veio sobre os setenta anciãos de Israel e também sobre Eldade e Medade (Nm 11.24-27) não configura nenhum desses grupos, embora a experiência da “profecia coletiva” seja muito semelhante aos casos de 1Samuel 10 e 19. Esse fato não deve causar espanto, uma vez que Espírito era o mesmo. Você pode ainda ressaltar a experiência dos discípulos de Jesus  no dia de Pentecostes, quando o mesmo Espírito veio sobre a congregação que se reunia no cenáculo (At 2). O Espírito impeliu aqueles 120 crentes a falar “das grandezas de Deus” em várias línguas. Isso também é “profecia” nos moldes dos tempos dos reis, embora não haja menção a reações exageradas como a de Saul (1Sm 19.24).

Os objetivos das escolas de profetas

Para Buckland, Samuel “reunia em comunidade aqueles que parecia terem dons especiais da profecia, disciplinando-os, ensinando-lhes a música [leia 1Sm 10.5], e, segundo parece, ministrando-lhes conhecimentos da história e religião, para que pudessem estar nas melhores condições para  receber as palavras de Deus”.

As “escolas” por certo acolhiam os homens que demonstravam maior interesse pelas coisas de Deus e que desejavam encontrar um ambiente em que o pudessem cultuar longe da corrupção do sistema religioso oficial.

O currículo das das escolas de profetas/ A metodologia da escola de profetas

Na época de Eliseu o Antigo Testamento ainda não fora concluído. Havia os livros de Moisés, o livro de Josué, talvez o livro de Juízes, as obras de Salomão, os Salmos em processo de compilação (dizem que o Saltério só foi concluído no século III a.C.) e algumas fontes esparsas (por exemplo, 1Cr 29.29) que depois vieram a contribuir com as obras canônicas. Contudo, é bem provável que as “escolas” não tivessem acesso a nenhum desses livros. Salvo o livro da Lei que se mantinha no Templo, parece que só o rei tinha o privilégio de possuir uma cópia (que pode ter sido apenas de Deuteronômio). A ideia de carregarem e consultarem aqueles livros chega a ser absurda. Mas não podemos nos esquecer que na época a revelação de Deus era mais direta, principalmente entre os que exerciam o ministério profético.

Os grupos de profetas dos tempos da monarquia aparecem vinculados a grandes figuras, como Samuel, Elias e Eliseu. Talvez outros profetas menos notáveis tenham também atuado como mentores das “escolas”, que não devem ter sido poucas, porque o profeta Amós, cerca de meio século após a morte de Eliseu revela: “Eu não era profeta, nem filho de profeta, mas boieiro e cultivador de sicômoros”. A expressão, segundo alguns estudiosos, pode indicar que as escolas ainda funcionavam nessa época. De Samuel a Amós, são trezentos anos de tradição e, sem dúvida, muitos bons e anônimos mentores passaram por elas.

Lição 13 (leia aqui).

BIBLIOGRAFIA. Bíblia. Português. Bíblia de estudo Dake. Revista e corrigida 1995. 
Rio de Janeiro: CPAD, 2009. * Bíblia. Português. Bíblia de estudo NVI. Nova versão 
internacional. Org. por Kenneth Barker. Tradução de Gordon Chown (notas). São 
Paulo: Vida, 2003.* Buckland, A. R. Dicionário bíblico universal. Tradução de 
Joaquim dos Santos Figueiredo. 13. impr. São Paulo: Vida, 1998.* Gonçalves, José. 
Porção dobrada. Rio de Janeiro: CPAD, 2012. * Halley, H. H. Manual bíblico de 
Halley. Tradução de Gordon Chown. Ed. rev. e ampl. São Paulo: Vida, 2001. * 
Radmacher, Earl D. et alii. O novo comentário bíblico: Antigo Testamento. Tradução 
de Bruno Destefani et alii. Reimpr. Rio de Janeiro: Central Gospel, 2010. * 
Richards, Lawrence. Comentário bíblico do professor. Tradução de Waldemar Kroker e 
Haroldo Janzen. São Paulo; Vida, 2004 * Unger, Merril Frederick. Manual bíblico 
Unger. Revisado por Gary N. Larson. Tradução de Eduardo Pereira e Ferreira & Lucy 
Yamakami. 3. reimpr. São Paulo: Vida Nova, 2011.

 

Anúncios

3 comentários em “Lições Bíblicas: “Eliseu e a escola dos profetas”

  1. Prezado blogueiro, você já sabe das acusações de maçonaria na igreja, via internet??? Queria que alguém me respondesse sobre isto.
    Jogue no you tube: Simceros ou José Renato Predoza e veja por si próprio, aguardo respostas.

    Alex, já deparei com alguma coisa sobre o assunto na Internet, mas nunca me interessei em pesquisar mais a fundo. Espero que algum dos leitores do blog possa lhe dar uma resposta mais substancial.

    Curtir

  2. Muito bom o seu comentário irmão Judson, mas eu estudando a lição fiquei a refletir sobre tal tema e me veio a pergunta: Seria necessário estudar essa lição? pra mim talvez o que merecia era apenas um comentário como um tópico por exemplo, temos até a sensação que autor fica enchendo linguiça, acho que teria temas mais relevante para serem abordados, e é de se notar que tais displicência tem ocorrido com muitos comentaristas da CPAD.

    Concordo, Cristiano. Eliseu é uma das figuras mais extraordinárias do AT, e muita coisa poderia ser extraída de sua vida e de seu ministério. Não vejo razão para a escola em si ocupar tanto espaço. Falta de objetividade total.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s