Os desafios da Assembleia de Deus

O pastor Rui Raiol me fez a gentileza de enviar este artigo, escrito às vésperas da Convenção das Assembleias de Deus, que será realizada em Brasília a partir do dia 8. Algo mais para se pensar neste momento delicado que vive a denominação:

Abril começa com grande expectativa para a Assembleia de Deus. Pastores da maior igreja evangélica brasileira, fundada nesta cidade de Belém do Pará, reúnem-se de 8 a 12 em Brasília para eleger o seu novo líder nacional. Vinte mil ministros vão decidir os rumos que desejam seguir nos próximos quatro anos. Os desafios são muitos.

Segundo o Censo de 2010, a denominação tem uma membresia que ultrapassa 12 milhões de fiéis, sendo o segmento  que mais cresceu nos últimos anos. Mas, é justamente esse crescimento um dos seus grandes desafios. Somente nos quadros da Convenção Geral – o primeiro e ainda o maior colégio pastoral – , contam-se hoje 50 mil pastores e evangelistas. Mas, pela amostragem do percentual que deve ir à Brasília, temos desagregação e falta de interesse em participar ativamente dos destinos dessa igreja.

Talvez esse desinteresse se explique pelo estado de exceção em que vive a Convenção Geral, há 25 anos sem renovação na sua presidência. Apesar das reeleições legais do atual mandatário e novamente candidato, esse fato constitui um interstício em sua história natural desde 1930, quando foi fundada, sempre havendo novas pessoas à frente da instituição. O desafio agora é permitir que outras lideranças despontem, longe de uma ideia exagerada de protecionismo do cargo máximo, estatutariamente aberto a qualquer obreiro habilitado.

Apesar de sua grandeza, a Assembleia de Deus é uma igreja sem voz, calada diante dos grandes temas de seu país. O mundo inteiro pode ruir, e não vemos seus líderes nacionais virem a público exercer opinião. É como se as paredes de seus templos a separassem da realidade dos escândalos, dos crimes, das tragédias e de outras comoções nacionais. Um de seus grandes desafios em Brasília é justamente resgatar essa voz combativa do Evangelho, despertando pastores a exercerem sua missão de sal da terra e solidariedade.

Saber lidar com as diferenças e as minorias é outro desafio. Por omissão de seus principais líderes, hoje a sociedade pensa que alguns pastores com opinião mais pública representam o pensamento uno desse segmento. Não representam. Pastores assembleianos continuam a pregar uma mensagem lastreada no amor e na misericórdia divina. Em sua raiz, não são fundamentalistas, reservando para Deus toda palavra de juízo.

A Assembleia de Deus precisa restaurar sua identidade doutrinária, hoje cambaleante pela invasão de doutrinas triunfalistas em seus arraiais. Pela omissão de seus líderes, a cada dia, a pioneira pentecostal cede terreno à Teologia da Prosperidade, com forte apelo financeiro e empobrecimento evangelístico de suas pregações. Esse namoro com o neopentecostalismo tem esvaziado seus cultos de oração e estudos bíblicos. A consequência mais gritante é a redução drástica da experiência pentecostal em seus bancos, cada vez mais tardia entre jovens e praticamente inexistente nas faixas infantis.

O encontro do colégio pastoral em Brasília pode ser uma boa oportunidade de reflexão sobre a elevada taxa de jovens presidiários oriundos de famílias assembleianas. Onde está  a falha? O que precisa ser feito para salvar e curar esses rapazes que um dia frequentaram a classe da Escola Dominical e até foram batizados? O que precisa ser feito para engajar de verdade o importante grupo de jovens e adolescentes que lotam seus templos? Uma das saídas talvez seja pensar o próprio modelo de ensino bíblico, utilizando melhor os recursos tecnológicos disponíveis.

Utilizar a grande mídia é um grande desafio que espera os convencionais em Brasília. É de se pensar por que a centenária Assembleia de Deus não possui ainda um único canal de rádio ou televisão em rede nacional. Isto a coloca décadas atrás de igrejas recentes, como a Universal e a Internacional da Graça de Deus.

Valorizar os talentos políticos naturais de sua membresia, eis outro desafio. É inexplicável que Marina Silva, pastora da Assembleia de Deus e de autoridade internacionalmente reconhecida, haja sido preterida por José Serra nas últimas eleições presidenciais. O desafio consiste em fugir da tentação de todo favorecimento político e tratar a questão parlamentar como projeto de melhoria social, tendo sempre por escopo o bem-estar da sociedade.

E, falando em benefício, desafia os convencionais pensar também na seguridade social de pastores e suas famílias. Hoje, obreiros da Assembleia de Deus não têm um plano previdenciário em nível nacional, o que gera situações de penúria na velhice e na morte. Grandes desafios. Que Deus os ajude!

Esta ovelhinha também estará em breve publicando um artigo sobre o assunto.

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2 comentários em “Os desafios da Assembleia de Deus

  1. As palavras do Pr. Rui Raiol são tendenciosas em favor do Pr Samuel Camara, nós de São Paulo não vemos essas pregações que ele cita isso é uma infâmia grotesca, Pastor, não semeie plavras de divisão como o Pr. Samuel Camara tem feito, deixe o Senhor Deus eleger aquele a quem Ele escolheu, a igreja não é do Pr. José Welligton e nem do Pr. Samuel Camara, ela é do Senhor Jesus o cabeça da igreja, em vez desses tipos de palavras, ore a Deus para que tudo transcorra em conformidade do querer do Senhor que é o maior interessado pelo seu povo.

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  2. OSenhor enviou a cada um de nós como discípulos , mais infelizmente muitos estão se comrompendo. Apalavra de Deus a cada dia se cumpri.Que por se multiplcar a iniquidade o amor de muitos se esfriaria.

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