Lições Bíblicas: “O casamento bíblico”

Lição 2 — 2.° trimestre de 2013

O casamento é instituição divina. Não é fruto de evolução ou de convenção social. Depois de criar o mundo, Deus observou: “Não é bom que o homem esteja só” (Gn 2.18). Não não há sociedade com o “homem só”. A família, portanto, é a base da sociedade humana. Ela passa a existir por meio do casamento, que é orientado por três princípios: monogamia, heterossexualidade e indissolubilidade. Esses princípios podem ser percebidos em Gênesis 2.21-24: “O Senhor Deus fez cair um sono pesado sobre Adão, e este adormeceu; e tomou uma das suas costelas e cerrou a carne em seu lugar. E da costela que o Senhor Deus tomou do homem formou uma mulher; e trouxe-a a Adão. E disse Adão: Esta é agora osso dos meus ossos e carne da minha carne; esta será chamada varoa, porquanto do varão foi tomada. Portanto, deixará o varão o seu pai e a sua mãe e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne” (grifos meus). Vemos expressos aqui a monogamia (“sua mulher”), a heterossexualidade (“varão”/ “varoa”) e a indissolubilidade (“uma carne”).

O princípio da monogamia

Para a cultura ocidental, o tema não interessa muito, até porque a bigamia/ poligamia é condenada por lei aqui. O Estado só reconhece o casamento com uma pessoa. A poligamia, entretanto, é velha conhecida da sociedade humana. O primeiro registro de uma família constituída por poligamia está em Gênesis 4.19, onde se lê que Lameque, descendente de Caim, tomou para si duas mulheres. Parece ter sido uma forma de afrontar a Deus, antes mesmo da idolatria.

A poligamia é uma perversão do primeiro princípio do casamento, que é monogâmico em sua origem. O fato de Deus tolerar a poligamia, talvez seja porque ainda se mantivessem intactos os princípios da a heterossexualidade e indissolubilidade. Abraão era chegado a uma concubina (Gn 16; 25.6); Jacó teve duas esposas e duas concubinas (Gn 29.18-29; as doze tribos de Israel nasceram dessas quatro mulheres); Gideão “tinha muitas mulheres” (Jz 8.30); Salomão dispensa comentários (1Rs 11.3). A própria lei de Moisés reconhece como legítima a bigamia (Dt 21.15; e não vejo por que a poligamia também não esteja implícita aqui).

No entanto, a monogamia nunca perdeu o status de condição ideal na sociedade judaica. O livro apócrifo de Tobias menciona apenas o casamento monogâmico. Daniel-Rops informa que “a seita dos zadoquistas se orgulhava de ser estritamente monogâmica; e o sumo sacerdote estava absolutamente proibido de ter mais do que uma esposa”. Pelo que podemos entender pela leitura do Novo Testamento, nos tempos de Cristo a monogamia era predominante. Mas a exigência de que o candidato a bispo ou a diácono seja “marido de uma mulher” (1Tm 3.2; Tt 1.6) pode indicar, na opinião de alguns comentaristas, a presença de famílias polígamas entre os cristãos.

Uma observação: o autor, não sei se por conclusão própria ou no rastro de alguma teoria, confunde o Lameque de Gênesis 4.18, já mencionado, como de Gênesis 5.25, o “filho de Matusalém”, que também é o pai de Noé. Acontece que o primeiro Lameque é descendente de Caim, e o segundo, de Sete. O pastor Elinaldo atribui sem nenhuma explicação as duas referências à mesma pessoa. No livro A família cristã e os ataques do Inimigo, que acompanha a revista, ele até expande um pouco o assunto, mas também não apresenta nenhuma explicação nem a fonte dessa teoria, se é que existe. Apesar de alguns nomes serem semelhantes, são duas genealogias distintas e, portanto, duas pessoas diferentes. Sugiro que você pesquise bem o assunto. Se depois quiser compartilhar as suas conclusões com os outros professores aqui no blog, melhor. Houve até um incidente entre uma professora e um pastor por causa dessa questão, mas vou falar sobre o assunto numa postagem especial.

O princípio da heterossexualidade

O Manual bíblico de Halley destaca o triplo aspecto da monogamia: “um só homem, uma só mulher, uma só carne”. Nestes tempos em que se discute a legitimidade do “casamento homossexual”, você tem uma boa oportunidade para reafirmar aos alunos a o casamento heterossexual como o único possível e legítimo. Você encontrará na Internet e nos órgãos de comunicação um farto material sobre o assunto. Já dissemos que a poligamia perverte o princípio da monogâmico do casamento, mas o modelo da “família ampliada” não violava necessariamente o princípio da indissolubilidade (que estudaremos a seguir) e de modo alguma atentava contra o princípio da heterrossexualidade. O tema de uma união homossexual legítima nem mesmo é cogitado na Bíblia. A razão é que só um homem e uma mulher podem se tornar “uma só carne”. Para dois homens ou duas mulheres isso é impossível. Daí que só o casamento heterossexual é possível. E podemos considerar ainda a questão da perpetuação da espécie, outra impossibilidade  para os “casais” de mesmo sexo. Por extensão, se o casamento heterossexual é o único possível, também só ele pode ser o único legítimo.

O princípio da indissolubilidade 

A frase: “Até que a morte os separe” indica a intenção de que o casamento seja permanente. É irônico que a militância do politicamente “correto” faça tanto alarde para promover o “casamento” gay e ao mesmo tempo advogue a transformação do casamento legítimo em mero contrato temporário, que possa ser desfeito por “qualquer motivo” (Mt 19.3). A questão do divórcio não pode ser ignorada e em alguns casos é legítima, porém esse será o assunto de outra lição. Concentre-se mais na importância do casamento indissolúvel e deixe as discussões sobre o divórcio para a lição 7.

Lição 3 (leia aqui).

BIBLIOGRAFIA.Bíblia. Português. Bíblia de estudo Dake. Revista e corrigida 1995. 
Rio de Janeiro: CPAD, 2009. * Daniel-Ropes, Henri. A vida diária nos tempos de 
Jesus. Tradução de Neyd Siqueira. São Paulo: Vida Nova, 1983. * Davidson, F. O 
novo comentário da Bíblia. 6. reimpr. São Paulo: Vida Nova, 1985, v. 1 * Ensinai: 
Curso de Teologia Ministerial. Família cristã. Coordenação editorial de Judson 
Canto. 3. ed. Curitiba: AEIEADC, 2010. * Halley, H. H. Manual bíblico de Halley. 
Tradução de Gordon Chown. Ed. rev. e ampl. São Paulo: Vida, 2001. * Radmacher, 
Earl D. et alii. O novo comentário bíblico: Antigo Testamento. Tradução de Bruno 
Destefani et alii. Reimpr. Rio de Janeiro: Central Gospel, 2010. * Renovato, 
Elinaldo. A família cristã e os ataques do Inimigo. Rio de Janeiro: CPAD, 2013.
* Vaux, Roland de. Instituições de Israel no Antigo Testamento. Tradução de 
Daniel de Oliveira. Reimpr. São Paulo: Vida Nova, 2010.

 

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5 comentários em “Lições Bíblicas: “O casamento bíblico”

  1. – “tão atacado”, a mídia é a grande patrocinadora dos ataques ao casamentos, com seus programas de TV, como novelas, filmes e programas de auditório. Existem atualmente grupos de homossexuais que ao lutarem pelo casamento ou a união entre pessoas do mesmo sexo, na verdade estão insultando o casamento constituído por Deus.

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  2. Judson,

    O seu comentário como sempre tem nos ajudado muito, quanto ao caso dos Lameques ficou estranho sim, e já passei tal questionamento ao pastor Elinaldo Renovato (sou Diácono do seu campo) assim que ele me falar algo, irei postar aqui.

    Muito grato, Cristiano. Fico aguardando a sua resposta porque também estou curioso para saber a fonte. Consultei vários comentários bíblicos e não achei nada. Na verdade, não lembro de já ter lido algo parecido.

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  3. gostei bastante do seu comentario.me mande da proxima.

    Nilton, é só acessar o blog aos sábados e ler o comentário, ok?

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  4. Judson,

    Com relação a questão de Lameque, ao lermos os capítulos 4 e 5 de Gênesis, de forma cuidadosa, percebemos que são personagens diferentes pela sua genealogia, inclusive o pai do Lameque bígamo é Matusael (Gn 4.18).

    Lendo o Novo Comentário Bíblico: Antigo Testamento, que você cita na sua bibliografia, obra que possui sua contribuição, percebemos no comentário aos versículos 19-21, do capítulo 4, de Gênesis o seguinte: “Aqui, é contada a história de Lameque, o mais conhecido dos descendentes de Caim, e não o Lameque filho de Matusalém (Gn 5.28-31). (…)”.

    Foi uma falha na Lição e no livro do trimestre.

    Obrigado por avisar, para mim ia ‘passar batido’.

    Fica na Paz do Senhor.

    Pois é, Fábio. Na lição a coisa ficou mesmo sutil, porque o engano é denunciado apenas pela referência a Gn 5.25. Mas no livro do pr. Elinaldo o comentário é um pouco mais extenso e, como eu disse, sem informação que nos permita identificar a fonte dessa estranha teoria.

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