Expressões inadequadas no púlpito

Resgatei do livro Português, do curso Ensinai, aqui de Curitiba, editado por esta ovelhinha, algumas frases e expressões que não são necessariamente erradas e que, pelo uso inadequado ou pela pouca objetividade, não causam boa impressão aos ouvintes. São pequenos vícios para os quais não custa nada atentar. Já adianto que não sou professor de português, mas as gramáticas estão aí para serem pesquisadas. Além do mais, não há nada aí que seja muito complicado.

1. Saúdo a igreja com a paz do Senhor e os amigos com um boa-noite de salvação.

Adequada: Saúdo a todos com a paz do Senhor.

Justificativa: Não há motivo para essa distinção porque Jesus ordenou: “Em qualquer casa onde entrardes, dizei primeiro: Paz seja nesta casa” (Lc 10.5). Além disso, os descrentes se sentirão discriminados, e não amados. Observe que o substantivo composto boa-noite (indicando a saudação) é masculino, não feminino. Não se diz: “Saúdo a todos com uma boa-noite…”. No entanto, é correto dizer: “Desejo a todos uma boa noite”, pois aqui boa noite não é substantivo composto, e sim a combinação de adjetivo (boa) + substantivo (noite).

2. Podeis sentar…

Adequada: Podem sentar…

Justificativa: Usar a segunda pessoa do plural é sinal de estilo refinado, mas é justamente esse o problema. A maioria dos que ocupam os púlpitos de nossas igrejas utilizam linguagem popular, e um bom número é de pouca instrução. Assim, fica muito estranho alguém dizer: “Podeis sentar” e em seguida dizer: “Estamos alegre hoje” ou algo do gênero. Prefira a linguagem simples, porém correta.

3. Vamos ler o versículo 4 do capítulo 3 do livro de Atos.

Adequada: Vamos ler em Atos, capítulo 3, versículo 4.

Justificativa: Indicar uma referência bíblica a começar do versículo obrigará o povo a esperar que se diga o capítulo e finalmente o livro. Até lá, os ouvintes já esqueceram o capítulo e o versículo.

4. Estamos felizes com o convite…

Adequada: Estou feliz com o convite…

Justificativa: Obviamente, o verbo flexionado estamos é plural de modéstia (emprego do pronome nós em lugar de eu, com o qual o locutor pretende modestamente amenizar a própria importância). Não é errado usar esse recurso, e às vezes é até recomendável, mas não convém abusar. Um irmão certa vez apresentou desta forma à igreja um livro de sua autoria: “Não somos escritores, mas…”.

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