Lições Bíblicas: “A necessidade e a urgência do culto doméstico”

Lição 10 — 2.° trimestre de 2013

“A atmosfera cristã no lar é reforçada pelo culto doméstico. O culto no lar existe desde os tempos primitivos (Gn 4.3,4; 12.7 etc.). Nos lares hebreus, essa prática também foi instituída (Dt 6.7). No Novo Testamento, vemos a igreja primitiva se desenvolver nas casas (Rm 16.5 etc.)”  (do livro Família cristã, do Ensinai).

O culto doméstico/ O culto no lar

O que se faz num culto doméstico? Vou começar discordando do autor. Ele diz (seção II, item 1): “A liturgia não precisa ser a mesma da igreja, todavia o louvor, a mensagem e a oração são elementos indispensáveis”.

Para começar, a liturgia não deve ser a mesma da igreja. Trata-se de uma reunião informal, e quanto mais informal, melhor. Não entenda isso como sinônimo de irreverência, e sim como uma oportunidade de cultuar a Deus de maneira mais livre, sem as formalidades que o culto no templo geralmente exige.

Entendi que ele considera o louvor, a mensagem e a oração elementos indispensáveis no conjunto. No livro, o autor recomenda cânticos, leitura  bíblica, comentário bíblico (a explanação da palavra), pedidos de oração e oração final. Só faltou a oferta e a organização do departamento missionário. Ou seja, ele não considera culto doméstico a reunião que não contenha pelos menos aqueles três elementos — e recomenda cinco.

É claro que esse conjunto de elementos não é proibido, mas a repetição leva à formalidade e, por conseguinte, anula a principal característica dessa reunião, que deve ser sempre informal. A melhor maneira de manter o culto sempre interessante (sim, precisa ser) é a variedade.

Durante certo tempo, realizamos em casa o culto doméstico, mas em geral nem o chamávamos assim. O centro do culto era a leitura da Bíblia (nesse caso, como todos os cinco membros da família sempre queriam ler mais, nunca houve uma reunião sem uma longa leitura do texto bíblico). Costumávamos escolher um livro da Bíblia e líamos ele todo. A cada culto, líamos alguns capítulos, conforme o ânimo geral: às vezes um só; às vezes programávamos na hora três ou quatro capítulos e acabávamos lendo bem mais. Alguém começava a leitura e cada um lia um versículo até acabar o capítulo (isso mantém todo mundo ligado). Quando acabávamos o livro, escolhíamos outro, nunca em sequência. Ao final da leitura, eu costumava ler algum comentário bíblico (não técnico) vinculado à leitura. Sim, também cantávamos e orávamos, mas sempre de acordo com a disposição do grupo. Às vezes, apenas líamos a Bíblia. Mas também podíamos fazer as três coisas. Ou duas delas. O importante era que nada fugisse à espontaneidade.

Por falar em leitura bíblica, não recomendo que se programe a leitura da Bíblia toda. É uma meta que para alguns (ou para todos) pode ser cansativa e desanimá-los desde o início. Se há mesmo interesse em ler sistematicamente, escolham um livro por vez, sugerido por um membro da família de cada vez ou por consenso. Nada de prazos, apenas leitura interessada. A leitura da Bíblia toda também não precisa ser uma meta do culto doméstico.

Eu falei em variedade. Você pode num culto ler a Bíblia e depois um comentário correspondente à leitura ou parte dela, como eu fazia. Ou comentar com as suas palavras. Outros membros também podem fazer isso, é claro, até mesmo num sistema de rodízio. Um culto pode ser só oração (por uma necessidade na família ou para atender a um pedido de alguém de fora). Outro só cântico. Outro pode juntar os dois elementos. Um dia pode ser apenas a leitura de um texto devocional ou de um artigo interessante que você achou num periódico ou na Internet. Um estudo bíblico sobre um assunto que seja do interesse geral da família pode se prolongar por um ou mais dias. Insisto: não se prenda a fórmulas, tudo isso que citei é culto, isoladamente ou em conjunto. Faça também a sua lista de sugestões à classe.

A quantidade semanal de cultos, o horário e a duração deve se adaptar à realidade de cada família. Penso que o ideal é programar cada semana, conforme a disponibilidade de cada um e os compromissos sociais da família.

Bênçãos advindas do culto doméstico

Ainda do livro Família cristã, extraio alguns benefícios do culto doméstico:

  • Torna o ambiente familiar agradável e enriquece a comunhão entre os membros da família.
  • Evita as divergências e acaba com os focos de desunião no lar.
  • Leva os filhos a perseverar em seguir a Cristo.
  • Prepara toda a família para glorificar a Deus no trabalho, na escola, na igreja e em todas as suas relações.
  • Concede força para que todos enfrentem unidos, os problemas e as tentações de cada dia.
  • Encoraja outros lares a seguir o exemplo.
  • Resulta em benefício para a igreja local, pois estará formando crentes mais fiéis e produtivos.

Lição 11 (leia aqui).

BIBLIOGRAFIA. Ensinai: Curso de Teologia Ministerial. Família cristã. Coordenação
editorial de Judson Canto. 3. ed. Curitiba: AEIEADC, 2010. * Renovato, Elinaldo.
A família cristã e os ataques do Inimigo. Rio de Janeiro: CPAD, 2013.


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6 comentários em “Lições Bíblicas: “A necessidade e a urgência do culto doméstico”

  1. Salientamos ainda, que o “culto doméstico” é um importante meio de educar a família, quanto a sua participação no culto congregacional, no que diz respeito, entre outras coisas, aos princípios de ordem, decência e reverência.

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  2. Judson,
    hoje na EBD teve uma questão entre o professor e uma irmã(que é pedagoga) sobre se é ou não pecado comer em festa junina. O professor se posicionou de forma radical, e disse que “sim”, e citou 1Co 10.14-22.( o texto se aplica, ou 1Co 7 se aplica melhor?)
    Depois da escola ela quis saber o que eu pensava. Mas como não penso exatamente como o professor, preferi não falar nada(e pra falar a verdade eu ouço o que ele disse desde criança, mas não consigo ver da mesma forma, para mim é mais uma questão de consciência e escândalo). Como estamos em mês de festas, será que você não poderia postar algo esclarecedor sobre o assunto. Há muitos professores e pais evangélicos que iriam gostar e agradecer. Eu principalmente!

    Bom domingo e A Paz do Senhor!

    Boa sugestão, Adeliny, porque o momento é propício. Vou fazer o possível para publicar o quanto antes. Espero que seja de alguma ajuda.

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  3. Excelente o texto. De forma sucinta, passou o que deve ser mais importante em um culto doméstico. Lembro que minha esposa sempre se referia ao culto que seus familiares faziam em casa quando ela era criança, como algo enfadonho, que ela achava uma tortura. Era uma repetição do que se fazia na igreja. Hoje, nós fazemos o culto com estudo de algum tema bíblico de nosso interesse. Escolhemos um tema que estamos estudando, ou que foi importante durante a semana nos cultos. E o fazemos de forma tão empolgante que esquecemos até o horário! :)! Minha filha pequena, pega a bíblia e fica nos imitando, querendo participar, mesmo sem saber ler. É realmente informal e também uma bênção!
    A paz do Senhor a todos!

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  4. Judson, meu amigo, parabéns pelo artigo.
    O culto no lar é mesmo uma prática espiritual das pessoas que têm consciência de sua decisão por Cristo. Por outro lado, a gente sabe que a família contemporânea, em suas múltiplas configurações, precisa rever seu núcleo afetivo, de apoio e de proteção. Mas, em contrapartida, o que se tem visto é uma agência de desigualdades, de controle e de repressão, quando não de violência, fator de risco para seus membros.
    E, aí, a gente sabe que a vivência espiritual celebrada na prática diária do culto doméstico leva-nos a refletir e compreender que a família não é algo apenas biológico (algo natural ou dado), mas um produto de diferentes formas históricas de organização entre os humanos que, aos poucos, foram sendo institucionalizadas na forma de organizações comunitárias. E é aí, na natureza comunitária, que se busca a comunhão contínua, que se desfruta da vida relacional a partir dos valores afetivos e emocionalmente sensíveis em DEUS, nosso CRIADOR.
    É aqui que está o grande significado da vida abundante. Portanto, que o Corpo de Deus, a Igreja, reveja sua prática do amor doméstico e comunitário a partir da retomada e da valorização do culto doméstico. Lembrando que culto não é só orações, cânticos e leitura de versículos bíblicos, mas uma dedicada e contínua relação de respeito, harmonia, amor e dedicação afetivo-comunitária no lar e partir do lar.
    Parabéns mais uma vez.

    Muito bem lembrado, Battista. O modelo atual de igreja, infelizmente, está cada vez mais distante do ideal da comunidade.

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