Lições Bíblicas: “Esperança em meio à adversidade”

Lição 2 — 3.° trimestre de 2013

Em situações críticas, tratamos logo de selecionar o que é mais importante. Se há tempo para salvar alguma coisa, você desejará levar consigo os seus bens mais valiosos. Se não for possível, sairá com a roupa de corpo. Em último caso, apenas com a vida, o mais importante. Paulo vivia uma crise e as limitações da prisão, e para ele, perto do fim da carreira, o que mais importava era o progresso do evangelho. A pergunta óbvia desta lição é: que importância temos dado ao evangelho? O tempo anda escasso, por isso resolvi apelar para alguns comentários bíblicos publicados em português.

Adversidade: uma contribuição para a proclamação do evangelho/ O testemunho de Paulo na adversidade (1.12,13)

“Aparentemente, depois de longa pendência (At 28.30: ‘dois anos’), o processo de Paulo passou a um estágio crítico. Paulo havia sido trazido ao quartel para os interrogatórios e as tramitações decisivas. Como isso interferia em sua realidade pessoal! Moradia própria alugada ou uma cela certamente não muito amistosa em um quartel – que diferença! Além disso, Paulo era uma pessoa idosa! Mas nem os filipenses nem nós obtemos notícia a respeito de seu estado pessoal. Nem mesmo a alusão a uma queixa sai de seus lábios. Pensa que simplesmente não vale a pena falar de sua condição pessoal. Move-o tão-somente uma única pergunta: o que essa mudança de situação significa para a mensagem?! Nesse caso também parecia ser uma mudança para pior. Corte da moradia própria, transferência para o quartel, detenção mais rigorosa – isso não representava um impedimento total para seu trabalho evangelizador? Pelo jeito os filipenses já haviam ouvido dessa alteração decisiva na situação do apóstolo. Paulo não lhes conta isso como se fosse novidade. Porém agora, diante da pergunta tensa e preocupada sobre como tudo isso aconteceu e que conseqüências teve, Paulo pode responder ‘que sua situação conduziu mais ao progresso do evangelho'” (Werner de Boor).

“O fato de o apóstolo estar preso poderia afetar o avanço do evangelho no mundo. Sua prisão era considerada um golpe contra a igreja de Cristo. Porém, o apóstolo transmite na sua carta a ideia de que nenhum poder físico ou material poderá conter a força do evan­gelho. O que Paulo, de modo simples e objetivo, diz para os filipenses é que cadeias não limitam o movimento dinâmico do evangelho que pode ser disseminado de boca em boca. Mais importante que as suas cadeias era a proclamação do evangelho, não importava como. Para o apóstolo em prisão, as notícias dos sucessos de conquista do evangelho na vida das pessoas lhe serviam de consolo para suportar os sofrimentos que padecia nas suas prisões. Saber que o testemu­nho das suas prisões produzia fruto positivo na vida dos cristãos, especialmente os romanos, dava-lhe uma alegria e um sentimento de vitória que superava todos os sofrimentos da prisão” (Elienai Cabral).

“Essas cadeias deram a Paulo a oportunidade de ter contato com os perdidos. Ele permanecia acorrentado a um soldado romano vinte e quatro horas por dia! Cada soldado cumpria um turno de seis horas, o que significava que Paulo poderia testemunhar a pelo menos quatro homens todos os dias! É possível imaginar a situação desses soldados, presos a um homem que orava ‘sem cessar’, que sempre conversava com outros sobre a vida espiritual e que es­crevia constantemente para igrejas espalha­das por todo o império. Em pouco tempo, alguns desses soldados também aceitaram a Cristo. Paulo pôde levar o evangelho à guar­da de elite pretoriana, algo que teria sido impossível se estivesse livre. Mas as cadeias permitiram que Paulo ti­vesse contato com outro grupo de pessoas: os oficiais do tribunal de César. O apóstolo encontrava-se em Roma como prisioneiro do Estado, e seu caso era importante. O gover­no romano estava prestes a determinar a si­tuação oficial da ‘seita cristã’. Era apenas mais uma seita do judaísmo ou algo novo e possivelmente perigoso? Deve ter sido uma satisfação enorme para Paulo saber que os oficiais de César eram obrigados a estudar as doutrinas da fé cristã! Às vezes, Deus precisa colocar ‘cadeias’ em seu povo para que realizem um avanço pioneiro que não poderia se dar de outra maneira” (Warren W. Wiersbe).

Motivações para a pregação do evangelho

“Nem todos os crentes romanos que estavam pregando o evangelho tão ativamente possuíam o mesmo espírito de comunhão com Paulo. As casas-igrejas da cidade representavam uma grande variedade de perspectivas cristãs. Havia tanto cristãos judeus como gentios. Alguns deles (em ambos os grupos) nutriam simpatias por Paulo e suas práticas; havia os que partilhavam as mesmas suspeitas de outros adversários judeus, noutras cidades; havia outros de tendência gnóstica que consideravam a teologia paulina, o evangelho que ele pregava, como sendo algo curiosamente imaturo no qual faltava  luz E havia outros ainda, sem dúvida, que não tinham certeza quanto a que atitude tomar em relação a Paulo. Entretanto, parece que aqui o apóstolo tem em mente pessoas que pregam o evangelho genuíno, independentemente da motivação por que pregam. Por que alguns haveriam de pregar o evangelho de Cristo por inveja e porfia? Talvez sentissem inveja das realizações de Paulo, que levou o evangelho a tantas províncias, em tão curto tempo, e julgassem que poderiam ultrapassá-lo agora que o apóstolo estava encarcerado. Talvez se considerassem seguidores de algum outro líder, perante quem (a seus próprios olhos) Paulo era mero rival; agora que Paulo já não estava livre para movimentar-se por onde bem entendesse, o líder deles conseguiria maior progresso. Haveria já um partido pró ‘Cefas’ em Roma, como tinha havido alguns antigamente em Corinto [1Co 1.12]?” (F. F. Bruce).

O dilema de Paulo

“Aqui, em poucas palavras, temos a filosofia de vida de Paulo. Ele não vivia pelo dinheiro, tam­pouco pela fama ou para o prazer. O alvo de sua vida era amar, adorar e servir ao Senhor Jesus. Queria que sua vida fosse semelhante à de Cristo. Desejava que a vida de Cristo fosse vivida em sua vida. E o morrer é lucro. Morrer é estar com Cristo, ser semelhante a ele por toda a eternidade. É servi-lo com um coração que nunca mais haverá de pecar e com pés que nunca mais poderão se extraviar. Normalmente, não consideramos a morte um lucro. Infelizmente, hoje consideramos que, ‘no que diz respeito a este mundo, viver é lucro, e a morte põe fim aos nossos lucros’. […] Se a vontade do Senhor fosse Paulo viver mais algum tempo na carne, isso resultaria em trabalho produtivo para o Senhor, pois poderia prestar mais ajuda ao povo de Deus. Era uma decisão muito difícil para ele: ir para junto do Salvador a quem ele tanto amava ou ficar aqui na terra, no serviço do Senhor do qual muito gostava. Assim, não sabia qual havia de escolher. Ele estava constrangido porque sentiu a necessidade de fazer uma escolha bastante difícil entre as duas opções — partir para o lar celestial ou ficar na terra como apóstolo de Cristo Jesus” (William MacDonald).

Obs.: Disponibilizei para download dois comentários antigos (em inglês) da Carta aos Filipenses (clique aqui para baixar).

Lição 3 (leia aqui).

BIBLIOGRAFIA. Boor, Werner de. Carta aos Filipenses. Tradução de Werner Fuchs. 
Curitiba: Esperança, 2006 (Comentário Esperança). * Bruce, F. F. Filipenses. 
Tradução de Oswaldo Ramos. São Paulo: Vida, 1992 (Novo Comentário Bíblico 
Contemporâneo). * Cabral, Elienai. Filipenses: a humildade de Cristo como exemplo 
para a igreja. Rio de Janeiro: CPAD, 2013.* MacDonald, William. Comentário bíblico 
popular: Novo Testamento. Tradução de Alfred Poland et alii. São Paulo: Mundo 
Cristão, 2008. Wiersbe, Warren W. Comentário bíblico expositivo: Novo Testamento.
Tradução de Susana E. Klassen. Santo André: Geográfica, 2006, v. 1.
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Um comentário em “Lições Bíblicas: “Esperança em meio à adversidade”

  1. Ola meu querido irmao,a paz seja convosco.Leio sempre os assuntos postados aquiem seu blog e isso muito me ajuda,tem sido de grande utilidade para mim elaborar minhas aulas.
    Deixe-me me apresentar.Me chamo Willon Rodrigues,crente em jesus e membro da Assembléia de Deus ministerio belém em SP.Sou Técnico em Segurança do Trabalho ,estudante de Bacharel em Engenharia Civil e acima de tudo isso professor de Escola Dominical em nossa Igreja.
    Deus tem lhe usado de uma linda e com uma sabedoria do céu,tenho apredito muito com o Sro.Que Deus Pai todo poderoso possa lhe usar cada vez mais.

    Fica na Paz do Senhor.:-)

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