Lições Bíblicas: “Jesus, o modelo ideal de humildade”

Lição 4 — 3.° trimestre de 2013

O espaço aqui não permite um estudo exaustivo, mas você precisará estar atento aos termos empregados com relação a Jesus, a fim de não confundir os alunos. Além disso, o título da lição sugere um ensino prático, mas parte em outra direção: o ensino teológico. Observe que os próprios “Objetivos” requerem dos alunos apenas a captação de conceitos cristológicos, nada com relação à práxis diária. Portanto a aplicação prática (na minha opinião, indispensável) ficará a cargo do professor. Mas vamos à questão dos termos relacionados com a pessoa de Cristo nas respectivas seções da lição.

O Filho divino: o estado eterno da pré-encarnação (2.5,6)

A chave para a compreensão do texto é o v. 5: “Haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus”. Embora Paulo mencione a “humildade” no v. 3, o “sentimento” (ou “atitude”, NVI) a que ele se refere não se limita àquela virtude. O próprio autor, no livro que acompanha a revista, afirma que “o versículo 5 expõe de modo especial e apropriado a encarna­ção de Cristo, que é a manifestação do amor divino pela humani­dade” (grifo meu). Esse amor sacrifical foi que levou Cristo a tomar a decisão detalhada nos v. 6-8, ou seja, a encarnação. Portanto, a primeira virtude que se destaca no texto (de forma implícita) é o atributo divino do amor e diz respeito ao Cristo pré-encarnado.

A citação de Mateus 11.28 me parece deslocada aqui, porque a atitude do Cristo pré-encarnado foi de amor, não especificamente de humildade, porque o seu sacrifício foi voluntário: ele não recebeu ordem de se sacrificar pela humanidade. A humildade que o levou à obediência veio após a humilhação voluntária (leia Fp 2.8).

O Filho do Homem: o estado temporal de Cristo (2.7,8)

Em Filipenses 2.8, temos a palavra “humilhação”, que não deve ser confundida com humildade. Aliás, “humilhação” é um termo teológico bem conhecido, assim definido no Dicionário de teologia: edição de bolso: “Expressão referente à rejeição voluntária por parte de Jesus de sua glória como Filho de Deus para nascer em forma humana, sofrer e  morrer a favor da humanidade”. Assim, quando Paulo menciona a humilhação de Jesus, ele não está se referindo à postura humilde de Cristo durante a sua existência terrena, mas ao fato da encarnação em si e as consequências naturais dessa condição. Maurice Jones (livro que disponibilizei para download) diz que “não é o Jesus que caminhou sobre a terra, mas o Cristo encarnado e exaltado, que Paulo tem em mente” nesse texto.

A humilhação de Cristo envolve também a doutrina da kenōsis, assim definida no Dicionário: “Refere-se à atitude de autoesvaziamento de Cristo na encarnação, bem como à aceitação consciente de obediência à vontade divina que o levou a morrer crucificado. Muitos teólogos veem no termo uma referência à escolha que Jesus fez de não exercer as prerrogativas e os poderes que eram seus em virtude de sua natureza divina”. É uma doutrina um pouco controversa. Sugiro que você pesquise bem o assunto se for incluí-lo em sua aula.

A exaltação de Cristo (2.9-11)

Mas, e como fica a humildade? O texto de Filipenses 2.1-4 destaca a vida em comunidade, no qual a humildade é uma virtude importante, porém associada a outras que podemos depreender do texto, como altruísmo, paciência, amor, obediência, compaixão e tudo que venha a colaborar para a boa convivência entre os irmãos (leia também Fp 2.14,15). A exaltação passa a ideia de recompensa. E, se cultivarmos, o mesmo “sentimento que houve em Cristo”, seremos “astros no mundo” (v. 15), sem falar na sublime recompensa da vida eterna.

Obs.: Disponibilizei para download dois comentários antigos (em inglês) da Carta aos Filipenses (clique aqui para baixar).

Lição 5 (leia aqui).

BIBLIOGRAFIA. Bíblia. Português. Bíblia de estudo NVI. Nova versão internacional. 
Org. por Kenneth Barker. Tradução de Gordon Chown (notas). São Paulo: Vida, 2003. 
* Cabral, Elienai. Filipenses: a humildade de Cristo como exemplo para a igreja. 
Rio de Janeiro: CPAD, 2013. * Grenz, Stanley J., et alii. Dicionário de teologia: 
edição de bolso. 4. impr. São Paulo: Vida, 2004. * Jones, Maurice. The Epistle To 
Philippians. London: Methuen, s.d.
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