Espírito com esqueleto?

Quando eu era membro da congregação de Espinheiros, em Joinville, lá pelo início da década de 1980, houve um período em que não era incomum a manifestação demoníaca nos cultos, quase sempre pessoas que iam à frente pedir oração por algum problema ou em resposta ao famoso apelo: “Quem quer aceitar a Jesus?”. Também podia acontecer a qualquer momento durante a reunião.

Às vezes o ato de se ajoelhar e a queda acompanhada de convulsões parecia um movimento único. Na maioria dos casos, o demônio era expulso ali mesmo, após a ordem do dirigente ou de um obreiro mais fervoroso. Quando o demônio embirrava, para não atrapalhar o andamento do culto, o possesso era levado para uma casinha de quatro cômodos ao lado do templo, que em horas menos sinistras abrigava algumas classes de escola dominical, os ensaios do nosso conjunto vocal e reuniões de departamentos.

Numa dessas ocasiões, não lembro se no templo ou numa daquelas salas, estava entre os voluntários exorcistas o irmão Alfredo, conhecido na igreja por, digamos, profetizar sem ter dom. As ordens de despejo espiritual e as orações então começaram, continuaram e se prolongaram, e nada de o demônio sair. A certa altura, o irmão Alfredo resolveu radicalizar. Num ímpeto de autoridade, ameaçou o teimoso espírito:

— Sai, demônio, senão eu te quebro os ossos!

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