Lições Bíblicas: “A alegria do salvo em Cristo”

Lição 10  — 3.° trimestre de 2013

Não só a alegria em si é o tema desta lição, mas principalmente, a meu ver, a necessidade que temos de preservá-la, por se tratar de uma dádiva divina  concedida para o nosso bem-estar, mas ao mesmo tempo entregue à nossa responsabilidade.

Exortação à alegria e firmeza da fé (4.1-3)

Paulo fala da alegria logo após tratar o assunto desagradável dos inimigos da cruz de Cristo. Nesses três versículos, podemos deduzir pelo menos três características interessantes da alegria obtida em Cristo.

Primeira: Paulo recorre a ela para contrabalançar ou mesmo vencer a tristeza que sente (leia também Fp 2.25-30). Mais exatamente, ele procurava no universo da comunhão cristã um motivo para se alegrar e assim deixar em segundo plano ou esquecer aquilo que o entristecia. E funcionava (1Co 6.10a). O apóstolo está nos ensinando um método simples e eficaz de vencer a tristeza: buscar no vasto leque das benesses cristãs um motivo para alegrar-se, o que não é difícil (Sl 32.11; 97.12; Mt 5.12; Rm 12.12). Se as circunstâncias desesperadoras turvam a sua percepção a ponto de cegá-lo para as coisas positivas que o cercam, você pode apelar para o motivo último da própria salvação (Lc 10.20). Você pode alegrar-se até pelo fato de participar “das aflições de Cristo” (1Pe 4.13).

Segunda: a alegria do salvo em Cristo implica mordomia. Estamos habituados a pensar apenas na responsabilidade que temos sobre os nosso bens materiais e talentos. Mas a alegria também é uma dádiva divina, um bem intangível, e é nosso dever não deixar que seja sufocada pelas preocupações da vida (leia Mt 13.20,21). Cristo deixou bem claro que a manutenção da alegria é uma necessidade, e ensinou como fazer: “Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, do mesmo modo que eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai e permaneço no seu amor. Tenho-vos dito isso para que a minha alegria permaneça em vós, e a vossa alegria seja completa” (Jo 15.10,11; grifo meu). Paulo usa o exemplo de Evódia e Sínteque, cujo ministério parecia se destacar na comunidade de Filipos, para ressaltar a mesma verdade. Quanto mais alimentavam a rivalidade entre si, mais a alegria se distanciava. A alegria divina estava sendo negligenciada. Mas, como Cristo ensinou, o amor iria garantir a permanência da alegria. Paulo solicitou até a ajuda de terceiros (Fp 4.3).

Terceira: a alegria que a salvação nos proporciona é muito mais que uma emoção passageira. Ela pode permanecer latente ou se mostrar mais evidente em determinados momentos, porém nunca é extinta. A alegria natural é ditada pelas circunstâncias (por exemplo, Dn 6.23), mas a alegria divina as transcende (leia de novo 1Co 6.10a). É uma alegria que transcende a própria alegria (Lc 10.20).

A alegria divina sustenta a vida cristã (4.4,5)

A alegria que recebemos de Deus deve ser preservada, e ela, por sua vez, sustenta a vida de fé. Ralph Martin comenta: “Estabelecem-se, agora, os passos para a concretização desta fé. O pano de fundo é, claramente, o de uma congregação que enfren­ta oposição, ameaçada pelos perigos de um mundo hostil. Paulo pros­segue, descrevendo os recursos pelos quais os filipenses poderão vencer a batalha. Seja a vossa moderação conhecida de todos os homens é uma chamada que procura evitar que a igreja fique demasiado preocupada com seus próprios interesses. É, também, um lembrete de que a po­sição da igreja no mundo deveria por si só convocá-la para uma vida de influência arrebatadora, sobre seus vizinhos pagãos”.

A singularidade da paz de Deus (4.6,7)

Assim como a alegria divina, a paz de Deus também é diferente da paz promovida pelo ser humano. A paz humana, paradoxalmente, é às vezes imposta pela guerra (pesquise o conceito de pax romana) e pode ser tão efêmera quanto a alegria natural. A paz de Deus reforça a alegria dos salvos porque afasta a inquietude, mas isso não nos dispensa da mordomia. No que diz respeito à vida cristã (não à salvação) o humano e o divino estão em constante interação (leia Mt 6.31-33). Alimentar a ansiedade é negligenciar a alegria e fechar as portas para a paz. Nem sempre é fácil administrar a alegria e a paz divinas, mas é a solução recomendada por Cristo e pelo ensino apostólico.

“Transformamos a frase sobre a paz que nos guarda em mero voto que depois, como tantos outros votos que fazemos, permanece bastante vago. Paulo, porém, faz uma promessa firme: A paz de Deus guardará! Por causa da conotação do termo grego, esse ‘guardar’ implica um pouco do sentido da expressão jurídica ‘fideicomisso’ ou do sentido original de ‘custódia’. Em 2Co 11.32 Paulo emprega a mesma palavra para a ‘vigilância’ nas portas da cidade em Damasco, que visava impedir que o apóstolo escapasse da cidade. Consequentemente, a paz de Deus representa um poder protetor e vigilante. O adendo ‘em Cristo Jesus’ pode referir-se ao todo da frase: aqui e em todos os outros lugares em que Deus age essa ação auxiliadora acontece por meio de Jesus. Contudo, também pode mostrar onde os corações e pensamentos são mantidos seguros e protegidos”  (Werner de Boor).

Obs.: Disponibilizei para download dois comentários antigos (em inglês) da Carta aos Filipenses (clique aqui para baixar).

Lição 11 (leia aqui).

BIBLIOGRAFIA. Bíblia. Português. Bíblia de estudo Dake. Revista e corrigida 1995. 
Rio de Janeiro: CPAD, 2009. * Boor, Werner de. Carta aos Filipenses. Tradução de 
Werner Fuchs. Curitiba: Esperança, 2006 (Comentário Esperança). * Bruce, F. F. 
Filipenses. Tradução de Oswaldo Ramos. São Paulo: Vida, 1992 (Novo Comentário 
Bíblico  Contemporâneo). * Cabral, Elienai. Filipenses: a humildade de Cristo como 
exemplo para a igreja. Rio de Janeiro: CPAD, 2013. * Martin, Ralph P. Filipenses: 
introdução e comentário. Tradução de Oswaldo Ramos. 7. reimpr. São Paulo: Vida 
Nova, 2011.
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