Lições Bíblicas: “O tempo para todas as coisas”

Lição 9 — 4.° trimestre de 2013

As oito lições anteriores foram elaboradas sobre o conteúdo de Provérbios e a partir deste domingo estão baseadas no livro de Eclesiastes. Considero esse livro a maior obra filosófica de todos os tempos, pois, além de ser inspirado, responde à pergunta que filósofos de todas as épocas tentam responder por outros caminhos: qual o sentido da vida? Essa pergunta é respondida de forma definitiva no capítulo 12. Sugiro que você reúna toda informação que puder sobre o conteúdo geral do livro (autoria, data, autor, destinatários, temas etc.) e faça um resumo para a classe antes de iniciar o tema de hoje.

Eclesiastes, o livro e a mensagem

“Inutilidade! Inutilidade! Nada faz sentido! Esse é o tema do livro. Encerra também uma tentativa de oferecer uma resposta filosófica no tocante a como melhor viver num mundo em que tudo parece estar destituído de sentido. O livro contém muita coisa de beleza sublime e de sabedoria transcendente. Mas é radicalmente diferente dos Salmos: sua disposição de ânimo predominante é de profunda melancolia. Davi, pai de Salomão, na sua luta prolongada e penosa para edificar o reino, sempre exclamava: ‘Regozijem-se!’, ‘Gritem de alegria!’, ‘Cantem!’, ‘Louvem a Deus!’. Salomão, sentado em segurança e paz no trono que Davi levantara, possuía honrarias, esplendor, poder e vivia em luxo fabuloso. Era o único homem no mundo inteiro que todos teriam considerado feliz. Apesar disso, seu refrão incessante era: ‘Nada faz sentido.’ E esse livro, produto da velhice de Salomão, deixa a nítida impressão de que Salomão não era um homem feliz. Ocorre 37 vezes a palavra que significa ‘inutilidade’ ou ‘sem sentido’ ” (H. H. Halley). 

Discernindo os tempos

“A presente era em sua condição, curso e valores” é exatamente o que a palavra “geração” significa nesse livro. Deve-se observar que cada exemplo de mudança (aquilo a que cada geração se dedica) é seguido por uma sentença que indica a inutilidade de tais esforços. Para começar, a instabilidade e a transitoriedade de cada geração ou de cada período da história humana contrasta com a inexorabilidade e imutabilidade da ordem das coisas. A impressionante roda do moinho da existência revolve-se sempre sobre as mesmas engrenagens para ir alçando novos patamares (adaptado de Thomas Pelham Dale).  

O tempo e as relações interpessoais

Nenhum relacionamento humano sobrevive se você não dedicar tempo a ele, e não há vida de qualidade se você não souber aproveitar o tempo. É o que se deduz de Eclesiastes 9.7-9. Não conseguiremos desfrutar nada do que Deus nos dá se não dedicarmos também algum tempo para aproveitar essas dádivas (um passeio com  família, um churrasco no domingo, a leitura de um um bom livro, a riqueza do relacionamento familiar, e assim por diante.)  Eu particularmente, sempre tive uma relação complicada com o tempo. Não deixe de ler o que escrevi sobre isso, e sugiro que você decore o poema de Mário Quintana, citado por mim, e declame na classe (leia aqui). Durante anos, negligenciei a família nesse quesito, e esse foi o principal motivo de eu ter perdido o meu casamento e magoado os meus filhos. 

Administrando bem o tempo

Uma observação: o conteúdo da “Leitura bíblica em classe” não foi explorado no comentário. O texto de Eclesiastes 3.1-8 não trata exatamente da administração do tempo, mas de saber discernir a melhor atitude nas principais circunstâncias da vida (quando falar e quando calar etc.).

“A seção [1.1—2.26] termina  com a primeira  recomendação positiva do livro [2.24-26] […]. Esse  refrão, insistindo em que a pessoa coma e beba e aprecie o trabalho feito, recorre ao longo de todo o livro [3.12-13,22; 5.18-20; 8.15; 9.7-9; 11.8,9a]. A declaração final afirma que a vida é feita para ser apreciada, é um dom de Deus, e as dádivas de sabedoria, conhecimento prazer são para aquele que agrada a Deus [2.26a]. Embora possamos produzir e acumular as coisas que esperamos nos tragam felicidade, a capacidade de realmente apreciá-las não está em nosso poder; essa capacidade vem de Deus. Aqui o Pregador apresenta uma alternativa para o qua­dro desalentador que vinha pintando. Nem tudo o que está acontecendo “debaixo  do sol” é tão sem sentido; Deus é visto como aquele que está operando: Mas ao pecador dá trabalho, para que ele ajunte  e amontoe,  a fim de dar àquele que agrada a Deus [2.26b]. O contraste, nesse caso, se faz entre os resultados de dois estilos de vida diferentes: o “do pecador”  e o “daquele  que agrada  a Deus” (Comentário bíblico africano).  

Obs.: Disponibilizei para download alguns comentários de Provérbios e Eclesiastes (clique aqui para baixar).

Lição 10 (leia aqui).

BIBLIOGRAFIA. Adeyemo, Tokunboh (Org.). Comentário bíblico africano. Tradução de 
Judson Canto et alii. São Paulo: Mundo Cristão, 2010. * Dale, Thomas Pelham. A 
Commentary on Ecclesiastes. London; Oxford; Cambridge: Rivingtons, 1873. * 
Gonçalves, José. Sábios conselhos para um viver vitorioso. Rio de Janeiro: CPAD, 
2013. * Halley, H. H. Manual bíblico de Halley. Tradução de Gordon Chown. Ed. rev. 
e ampl. São Paulo: Vida, 2001. * Unger, Merril Frederick. Manual bíblico Unger. 
Revisado por Gary N. Larson. Tradução de Eduardo Pereira e Ferreira & Lucy 
Yamakami. 3. reimpr. São Paulo: Vida Nova, 2011.
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