Lições Bíblicas: “A ilusória prosperidade dos ímpios”

Lição 11 — 4.° trimestre de 2013

A essência do texto de Eclesiastes escolhido para a “Leitura bíblica em classe” é que tanto o bem quanto o mal sobrevêm a justos e injustos. Entretanto, não é esse o assunto da lição, que  gira em torno da pergunta: “Por que os ímpios prosperam e os justos sofrem?”. É uma situação bem comum a dos ímpios bem-sucedidos aos olhos humanos, mas convém ressaltar que que há ímpios sofrendo e cristãos prósperos. Creio que os ímpios têm mais chances de prosperar material e socialmente porque a injustiça deles lhes permite tomar atalhos e se utilizar de métodos que uma pessoa temente a Deus jamais adotaria. E, no processo, muitas vezes os justos é que são prejudicados. Como auxílio a esse raciocínio, leia o meu artigo “Pobreza é riqueza” (clique aqui).

Na introdução, o autor comete um deslize ao dizer que o salmo 73 foi escrito por Davi. No livro, ele chega a usar a expressão “Davi, pai de Salomão”, para associá-lo ao livro de Provérbios. Mas esse salmo, até bem conhecido, é da autoria de Asafe.  

Os paradoxos da vida

Esta seção apoia-se no texto do salmo 73. Mas não deixe de ler e estudar também o salmo 37, que trata do mesmo assunto.

Conta-se que alguém perguntou a Sócrates:

— O que mais aflige o homem bom?

— A prosperidade dos maus — respondeu  o filósofo.

 — E o que mais aflige o homem mau?

— A prosperidade dos bons — respondeu Sócrates.

“Aqui temos um enigma. O enigma da providência. A pedra de tropeço da fé. Há injustos recompensados e favorecidos, não durante um dia ou uma hora, mas por toda a vida. Desde a juventude estes homens, que merecem a perdição, deleitam-se na prosperidade. Merecem ser acorrentados, preso com cadeias pelo pescoço. São passíveis de ser expulsos do mundo, no entanto o mundo pertence a eles” (Charles Spurgeon, sobre Sl 73.12).

A realidade presente e a incerteza do futuro

“Em sua busca por felicidade, Salomão não impôs limite de gastos. Se desejava alguma coisa, não media esforços para adquiri-la. Quando algo lhe parecia agradável, entregava-se de corpo e alma. Na verdade, encontrou certo prazer em suas investigações e projetos, mas essa alegria momentânea foi a única recompensa que recebeu em troca de todos os seus esforços para alcançar a realização pessoal” (William MacDonald, sobre Ec 2.10).

A imprevisibilidade da vida

O tempo e o acaso estão lado a lado, sem dúvida porque ambos têm um jeito de arrancar subitamente as coisas de nossas mãos. Isto é bastante óbvio no que se refere às oportunidades, pois a providência opera em segredo, e na perspectiva do homem a vida é feita principalmente de passos rumo ao desconhecido e de acontecimentos que sur­gem do nada, que podem mudar totalmente o padrão da nossa exis­tência num dado momento. Quanto ao tempo, o capítulo 3, com o ‘tempo de nascer […] tempo de morrer’, e assim por diante, já provou quão inexoravelmente nossas vidas são jogadas de um extremo para o outro pela força das vagas da maré que não podemos controlar. Tu­do isso vem contrabalançar a impressão que podemos adquirir das má­ximas acerca do trabalho duro, de que o sucesso é nosso quando que­remos. No mar da vida somos mais como os peixes que se apanham com a rede traiçoeira, ou os que são inexplicavelmente poupados, e não os donos de nosso destino nem os capitães de nossas almas” (Derek Kidner).

 Vivendo por um ideal

“É verdade que a sabedoria é melhor do que a força física, mas isso não significa que os homens passarão a apreciar a sabedoria, que pode ser desprezada e não aplicada por homens insensíveis e ímpios. O autor, pois, falava sobre a inutilidade da sabedoria, segundo certo ponto de vista. Ele deixou de lado o fato óbvio de que aquele pouco de sabedoria beneficiou a cidade inteira, que obteve retumbante sucesso. Mas ele acaba mostrando que, para o humilde homem sábio, a sabedoria não teve valor. Esse era o fato que ele estava ilustrando. Ele não estava aplicando outros ‘fatos’ possíveis ao caso; ele falava de sua própria experiência pessoal. Para ele, o pobre homem sábio, tinha ficado demonstrado que a sabedoria é apenas outro elemento da vaidade generalizada [Ec 2.12-17]; pessoalmente, ele não tinha conse­guido tirar grande proveito da sabedoria [Ec 8.15,16], e não pensava que outros sábios tivessem tirado melhor proveito que ele. Aben Ezra (in loc.) supõe que o fato de outros indivíduos não apreciarem a sabedoria do pobre homem não signi­fica que ele próprio também a desprezasse; mas isso já é o oposto do que o triste filósofo procurava transmitir. Ele não apreciou sua própria sabedoria, se é que tinha alguma. Por que haveria de querer que outros homens a apreciassem?” (Russel N. Champlin, sobre Ec 9.16).

Obs.: Disponibilizei para download alguns comentários de Provérbios e Eclesiastes (clique aqui para baixar).

BIBLIOGRAFIA. Champlin, Russell N. O Antigo Testamento interpretado: versículo por 
versículo. 2. ed. São Paulo: Hagnos, 2001, v. 4. * Gonçalves, José. Sábios 
conselhos para um viver vitorioso. Rio de Janeiro: CPAD, 2013. * Kidner, Derek. A 
mensagem de Eclesiastes. Tradução de Yolanda Mirdsa Krievin. São Paulo: ABU, 1989 
(Série A Bíblia Fala Hoje). * MacDonald, William. Comentário bíblico popular: 
Antigo Testamento. Tradução de Alfred Poland et alii. São Paulo: Mundo Cristão, 
2011. * Spurgeon, Charles. El Tesoro de David. [S.l.: s.n.], s.d.
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s