Lições Bíblicas: “O livro de Êxodo e o cativeiro de Israel no Egito”

Lição 1 — 1.° trimestre de 2014

O tema do Êxodo, que estudaremos neste trimestre, contém valiosas analogias com a história da redenção. Você encontrará nestas 13 lições diversas verdades aplicadas à vida cristã, algo que considero imprescindível nas lições, porém ainda limitadas a declarações simples, se não simplistas. Será preciso que você providencie alguma “liga”, ou seja, algo que estabeleça uma relação mais profunda entre a história sagrada e o viver cristão nos dias atuais. 

Sobre esta lição em particular, se há em sua classe alunos pouco familiarizados com a história bíblica, sugiro que você faça um resumo da trajetória de Israel de Canaã até o Egito, a partir da história de José (Gn 37). É disso que tratam os versículos 1-5 da “Leitura bíblica em classe”.

Uma observação: no quadro da página 5 aparece duas vezes o item “Lugares-chaves”. Como você já deve ter percebido, trata-se de um erro de revisão.

O livro de Êxodo

“Êxodo recebe seu nome pela Septuaginta, uma tradução grega do Antigo Testamen­to em uso nos dias de Jesus Cristo. O título hebraico era somente as primeiras palavras do texto: ‘Estes, pois, são os nomes dos filhos de…’ (1.1). A palavra êxodo dá o tema da primeira metade do livro, visto que denota grande quantidade de pessoas saindo de uma região. A última metade do livro descreve o estabelecimento das instituições, das leis e da adoração em Israel” (Comentário bíblico Beacon).

Principais temas do livro de Êxodo: 1. Livramento. Êxodo revela o poder de Deus (6.1; 9.13-16) e seu amor compassivo pelo povo (15.13), atributos ainda evidentes hoje, ao operar a libertação de todas as prisões do pecado (Jo 8.34-36; Rm 6.20-22). 2. A aliança. Os Dez Mandamentos (20.1-17) e o “livro da aliança”, mais detalhado (19.1—24.18), revelam a justiça de Deus e sua retidão, princípios básicos de ética e moral, a responsabilidade e escolha do povo (a obediência traz bênçãos; a desobediência, o castigo); a preocupação de Deus com o pobre, o necessitado e o oprimido. 3. O Tabernáculo. O desejo de Deus de estar presente no meio de seu povo está revelado na construção e nos regulamentos que dizem respeito ao Tabernáculo e à adoração (25.1—40.38). Êxodo enfatiza a santidade de Deus e, por extensão, a santidade do tabernáculo (40.9). 4. Moisés. A personagem humana central do livro é Moisés, o mediador entre Deus e seu povo (20.19). Moisés aponta para Cristo, nosso grande Mediador (1Tm 2.5; Hb 9.15) (adaptado da Bíblia de estudo arqueológica).

O nascimento de Moisés

“Moisés é apresentado ao leitor de maneira curiosa. Algumas vezes os an­cestrais de uma pessoa são dados com um certo nível de detalhes; aqui são dados em termos mais amplos: ‘um homem da casa de Levi foi e casou com uma descendente de Levi’. As palavras se­guintes ‘a mulher concebeu e deu à luz a um filho’, dão a entender que Moisés era seu primeiro filho. Porém, esta dedução é imediatamente corrigida pela menção de uma irmã, cujo nome só é men­cionado em Êxodo 15.20, mas que era crescida o suficiente para vigiar o bebê na cesta, e astuta o bastante para agarrar a oportunidade apresentada pelas palavras da princesa sobre a origem da crian­ça, e apresentar a mãe da criança para lhe servir de ama. Desta maneira, foi com um certo toque de ironia que a mãe verdadeira, hebreia, foi paga pela filha do Faraó para cuidar do próprio filho. O Faraó tinha planejado matar todas as crianças do sexo masculino que nascessem em Israel, e o resultado foi que sua própria filha tomou, sob sua proteção, o bebê hebreu que estava para ser o futuro libertador de seu povo, e ela até mesmo o adotou como filho. […] A mãe provavelmente ficou com o menino por dois ou três anos (1Sm 1.19-24). Talvez tenha ficado mais tempo com ele, levando-o regularmente para ver a princesa, para que essa não o esquecesse; durante esse tempo, ensinava-o a amar e a ser leal à sua própria raça. Com respeito a estes anos nada é relatado. Moisés tinha um irmão mais velho, Arão, que lhe foi dado como porta-voz (Êx 4.14) e enviado para encontrá-lo no monte de Deus (v. 27). Arão tinha três anos a mais que Moisés (7.7), uma informação de interesse especial porque implica que a ordem para afogar os bebês (1.22) não teria sido dada até depois do nascimento de Arão. Os nomes dos pais de Moisés são mencionados posteriormente (6.20). Todos esses fatos, que são gradualmente fornecidos, servem para mostrar quanto o curto relato omitiu no início do capítulo dois” (Enciclopédia da Bíblia: cultura cristã).

O zelo precipitado de Moisés e sua fuga

“Atos 7:23 afirma que Moisés tinha quarenta anos na época. Êxodo afir­ma somente que ele tinha oitenta anos quando se apresentou perante Faraó (7:7) e que passara muitos dias em Midiã (2:23). É possível que quarenta anos seja representativo de uma geração, que para o mundo ocidental é um espaço de trinta anos. Atos 7:22 está absolutamente correto ao afirmar que “ Moisés foi educado em toda a ciência dos egípcios” , uma vez que fora criado com outros príncipes. Este era o ou­tro lado da preparação divina. Com as possíveis exceções de Salomão, Daniel e Neemias, nenhum outro personagem do Velho Testamento re­cebeu treinamento semelhante (cf Dn 1:4). Os códigos de direito da época provavelmente faziam parte de tal treinamento. O Código de Hamurábi, por exemplo, era amplamente estudado e comentado por escribas egípcios, de modo que Moisés possivelmente o conhecia bem” (Alan Cole).

“Moisés deve ter ficado desolado com sua tentativa fracassada de ajudar a libertar os hebreus. Por isso, Deus o levou a Midiã e fez dele um pastor de ovelhas durante quarenta anos. Ele precisava aprender que o livramen­to viria das mãos de Deus e não das mãos de Moisés (At 7:25; Êx 13:3). […] O homem ‘poderoso em palavras e obras’ encontrava-se, agora, em pastos soli­tários cuidando de ovelhas obstinadas, mas era justamente esse tipo de preparo que pre­cisava para liderar uma nação de pessoas obstinadas. Israel era o rebanho especial de Deus (SI 100:3), e Moisés, o pastor escolhi­do pelo Senhor. Assim como nos treze anos que José viveu como escravo no Egito e como o intervalo de três anos na vida de Paulo, depois de sua conversão (Gl 1:16,17), os quarenta anos de espera e de traba­lho de Moisés preparam-no para toda uma vida de ministério fiel. Deus não envia seus servos imediatamente, mas capacita-os para sua obra” (Warren W. Wiersbe).

Lição 2 (leia aqui).

BIBLIOGRAFIA. Bíblia. Português. Bíblia de estudo arqueológica. Nova versão 
internacional. Tradução de Claiton André Kunz, Eliseu Manoel dos Santos e Marcelo 
Smargiasse (notas e artigos). São Paulo: Vida, 2013. * Chapman, Milo L. et alii. 
Comentário bíblico Beacon. Tradução de Luís Aron de Macedo. Rio de Janeiro: CPAD, 
2005, v. 1. * Cole, Alan. Êxodo: introdução e comentário. Tradução de Oswaldo 
Ramos. Tradução de Carlos Oswaldo Pinto. 2. ed. São Paulo: Vida Nova, 1981 (Série 
Cultura Bíblica). * Tenney, Merrill C. (Org.). Enciclopédia da Bíblia: cultura 
cristã. Tradução da Equipe de colaboradores da Cultura Cristã. São Paulo: Cultura 
Cristã, 2008. * Wiersbe, Warren W. Comentário bíblico expositivo: Antigo 
Testamento. Tradução de Susana E. Klassen. 5. impr. Santo André: Geográfica, 2010, 
v. 1.
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Um comentário em “Lições Bíblicas: “O livro de Êxodo e o cativeiro de Israel no Egito”

  1. Graça e Luz à você irmão Judson!
    Quero agradecer pela grandiosa ajuda para complementar os estudos da palavra de Deus, em especial, as Lições Bíblicas.
    Se eu não estiver errado, creio que ouve um equívoco em seu texto, onde menciona que a mãe de Moisés o criou por três anos. A informação está correta, porém a menção do livro de 1 Samuel 1.19-24, não diz respeito à esta informação. Procurei e não achei qual a referência correta. Poderia dar uma olhada por favor? Talvez eu também não tenha feito o estudo corretamente, caso eu esteja errado, peço desculpas. Em todo o resto tenho muito a agradecer e cumprimentá-lo pelo excelente trabalho.
    A Paz do Senhor!
    Fique com Deus

    Caro Cesar, a referência de 1Samuel tem o propósito de mostrar um caso semelhante, em que a mãe cria o menino durante certo tempo até entregá-lo aos cuidados de outra pessoa. O período que Ana ficou com Samuel deve ter sido também de cerca de três anos.

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