Maria do Rosário e a sandice oficializada

Ontem comentei um texto daquele deputado frufruzento sobre a morte do adolescente homossexual . Também não pude deixar de observar que, além de arauto da boiolagem, ele parece ter assumido a tarefa de matar de tédio os seus leitores, tal a quantidade de sandices, ódio e pieguice que se pode extrair de cada linha. O mesmo episódio também foi explorado por Maria do Rosário, secretária nacional dos Direitos Humanos, e ela também publicou um texto sobre a morte do adolescente quem em nada fica a dever ao colega no que diz respeito às virtudes mencionadas acima. Eis a pérola:  

A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) vem a público manifestar solidariedade à família de Kaique Augusto Batista dos Santos, assassinado brutalmente no último sábado (11/01). Seu corpo foi encontrado pela Polícia Militar de São Paulo próximo a um viaduto na região da Bela Vista, na Avenida 9 de Julho.
As circunstâncias do episódio e as condições do corpo da vítima, segundo relatos dos familiares, indicam que se trata de mais um crime de ódio e intolerância motivado por homofobia.
De acordo com dados do Relatório de Violência Homofóbica, produzido pela Secretaria de Direitos Humanos, em 2012, houve um aumento de 11% dos assassinatos motivados por homofobia no Brasil em comparação a 2011. Diante desse grave cenário, assim como faz em outros casos que nos são denunciados, a SDH/PR está acompanhando o caso junto às autoridades estaduais, no intuito de garantir a apuração rigorosa do caso e evitar a impunidade.
A ministra da SDH/PR, Maria do Rosário, designou o coordenador-geral de Promoção dos Direitos de LGBT e presidente do Conselho Nacional de Combate a Discriminação LGBT, Gustavo Bernardes, para acompanhar o caso pessoalmente. O servidor da SDH/PR desembarcou no início na tarde desta sexta-feira (17) na capital paulista, onde deverá conversar com a família e acompanhar o processo investigativo em curso.
Informamos ainda que a Secretaria de Direitos Humanos está investindo recursos para a ampliação dos serviços do Centro de Combate à Homofobia da Prefeitura Municipal de São Paulo, fortalecendo a rede de enfrentamento à homofobia.
Diante desse quadro, reiteramos a necessidade de que o Congresso Nacional aprove legislação que explicitamente puna os crimes de ódio e intolerância motivados por homofobia no Brasil, para um efetivo enfrentamento dessas violações de Direitos Humanos.
O Governo Federal reitera seu compromisso com o enfrentamento aos crimes de ódio e com a promoção dos direitos das minorias, em especial, com a população LGBT.

Embora tedioso e risível, o texto da ministra deve suscitar em qualquer cidadão mais consciente sérias preocupações, porque se trata de nota emitida de uma secretaria ligada diretamente à Presidência da República.

Já no começo da nota ela afirma que o jovem foi “assassinado brutalmente no último sábado”, quando a única informação oficial de que ela dispunha era o parecer inicial da polícia, que apontava a causa como suicídio, e nada até agora indica o contrário. E, uma vez que ela afirma que houve assassinato, está afirmando também que existe um assassino ou assassinos. Desse modo, ela não está pedindo outra coisa senão um bode expiatório, a cabeça de um inocente aos olhos da lei, e isso em nota oficial! Rosário chegou até a designar um assecla para garantir que alguém seja punido.

A proposta, feita pelo deputado gayzista, de paralisar (ou mobilizar, que seja) o país por causa da morte de um homossexual é absurda pelos motivos que, quase desnecessariamente, já apresentei. Mas agora, quando uma ministra vem a público e sem constrangimento algum exige que se condene alguém por um crime que não foi cometido, não é o caso de se tomar uma providência? Tem uma pessoa na posição dela autoridade para obter condenações sem crime, com o único objetivo de ganhar pontos para a sua causa? E Dilma, concorda com essa barbaridade? Vai mantê-la à frente da secretaria? E os defensores dos direitos humanos, não vão se manifestar? E os artistas, não vão dar selinho em sinal de protesto?

E se for comprovado que o rapaz foi vítima de assassinato? Bem, eu é que pergunto: de que forma isso transformará a ministra numa pessoa justa e sensata?

Atualização: Leiam o desfecho da investigação aqui e aqui. Nem era preciso, pois nota de Maria do Rosário por si só já lhe garante o prêmio de fiasco do ano (prêmio de coadjuvante para o deputado gayzista). Acho que agora ela vai acusar a ponte de “homofobia”. Aguardemos a próxima nota oficial.

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