Complexo de Ló (reedição)

Por alguma razão, resolvi reeditar este artigo, publicado em 2009. 

Aqui, no meu cantinho do curral, espremo os meus dezessete neurônios para entender a razão de tantos líderes se destacarem, na mídia secular e no ambiente da Igreja, muito mais por suas teorias e práticas materialistas que pela capacidade de promover a espiritualidade saudável do rebanho (aliás, alguns nem rebanho têm, vão mesmo é buscar lã em curral alheio). Mais exatamente, procuro descobrir o caminho que os levou a isso.

Penso que a resposta está em Gênesis, não por acaso o livro dos começos — bons e maus. Ruminando o pastinho verde da Palavra, descobri em Ló, sobrinho de Abraão, o protótipo de tais biografias, pelo menos da parte em que a admiração do “leitor” é substituída pela revolta. Digo isso porque muitos desses arautos de evangelhos falsificados começaram bem: chamado autêntico, postura de líder-servo e ministério voltado para o próximo. Contudo, em algum momento o ego começou a inflar e a esbarrar em outros ministérios e interesses, como os rebanhos de Abraão e Ló. Com isso vem o desejo da separação, de ter o controle do próprio nariz.

É nesse ponto que perdem a visão da herança futura, que caracterizava as ações de Abraão. Como Ló, veem apenas as campinas verdes e bem regadas diante de si e os olhares brilhantes de desejo convergem para as possibilidades imediatas, como ter mansão em Miami e jatinho particular. Gastam no esforço da conquista o pouco de fé que lhes resta e que em geral não sobrevive à terceira fatura do programa de TV.

O passo seguinte são os artifícios humanos, que doravante irão manter o sonho. Doutrinas milenares são reinventadas e postas a serviço da ganância, a fé é transformada em carnê e os milagres, antes autenticadores da Palavra, viram conto do vigário. Os propagadores da fé viram exploradores da boa-fé. É quando fixam residência em Sodoma e então absorvem de vez os seus métodos e a sua imoralidade.

Abraão é o nosso pai na fé, alguém que contemplava a recompensa futura, a herança divina, ainda que neste mundo tivesse de armar a sua tenda no meio da vegetação escassa. A visão dos bons ministros continua sendo a do patriarca. Já os ministros de visão curta — que evoluem para guias cegos — mandaram o velho às favas e adotaram Ló como padrasto.

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