E se vier a perseguição?

Ultimamente, tenho questionado muito o sistema eclesiástico, mais em minhas ensimesmações e pouco aqui no blog. Meus questionamentos públicos e privados não se compõem apenas de críticas. Há muito de preocupação também.

Desde que o PT assumiu o poder do país, foi implantada uma agenda que incomoda bastante os cristãos. Legalização do aborto e da prostituição, proselitismo gay nas escolas e Estado antirreligioso (não laico, como se apregoa) despertaram a irritação, se não a fúria, dos que consideram tais propostas  incompatíveis com a sua fé.

Uma alternância no poder  agora seria bem-vinda, mesmo que a opção seja o PSDB, a oposição mais inoperante que este país já conheceu. É pouco provável que isso aconteça, e é bem possível que a igreja venha a ser atacada de maneira mais incisiva de modo a facilitar que aquelas políticas sejam implantadas. 

O que acontecerá, então quando essas estruturas eclesiásticas monumentais começarem a ser confiscadas para outros usos que o governo designar (o caminho já foi preparado há alguns anos, lembram?). Como sobreviverão quando as contas bancárias forem bloqueadas sob qualquer pretexto e as portas midiáticas se fecharem? Para onde irão os crentes, que não terão mais o culto-espetáculo?  Como se pregará o evangelho?

Não é o momento de pensar nisso? Se uma desconstrução patrimonial parece impossível, que pelo menos se tenha um plano de emergência. Que sejam conhecidos desde já locais discretos para reuniões e que se idealizem formas alternativas de comunicação interna e de divulgação da Palavra.

Paranoia, dirão alguns, porque Deus livra o seu povo, certo? Nem sempre. E estou falando só de igrejas fieis, ou ninguém leu ainda a Primeira Carta de Pedro? E alguém acha que Deus teria motivos para preservar a igreja que vemos divulgada por aí? Quem não conhece denominações ou líderes que não fazem outra coisa senão envergonhar o evangelho? Acham que Deus não está incomodado com isso?

Não tenho nenhuma ilusão de que possa haver uma conscientização geral nesse sentido, mas os sinais estão aí, e são tantos que não há necessidade de descrevê-los. Talvez a ideia de perseguição seja inaceitável para muitos. Outros, é claro, preferem confiar nos “representantes”. Mas acho que não devemos retirar essa opção da mesa. Além disso, se a igreja tiver de voltar à obscuridade, estará num ambiente em que poderá se dar muito bem. Mas falo disso amanhã.

Atualização: leia o artigo A bênção da obscuridade.

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