A maldição da obscuridade

***

Na postagem anterior sobre o mesmo tema, afirmei que a obscuridade é uma bênção. Agora digo que é maldição. Não estou me contradizendo nem mudei de ideia, apenas aplicando a mesma palavra com sentidos diferentes à conjuntura atual das Assembleias de Deus.

A obscuridade abençoada é estratégica. Consiste em abandonar os holofotes da glória humana, em renunciar a qualquer forma de celebridade, externa e interna, e retornar à vida simples e quase subterrânea, mas de benefícios espirituais inquestionáveis. É uma proposta radical, e duvido que haja um único pastor interessado nela, pelas muitas renúncias que envolve.

A obscuridade amaldiçoada é aquela que caracteriza a ignorância, a falta de luz própria de pessoas e entidades. No caso da igreja e de nossa denominação em especial, caracteriza o caminho dos sofismas doutrinários que tentam justificar o legalismo, da estupidez das normas apresentadas como “bons costumes” e da exploração da história para defender a necessidade de não aprender nada.

Eu ia ficar naquela primeira postagem, que nem sei se alguém leu. Mas então resolvi assistir a um vídeo que está circulando na Internet, em que o pastor José Wellington, presidente da CGAD, declara que a Assembleia de Deus não é mais a mesma. Antes de começar a ouvir o líder máximo da denominação, cheguei a pensar num mea culpa pelas barbaridades cometidas pelas atuais lideranças, das quais todos estão cientes. Mas o que ouvi foi uma série de acusações contra uns tais “samaritanos”.

Não entendi bem a razão do apelido, e, se os “samaritanos” fossem ministros corruptos que sem nenhum pudor realizam conchavos políticos, tudo bem. Se fossem pastores ou seus lacaios que entram de arma na cintura em convenções e até em cultos para intimidar os desafetos, tudo bem. Se fossem administradores envolvidos em falcatruas financeiras, tudo bem. Se fossem lideranças covardes que se apavoram diante da possibilidade de apresentar um relatório transparente, tudo bem. Se fossem adúlteros que fogem para se esconder na igreja de algum amigo nos Estados Unidos, tudo bem. Se fossem cristãos que não dizem duas frases sem cair no pecado da hipocrisia, tudo bem. Decifrar a estranha alcunha é o de menos.

Mas não. No pensamento de quem deveria ser uma pessoa esclarecida, pela posição que ocupa, a causa dos cultos “frios” e sem a operação do Espírito Santo e, devo presumir, de todas as práticas mencionadas acima, são aqueles que cantam e batem palmas nos cultos! “Samaritanas” são as mulheres cortam cabelo! “Samaritanos” são os homem que usam barbicha!

Isso é pura obscuridade intelectual. Ou, caso seja uma inverdade consciente anunciada com propósitos escusos, estamos diante de um ato extremo de maldade, uma caça a ovelhas expiatórias para que os verdadeiros “samaritanos” possam manter o status quo. Alguém consegue ver o Espírito Santo feliz com isso?

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s