Lições Bíblicas: “Os Dez Mandamentos do Senhor”

Lição 7 — 1.° trimestre de 2014

Como introdução, sugiro que você leia e adapte para a sala de aula o meu artigo: Uma constituição na Bíblia.

Os propósitos da Lei

Uma coisa que os alunos precisam saber é que a Lei nunca salvou ninguém, nem mesmo nos tempos do Antigo Testamento. A salvação sempre foi pela graça. A Lei não era um caminho alternativo ou provisório para a salvação. Obedecer à Lei não concedia méritos a ninguém, porque na verdade ninguém conseguia cumprir a Lei: todos tropeçavam nela e por isso estavam condenados. A necessidade de uma expiação anual é prova disso (Lv 16; leia também Rm 3.12; Tg 2.10). A Lei veio oficializar, digamos assim, a existência do pecado. Os sacrifícios de animais eram oferecidos a Deus para expiação do pecado, mas o perdão era alcançado pela misericórdia de Deus. Cristo ofereceu o sacrifício perfeito e assim nos resgatou da maldição da Lei, que escravizava o ser humano e não salvava ninguém. Por isso é no mínimo perigosa a opção pelo legalismo, que vemos em muitas regras das Assembleia de Deus, porque não há quem cumpra um sistema legalista e não há salvação por méritos. Por isso tenhamos cuidado ao defender certa doutrinas, porque elas podem na verdade estar anulando o sacrifício de Cristo, sem o qual não há salvação (leia Gl 2.15-21 e consulte bons comentários sobre essa passagem).

Os Dez Mandamentos (Êx 20.1-17)

O primeiro mandamento. “Um ídolo é um substituto de Deus e, portanto, não é um deus, pois há somente um único e verdade iro Deus vivo. O pluralismo religioso da atualidade (‘Você adora o seu deus e eu adoro o meu, pois nós dois estamos certos’) é, ao mesmo tem­po, antibíblico e absurdo, pois como é pos­sível haver mais de um deus? Se Deus é Deus, ele é infinito, eterno e soberano e não pode dividir seu trono com outro ser tam­bém infinito, eterno e soberano” (Warren W. Wiersbe).

O segundo mandamento. É bem certo que algum tipo de imagem estivera em uso entre os ancestrais de Israel (até mesmo a tradição judaica ortodoxa ad­mite que Tera, pai de Abraão, era um fabricante de imagens). Os ídolos domésticos (terafim)de Labão poderiam, é verdade, ter mais valor le­gal do que significado religioso, mas os que Jacó escondeu debaixo do carvalho no ‘santuário’ em Siquém eram com toda certeza objetos re­ligiosos [Gn 35.2-4). Isto aconteceu antes da doação da lei: mesmo de­pois disso, imagens não eram algo estranho em Israel [ver Jz 8.27, Gideão; Jz 17.4, Mica; 1Sm 19.13, Davi)” (Alan Cole).

O terceiro mandamento. “O nome do Senhor é desonrado quando o utilizamos para con­cretizar negócios que não temos a pretensão de honrar. O nome do Senhor é desonrado quando nossas vidas não correspondem com a fé que alegamos ter. O nome do Senhor é desonrado quando o utilizamos em brincadeiras e piadas, ou juramos falsamente, como se Ele fosse responsável por nossos atos” (Alexandre Coelho).

O quarto mandamento. “O quarto mandamento convocava Israel a observar o sétimo dia como um dia santo, no qual nenhum trabalho podia ser executado, por homens ou por animais. O desejo de Deus era que esse dia fosse uma bênção para o povo, fisicamente e espiritualmente” (Bíblia de estudo arqueológica).

A continuação dos Mandamentos divinos

O quinto mandamento. “Por certo, esse mandamento visa ao bem-estar nacional pelo respeito e honra que tal ensinamento incutirá nos demais. Tragicamente, quando se ignora esse mandamento, derruba-se a estrutura social” (José Borrás).

O sexto mandamento. “No presente contexto, significa algo parecido com ‘assas­sinar’; não haveria razão em legislar contra homicídio não intencional! Nem a pena de morte (por parte do Estado) nem o matar na guerra estavam incluídos nessa interdição” (Robert P. Gordon).

O sétimo mandamento. “Suspeita-se que passagens como Levítico 20.10-21, que tratam de comportamentos sexuais proibidos, sejam simplesmente uma extensão da lei sobre adultério. Existem dez mandamentos, não mil ou dez mil. As infrações listadas no Decálogo são representa­tivas, não exaustivas” (Victor P. Hamilton).

O oitavo mandamento. “Refere-se a qualquer ato que despoje outra pessoa de algo que lhe pertença. Ensina o respeito à propriedade particular” (William MacDonald).

O nono mandamento. “Parece que o objetivo central deste mandamento é a proteção ao sistema judici­al. Os tribunais seriam inúteis se os homens chegassem ali para mentir. Se tiver de ser feita uma acusação contra outra pessoa, e se o acusado tiver de defender-se, a verdade terá de ser dita por ambas as parles, sob pena da justiça naufragar. Mas esse mandamento também se aplica a questões individuais. A sociedade em geral perturba-se quando as pessoas saem a espalhar mentiras e calúnias sobre seus semelhantes” (Russell N. Champlin)

O décimo mandamento. Não significa que uma pessoa não possa admirar bens e aptidões de outros indivíduos. Antes, refere-se ao desejo corrosivo que solapa os relacionamentos e pode levar um indivíduo a desejar o sofrimento daquele que têm a aptidão ou objeto cobiçado” (Abel Ndjerareou).

Leia também: Algumas curiosidades sobre o livro de Êxodo.

Lição 8 (leia aqui).

BIBLIOGRAFIA. Bíblia. Português. Bíblia de estudo arqueológica. Nova versão 
internacional. Tradução de Claiton André Kunz, Eliseu Manoel dos Santos e Marcelo 
Smargiasse (notas e artigos). São Paulo: Vida, 2013. * Borrás, José. Exodo. In: 
Carro, Daniel et alii (Org.). Comentario Biblico Mundo Hispano. El Paso: Mundo 
Hispano, 1994, tomo 2. * Champlin, Russell N. O Antigo Testamento interpretado: 
versículo por versículo. 2. ed. São Paulo: Hagnos, 2001, v. 1. * Coelho, Alexandre; 
Daniel, Silas. Uma jornada de fé. Rio de Janeiro: CPAD, 2013. * Cole, Alan. Êxodo: 
introdução e comentário. Tradução de Oswaldo Ramos. 2. ed. São Paulo: Vida Nova, 
1981 (Série Cultura Bíblica). * Hamilton, Victor P. Manual do Pentateuco. Tradução 
de James Monteiro dos Reis. 2. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2007. * MacDonald, William. 
Comentário bíblico popular: Antigo Testamento. 2. ed. São Paulo: Mundo Cristão, 2011. 
* Morgan, Robert P. Êxodo. In: Bruce, F. F. (Org.). Comentário bíblico NVI: Antigo e 
Novo Testamentos. Tradução de Valdemar Kroker. Reimpr. São Paulo: Vida, 2009. * 
Ndjerareou, Abel. Êxodo. In: Adeyemo, Tokunboh (Org.). Comentário bíblico africano. 
Tradução de Judson Canto et alii. São Paulo: Mundo Cristão, 2010. * Wiersbe, Warren W. 
Comentário bíblico expositivo: Antigo Testamento. Tradução de Susana E. Klassen. 5. 
impr. Santo André: Geográfica, 2010, v. 1. 
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Um comentário em “Lições Bíblicas: “Os Dez Mandamentos do Senhor”

  1. Vejo a Lei com um propósito didático e divino de Deus, afim de mostrar ao homem, que ele por si mesmo não pode ser justificado….

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