Servos que não servem

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Na visita que fiz à Assembleia de Deus no último domingo aqui em Barra do Sul, o pastor comentou sobre uma entidade assistencial de propriedade da igreja que estava jogada às moscas.

As instalações estão vazias, o terreno sem cuidado e os computadores, cedidos pelo governo, nunca foram usados. Pelo que entendi, a razão da inoperância é o fato de o presidente da organização não ser o pastor da igreja. O pastor agora vai assumir, e a entidade terá um presidente de fachada.

Se eu não estivesse na Assembleia de Deus há tanto tempo não entenderia como pode alguém assumir uma organização estruturada para ajudar o próximo e não fazer absolutamente nada ou aceitar o cargo apenas para receber ordens, como será a partir de agora.

Só entendo isso porque a denominação sempre teve problemas em expressar amor ao próximo de uma forma que deveria ser natural. É claro que há na igreja pessoas dedicadas a várias frentes de ajuda aos necessitados, e elas fazem isso com amor no coração. Mas existe uma concepção generalizada de que a caridade é mero instrumento “evangelístico”, um amor proselitista que é falso por natureza e contraditório em essência: finge-se amar o próximo para que ele conheça o amor verdadeiro.

Ora, servimos a Jesus quando servimos as pessoas. Quem não serve o semelhante não está servindo a Jesus. Não fosse assim, que fazer com as cartas de Tiago e de João? Caridade burocrática é obra de palha, e os seus burocratas são os laranjas do amor fingido.

Esse amor a Jesus que desconsidera o próximo é visto até entre os irmãos. O pastor, ao apresentar o caso daquela instituição à igreja, lembrou o fato de se ter convocado um mutirão para limpar a propriedade, e ninguém compareceu. Agora os obreiros receberam ordem de executar a tarefa. Resolveu-se a questão da limpeza, mas o serviço ao próximo ainda não existe. Tomaram-se providências para resgatar o assistencialismo, mas ao que parece nada será feito para substituir o proselitismo por amor verdadeiro.

É assim com as instituições de caridade, departamentos da igreja, ministérios, equipes de evangelismo. Um monte de gente querendo servir a Jesus, mas ignorando solenemente o próximo. São servos que não servem, mordomos de coisa nenhuma, aspones da religião. Cultiva-se o amor que não ama, a assistência que não se interessa, a caridade sem compaixão.

E a fórmula do amor é tão simples! Dê ao sedento um copo de água fria movido apenas pelo desejo de lhe matar a sede. Sem proselitismo, sem tática evangelística, sem servir “a Jesus”. Sirva o próximo. Ame o próximo. Essa é melhor propaganda do evangelho. Esse é o verdadeiro amor.

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