Lições Bíblicas: “Deus escolhe Arão e seus filhos para o sacerdócio”

Lição 11 — 1.° trimestre de 2014

“Deus estabeleceu as normas relati­vas à adoração, quando das suas instruções para a construção do Tabernáculo. Mas o Senhor foi mais além. Ele também le­vantou homens que se dedicariam diária e exclusivamente à obra do Tabernáculo e teriam a responsabilidade de ensinar ao povo o caminho da verdadeira adoração. Até antes de Deus fazer isso, quem tinha essa função exclusiva era Moisés, que, inclusive, é contado, ao lado de Arão, como sacerdote do Senhor perante Israel (SI 99.6). O capítulo 28 do livro de Êxodo trata exatamente desse chamado divi­no para a formação de um corpo sacerdotal” (Silas Daniel).

O sacerdócio

“No início da história da humanidade, logo após a Queda, cada pessoa do sexo masculino podia apresentar os seus sacrifícios a Deus (Gn 4.3,4). Com a multiplicação da espécie humana e a organização em comunidades familiares, os sacrifícios passaram a ser oferecidos pelo chefe ou patriarca da família (Gn 8.20; 22.13 etc.). No mundo pagão, as diversas civilizações tinham o seu sistema religioso, regido por classes sacerdotais. A religião em geral era intimamente ligada ao poder político, muitas vezes exercendo poderosa influência sobre este. O ministério sacerdotal dedicado ao Deus verdadeiro só foi oficializado no monte Sinai, quando Deus escolheu Arão e seus filhos Nadabe, Abiú, Eleazar e Itamar, da tribo de Levi, para servi-lo como sacerdotes (Êx 28.1). Esse sacerdócio é conhecido como arônico ou levítico. O ofício sacerdotal envolvia o trabalho de milhares de obreiros. O principal deles era o sumo sacerdote. Havia também os sacerdotes e os levitas que exerciam funções diversas no Tabernáculo e, mais tarde, no Templo. Os descendentes de Levi não tiveram herança na Terra Prometida (Dt 18.1). […] O propósito do ofício sacerdotal era servir de intermediário entre Deus e o povo de Israel. Nenhum sacrifício podia ser apresentado a Deus em particular. Isto é, quem oferecesse um sacrifício tinha de levá-lo à “tenda da congregação” para que fosse apresentado diante do Tabernáculo. Quem desobedecesse a essa ordem era condenado à morte (Lv 17.3-6)” (Ensinai: Curso de Teologia Ministerial, Ministério cristão).

A indumentária do sacerdote

“Arão e seus quatro filhos são nomeados sacerdotes [Êx 28.1]. Como tal, precisam de vestes sagradas especiais para indicar sua honra e dignid­ade ao realizar as incumbências desse cargo [v. 2]. 0 caráter sagrado das vestes usadas pelos sacerdotes quando entravam na presença do Senhor fica ainda mais evidente em Ezequiel 44.19. Esse versículo especifica que as ves­tes deviam ser deixadas numa câmara santa e não deviam ser levadas para o átrio externo onde o povo ficava, pois a santidade das vestes seria transmitida a qualquer pessoa comum que entrasse em contato com elas” (Abel Ndjerareou).

Ministros de Cristo para a igreja

“A pessoa do sumo sacerdote encerra alguns princípios que se estendem ao ministério cristão. As restrições a que ele estava sujeito e que não se estendiam aos demais israelitas falam da vida exemplar que é exigida do ministro do evangelho. Ele deve ser “o exemplo dos fiéis, na palavra, no trato, na caridade, no espírito, na fé, na pureza” (1Tm 4.12). […] Outra condição exigida do obreiro é que ele seja “apto para ensinar” (1Tm 3.2). Ora, há muitos cristãos fiéis que não sabem ensinar, mas a recomendação de Paulo é que ninguém ingresse no ministério sem essa qualidade. As roupas e os ofícios sacerdotais apontam para um trabalho cuidadoso e para uma atitude constante de reverência (Lv 10.1-11; cf. Hb 12.28,29). A pessoa do sumo sacerdote evoca a presença de um líder principal em cada igreja ou um colegiado (Ap 2.1 etc.). E a hereditariedade evoca a continuidade do trabalho, já que o ministério cristão não é passado automaticamente de pai para filho” (Ensinai: Curso de Teologia Ministerial, Ministério cristão).

Leia também: Algumas curiosidades sobre o livro de Êxodo.

Lição 12 (leia aqui).

BIBLIOGRAFIA. Coelho, Alexandre; Daniel, Silas. Uma jornada de fé. Rio de 
Janeiro: CPAD, 2013. * Ensinai: Curso de Teologia Ministerial. Ministério cristão. 
Coordenação editorial de Judson Canto. 3. ed. Curitiba: AEIEADC, 2010. * 
Ndjerareou, Abel. Êxodo. In: Adeyemo, Tokunboh (Org.). Comentário bíblico africano. 
Tradução de Judson Canto et alii. São Paulo: Mundo Cristão, 2010.
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2 comentários em “Lições Bíblicas: “Deus escolhe Arão e seus filhos para o sacerdócio”

  1. O sumo sacerdote: Em hebraico כהן גדול, na forma transliterada é Kohen Gadol. Era o mais alto posto da religião de Israel, era aquele que estava acima dos demais sacerdotes. Somente ele poderia entrar no santo dos santos apenas uma vez por ano, não sem antes obedecer todas as ordenanças que o Senhor determinou cumprir para entrar nesse santo lugar (Levitico 16:1-34). Assim como os demais levitas, o sumo sacerdote não recebeu nenhuma herança na terra, pois sua herança era o próprio Deus (Deuteronômio 18:2; Ezequiel 44:28). Ninguém que não fosse levita, poderia se achegar ao santuário, fazer isso era suicídio. Por isso, todo o Israel dependia dos levitas e dos sacerdotes para oferecem sacrifícios em favor de seus pecados (hoje, todos temos livre acesso a Deus). Em retribuição, os demais israelitas dariam anualmente os dízimos de sua produção aos levitas pelo trabalho exercido no santuário (Números 18:21-28).

    É importante salientar que os sacerdotes com o sumo sacerdote não recebiam dízimos. Eles receberiam dos levitas os dízimos dos dízimos como ofertas alçadas, bem como as demais ofertas alçadas do povo. “Todas as ofertas alçadas das coisas santas, que os filhos de Israel oferecerem ao SENHOR, tenho dado a ti, e a teus filhos e a tuas filhas contigo, por estatuto perpétuo; aliança perpétua de sal perante o SENHOR é, para ti e para a tua descendência contigo.” (Números 18:19). Ao contrário dos levitas que só recebiam dízimos anualmente, os sacerdotes recebiam parte das ofertas que diariamente o povo levava ao tabernáculo (1Samuel 2:13,14).

    Erroneamente se tem ensinado que os dízimos eram dos sacerdotes, quando na verdade eram daqueles que lhes auxiliavam, quais eram os levitas e também dos órfãos, das viúvas e dos estrangeiros. Dos sacerdotes eram as primícias e as ofertas alçadas que Deus lhes estipulou como salário (aliança perpétua de sal). Quebrar esta aliança consistia em roubar a Deus como os sacerdotes filhos de Eli fizeram e os da época de Malaquias e Neemias. (Neemias 13:4-11: Malaquias 3:5-9).

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