Martinho, o frei que não era Lutero, mas queria a Reforma

Nos séculos que antecederam a Reforma Protestante, já havia muita gente indignada e inconformada com as práticas de Roma, e muitos homens piedosos, embora inseridos no sistema, ansiavam já por mudanças.

Entre os inconformados, estava um frei cartuxo chamado Martinho, que não era o Lutero. Ele escreveu esta confissão e, talvez por medo de enfrentar a fogueira, guardou-a numa caixinha de madeira e a escondeu num buraco escavado na parede de sua cela:

Ó Deus misericordiosíssimo, bem sei que não posso me salvar nem satisfazer a tua justiça, a não ser pela inocentíssima paixão e morte de teu Filho muito amado. Compassivo Jesus, nas tuas mãos está a minha salvação. Não podes desviar de mim as mãos de teu amor: elas me criaram, me formaram, me resgataram. Misericordiosa e indelevelmente traçaste o meu nome com um estilete de ferro no teu lado, nas tuas mãos e nos teus pés…  

Essa confissão, é claro, ia de encontro à doutrina da salvação por méritos, comprados até por dinheiro, e portanto passível de condenação por heresia.

O interessante é que a piedade do frei Martinho só veio a ser conhecida publicamente em 1776, cerca de 250 anos após a Reforma, quando a caixinha foi achada durante a demolição de algumas velhas casas que fizeram parte do Convento de Basileia.

Fonte: A Reforma, de T. M. Lindsay.
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