Lições Bíblicas: “A consagração dos sacerdotes”

Lição 12 — 1.° trimestre de 2014

Tenho evitado criticar o conteúdo das últimas revistas, depois que optei por fornecer comentários concisos da lavra de renomados mestres cristãos dentro das respectivas subdivisões de cada lição. Mas nesta lição não pude me conter. Aliás, posso estar errado, mas a revista inteira tem cara de apostila recauchutada com hiatos preenchidos às pressas pela equipe do Setor de Edução Cristã da CPAD, que já deve suar para dar conta do cronograma normal.

O tema da consagração dos sacerdotes podia muito bem ser dispensado, pois, embora tenha a sua importância na narrativa bíblica, é uma passagem que torna obrigatória a interpretação alegórica e tipológica. A época em que vivemos, todavia, exige ensinamentos que, sem dispensar a informação bíblica, sejam práticos e orientem o crente a viver os desafios desta geração. O livro de Êxodo contém lições preciosas e outras passagens que seriam mais adequadas aos propósitos de uma revista de escola dominical. O episódio do bezerro de ouro, por exemplo, já é muito comentado, porém apresenta vários aspectos do relacionamento entre o ser humano e Deus, não se resume à questão da idolatria. No capítulo 35, temos os importantes temas da contribuição generosa (não legalista) e dos talentos que existem além dos dons espirituais e ministeriais. E por aí vai. Em suma, neste domingo o professor terá bastante trabalho para tornar a lição interessante e proveitosa para a vida espiritual dos alunos.

A consagração de Arão e seus filhos

“A lavagem da água tornava Arão simbolicamente aquilo que Cristo é intrinseca­mente, isto é: santo. A Igreja é santa em virtude de estar ligada a Cristo na vida de ressurreição. Ele é a definição perfeita daquilo que ela é perante Deus. O ato cerimonial da lavagem da água representa a ação da palavra de Deus [cf. Ef 5.26]” (C. H. Mackintosh).

“Deus mandou Moisés fazer um óleo especial de unção. […]  O perfumista (25) era um farmacêutico ou boticá­rio. Estes produtos aromáticos, por terem propriedades curativas e fragrância, torna­vam a substância perfumada apropriadamente típica do Espírito Santo, que santifica e unge o povo de Deus”  (Comentário bíblico Beacon).

“Um touro foi imolado para sacrifício pe­los pecados [Lv 4; 8.14-17] como expiação pelos pecados dos sacerdotes. Esse sacrifício foi repetido todos os dias durante uma sema­na [Êx 29.36,37], não apenas para a purifica­ção dos sacerdotes, mas também para a santificação do altar em que os sacerdotes iriam ministrar” (Warren W. Wiersbe).

 O sacrifício da posse

“Nos tempos bíblicos, dizia-se que as pessoas falavam aos ouvidos umas das outras. Em vez de ouvir, eles “inclinavam os ouvidos”. Quando oravam, Deus, por sua vez, “inclinava os ouvidos” para ouvi-los. O ouvido tinha participação significativa em algumas cerimônias judaicas. Ele foi santificado pelo sangue na consagração de Arão e seus filhos ao sacerdócio (29.20; Lv 8.24) e também o era na cerimônia após a cura da lepra (Lv 14.14)” (Bíblia de estudo arqueológica).

Cristo, perpétuo sumo sacerdote

O comentário salta para Melquisedeque sem nenhuma transição. Você pode usar o texto de Êxodo 29.31-46 como ponto de partida e assim fazer a ponte entre o sacerdócio transitório de Arão e o sacerdócio perpétuo de Cristo, segundo a ordem de Melquisedeque.

“A lei somente po­dia usar o tipo de pessoa disponível para o cargo de sumo sacerdote, e quem era escolhido sofria das fraquezas que todos os homens têm em co­mum. Isto inevitavelmente fazia o sistema legal de sumos sacerdotes igual­mente fraco. O propósito do escritor, no entanto, não é censurar a inefi­cácia da linhagem de Arão, mas, sim, glorificar a superioridade da de Cris­to. A ordem de Melquisedeque, estando livre dos embaraços de sucessão humana, estava isenta da fraqueza inerente no sistema de Arão, e podia ser concentrada numa única pessoa sem igual” (Donald Guthrie, sobre Hb 7.28).

Leia também: Algumas curiosidades sobre o livro de Êxodo.

Lição 13 (leia aqui).

BIBLIOGRAFIA. Bíblia. Português. Bíblia de estudo arqueológica. Nova versão 
internacional. Tradução de Claiton André Kunz, Eliseu Manoel dos Santos e Marcelo 
Smargiasse (notas e artigos). São Paulo: Vida, 2013. * Chapman, Milo L. et alii. 
Comentário bíblico Beacon. Tradução de Luís Aron de Macedo.Rio de Janeiro: CPAD, 
2005, v. 1. * Guthrie, Donald. Hebreus: introdução e comentário. Tradução de 
Gordon Chown. São Paulo: Vida Nova, 1984 (Série Cultura Bíblica). * Mackintosh, 
C. H. Estudos sobre o livro de Êxodo. 2. ed. Diadema: Depósito de Literatura 
Cristã,2001. * Wiersbe, Warren W. Comentário bíblico expositivo: Antigo 
Testamento. Tradução de Susana E. Klassen. 5. impr. Santo André: Geográfica, 
2010, v. 1.
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3 comentários em “Lições Bíblicas: “A consagração dos sacerdotes”

  1. nestes ultimos anos tenho percebido que as lições estão repetitivas se você não pesquisar com bastante para se atualisar o aluno com o passar do tempo vai cobrar mesmo reforço

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  2. Prezado irmão, Judson, realmente vc tem toda razão em relação as liçoes que a CPAD vem trazendo para a Escola Bíblica há bastante tempo. Não temos novidade alguma e então, para não cair no marasmo, pesquisamos exaustivamente para, pelo menos, atualizar e fazer com que o aluno entenda, guarde e pratique alguma coisa da lição. Já passou da hora de uma renovação dos comentaristas.

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