Sheherazade tinha 1001 coisas para dizer

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Causou-me asco a notícia de que Rachel Sheherazade está proibida de emitir opiniões, por pressão dos comunistas e da canalha politicamente “correta”, que abriga em suas hostes até mesmo alguns cristãos.

Como não assisto à TV aberta, fiquei sabendo da existência da moça e de suas opiniões pela Internet. Vi pela primeira vez o nome dela num cartaz carregado por militantes gays, que dizia: “Cala a boca, Sheherazade“. Mesmo sem saber de quem se tratava, simpatizei com ela imediatamente, porque o caráter de alguém é medido pelas pessoas a quem ele incomoda. Intrigado pelo furor que os comentários da âncora do SBT Brasil (o nome do jornal a que nunca assisti) causaram entre os “progressistas”, procurei alguns vídeos no Youtube e constatei que as opiniões da moça eram simples e diretas e condenavam a corrupção, as ditaduras, os desmandos do governo, o crime, o desrespeito, a insegurança pública, e assim por diante, coisa que todo cidadão que tenha um pingo de decência e mais de dois neurônios irá concordar.

E, por falar em raciocínio, o que mais me espantou não foi a visível irritação dos que apoiavam as causas citadas acima. Fiquei admirado com o que não vi. Não encontrei nas críticas exacerbadas à jornalista um único argumento digno de nota. Apenas xingamentos e o desejo que que ela parasse de opinar. As declarações sobre o marginal amarrado a um poste por populares geraram vários artigos de especialistas, mas todos cheirando a falácia jurídica e a pretexto para legalização da censura. E ninguém se arriscou a refutar a “campanha Adote um Bandido”, a não ser com mais xingamentos.

Toda essa polêmica pelo menos serviu para uma coisa: mostrou a fragilidade dos ideais “progressistas”. Mandaram Sheherazade calar a boca, colegas de profissão chamaram-na de fascista e imagino que algum dono de loja teve as vitrines quebradas por causa dela. Houve quem expressasse o desejo de vê-la estuprada, e isso foi publicado no Facebook de um dos filósofos governistas (se esse é o argumento do filósofo, imagine o dos idiotas úteis!). Sobre o incidente, a jornalista Mônica Bérgamo, da Folha de São Paulo, em matéria considerada neutra, limitou-se a dizer: “Quem fala o que quer, lê o que não quer na Internet” — e nenhuma crítica ao apologista do estupro. Mas o fato é que ninguém conseguiu remover uma vírgula do que foi dito por Sheherazade. Então, que ideologia é essa, posta a nocaute por comentários de 60 segundos? 

Mas por fim, em nome dos “direitos humanos”, expressão bonita transformada em dejeto político, prevaleceu a força bruta do poder. Sheherazade foi amarrada ao poste ideológico dos causídicos da infâmia para execração pública e gáudio da ala política que passou todo o mês de março choramingando a censura dos militares. 

Sheherazade ainda tinha muita coisa para dizer, mas os petistas e quejandos começaram a “democratizar” a imprensa brasileira. Os ideais “progressistas” estão seguros agora. 

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