Fundação da AD dos Estados Unidos foi motivada por racismo

Charles Mason, ministro negro batista, nasceu pouco depois da libertação dos escravos nos Estados Unidos. Ele visitou a Missão da Fé Apostólica da rua Azusa, teve ali a experiência pentecostal e levou o pentecostalismo para a sua denominação, a Igreja de Deus em Cristo (IDC), de Memphis.

Nas duas primeiras décadas do século XX, vivia-se o auge da segregação racial nos Estados Unidos, mas o avivamento que explodiu em 1906 teve a virtude de unir negros e brancos sob o mesmo teto sem nenhuma discriminação. Mason, em particular, tornou-se incansável na luta para extinguir as fronteiras raciais. Ele costumava dizer: “A Igreja é como um olho: um pouco branca e um pouco negra, e sem os dois não é possível enxergar”.

A IDC era a igreja mais eclética do país e autorizava ministros brancos e negros, sem distinção. Essa mistura também se devia em parte ao fato de a IDC ser a única denominação pentecostal autorizada a conceder credencial de ministro. A questão racial, porém, começou a pesar. Ministros brancos da IDC começaram a participar de conferências segregacionistas, até que em 1914 muitos deles resolveram se separar de Mason e fundar uma nova denominação, cuja liderança era composta apenas por ministros brancos. Essa denominação recebeu o nome de Assembleia de Deus. O historiador Vinson Synan informa:

Pouco antes do início da Primeira Guerra Mundial, um grande grupo de ministros brancos pentecostais, insatisfeitos com a situação, começou a organizar uma nova denominação com o propósito de também obter seu registro e assim poder conferir os mesmo benefícios a seus obreiros. A maioria dos fundadores das Assembleias de Deus que se reuniram em Hot Springs, no Arkansas, em abril de 1914, havia obtido sua credencial na Igreja de Deus em Cristo. Embora Mason e sua equipe tivessem sido convidados para o conclave de Hot Springs, nenhuma carta foi enviada aos ministros negros.

A IDC tem hoje cerca de 6 milhões de membros nos Estados Unidos, que é o dobro do número de membros das Assembleias de Deus.

BIBLIOGRAFIA. Synan, Vinson. O século do Espírito Santo. Tradução de Judson 
Canto. São Paulo: Vida, 2009.
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